17/08
2008
Era uma vez, mas antes fosse só meia
Por Alexandre Esposito em Cinema
Hoje finalmente pude ver Era Uma Vez, segundo longa de Breno Silveira. Uma história sobre o romance entre um vendedor de um quiosque morador do morro do Cantagalo e de uma garota rica que vive na Vieira Souto.
Eu estava bastante ansioso. Em parte por causa do trailer, mas principalmente porque estava curioso em ver o filme do diretor que conseguiu tornar a história de Zezé di Camargo e Luciano em um bom filme.
Nesse caso, ele repete os acertos de 2 Filhos de Francisco, mas infelizmente também comete os mesmos erros: se por um lado ele trabalha de forma fenomenal os personagens e a construção de suas emoções e relações, mais uma vez ele escorrega na hora de concluir o filme. Nos dois filmes, o primeiro ato é ótimo e o segundo irregular (para não dizer que é uma bagunça).
Ainda não sei qual dos dois achei melhor, mas Era Uma Vez tem duas grandes desvantagens gritantes: por mais que tenha momentos cativantes, nenhum se compara à cena da rodoviária em 2 Filhos, nem à cena em que o Francisco se diverte encantado com um interruptor de luz, de extrema sensibilidade. E ainda conta com um final trágico. E não estou me referindo à temática do filme (se bem que, se a gente parar pra pensar, um show da dupla sertaneja – que fecha o primeiro filme – acaba por ser tão ruim quanto o final de Era Uma Vez).
Mas vamos começar pelo que deu certo. O roteiro acerta em cheio em não ter pressa de criar o romance logo de cara, e sim desenvolver a história do Dé e suas tragédias familiares (embora a bidimensionalidade do traficante Café Frio possa parecer um problema, na verdade ela serve apenas para mostrar que ali não estamos falando de uma pessoa, e sim de uma metáfora para a minoria que cai no crime não apenas por circunstância social, mas por índole mesmo). É muito mais fácil para a gente entender e aceitar o restante da história e da relação dele com a Nina no momento em que passamos a conhecer quem é o cara e pelo que ele passou. Já a Nina dispensa maiores apresentações: ela é a gente.
A partir daí o filme parte para a história de como os dois ficam juntos. E é simplesmente cativante. Thiago Martins dá um banho como o vendedor que tenta timidamente arrumar um jeito de chamar a atenção da riquinha por quem tem uma paixão platônica. O jeito bobo, meio atrapalhado, etc, soa genuíno, verdadeiro real. E assim como ele, Vitória Frate, ex-blogueira e estreante no cinema, está ótima como a garota frustrada que acaba encontrando em Dé a autenticidade que procura em sua vida. Além de ser linda. Ela realmente se torna uma menina apaixonante.
E o legal é que a relação não é forçada, não é corrida. São vários encontros e desencontros, forçados por ele ou não, até eles finalmente conversarem, ficarem, etc. Você consegue acreditar naquela história. Méritos pros dois atores e pro Breno Silveira, que conseguiu criar uma cena romântica bem verdadeira em pleno baile funk (embora eu duvide que fosse tocar “Fico Assim Sem Você” do Claudinho e Buchecha num baile funk de morro, ainda mais hoje em dia).
Já que comecei a falar de atuações, vale elogiar também Rocco Pitanga. Eu achava ele meio ruim quando o vi numa novela aí, mas o cara mandou muito bem dessa vez como o irmão mais velho de Dé, que é exilado do morro pelos traficantes, acaba preso por engano num arrastão e na prisão acaba se tornando de fato um bandido.
Enfim, é justamente com a volta do personagem de Rocco, o Carlão, que o filme começa a prenunciar a queda de ritmo. Numa relação como essa, é óbvio que o abismo social gera o preconceito, é óbvio que traz muitas dificuldades e tudo isso. E o filme até trabalha bem com isso no começo, a partir da aceitação parcial do pai de Nina ao Dé (desde que ela não vá mais ao morro – algo que acho totalmente aceitável!). E é claro que parte da sociedade diria que essa era uma relação fadada ao fracasso, ou pior, à tragédia.
Mas não era. E o maior problema do filme é justamente esse: depois de passar mais de uma hora criando uma relação de forma extremamente natural, o filme começa a construir de forma forçada a tragédia. O que culmina nos minutos finais onde os personagens começam a tomar decisões não apenas estúpidas, mas que simplesmente não condizem com nada que fizeram no resto do filme. Tirando o Carlão, que estava motivado pelo desespero, o que se vê no final é uma série de decisões sem justificativa.
O filme termina com o Dé e a Nina fazendo tudo, absolutamente TUDO errado. Mas na verdade, quem errou mesmo nesse final foi roteiro.
De resto, a trilha sonora é muito boa (até porque dessa vez não tem nada de Zezé di Camargo e Luciano).
Enfim, meu resumo sobre o que achei no geral é: Era Uma Vez é na maior parte um bom filme, cativante, mas que peca por ter se forçado a ser uma tragédia que não precisava ter sido.
Breno Silveira tem que continuar explorando o ser humano e suas relações, porque sabe fazer isso de forma magnífica. Mas precisa arrumar roteiros com finais melhores.












Concordo em muita coisa do que você falou. O final era pra ser daquele jeito mesmo, mas foi meio forçado demais. Eu fiquei besta com a levada que o final do filme tomou. 2 filhos é melhor, mas era uma vez emociona também. Eu chorei #prontofalei hehehe
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Eu não chorei, mas também, são pouquíssimos filmes que conseguiram me fazer chorar…
E tipo, discordo que o final era pra ser daquele jeito. Ele PODIA ser daquele jeito, e provavelmente SERIA, mas não vejo como a única saída.
Mas o pior mesmo foi como eles conduziram para aquele final.
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[...] Essa é em parte por influência de ter visto Era Uma Vez (até comentei dessa música no post sobre o filme). Mas acabou que também esbarrei na versão, que já conhecia inclusive, que a Adriana Calcanhoto [...]
[...] é em parte por influência de ter visto Era Uma Vez (até comentei dessa música no post sobre o filme). Mas acabou que também esbarrei na versão, que já conhecia inclusive, que a Adriana Calcanhoto [...]
eu amo akela música da marisa monte q tem no filme…………….é muito lindo mesmo………….
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