A inteção original dessa coluna seria fazer uma espécie de Por Onde Anda, mas no fim acabei achando que isso seria chato, já que parte dos retratados a gente até pode saber eventualmente que fim levou. Mas o que eu quero mesmo é falar dessas figuras bizarras que por algum tempo foram bem presentes no mundo da música, TV e cinema, mesmo sem serem necessariamente bons (aliás, devo mostrar justamente a galera que era tosca mesmo) e que, tão rápido quanto invadiram a mídia, sumiram dela.
O primeiro é o Vinny. O cara já era uma figura meio estranha para um pretenso popstar. Era branquelo, com aquele cabelo descolorido, meio desengonçado. E estourou com um hit que não fazia o menor sentido. Para começar, por que raios “Heloísa, mexe a cadeira” tem esse nome? Em nenhum momento a letra cita a tal da Heloísa!
Mas vamos analisar ponto a ponto a letra.
“Mexe a cadeira
e bota na beira da sala
Mexe a cadeira
agora bem na minha cara”
Ok, a letra tem um claro duplo sentido. A questão é que em nenhuma das duas vias ele funciona muito bem. Como nesse caso. Se ele está falando de cadeira-bunda, por que a Heloísa (supondo que ela é a quem ele se direciona) deveria botar a bunda na beira da sala? E se for cadeira-cadeira, por que alguém pediria a outra pessoa para mexer a cadeira bem na sua cara?
“Mexe a cadeira da maneira que te tara
Mexe a cadeira
e perde a vergonha na cara”
Nesse caso, é óbvio que ele fala de cadeira-bunda, mas quando a pessoa mexe sua própria bunda, é supostamente para tarar alguém que está te vendo, e não a si mesmo.
“E vem, vai, vem ,vai”
Preciso mesmo falar desse trecho?
“Move your body, don’t stop
Move your body, don’t stop”
Tinha mesmo que enfiar uns em inglês? A música já não estava cafajeste o suficiente antes?
Vamos adiantar mais um pouco…
“Mexe a cadeira, hey
Bota pra danar, hey
Trepa na mesa, hey”
Bota pra danar?? WTF? Se bem que a parte do trepa na mesa é legal.
“Give it up, give it up, give it up”
Desista, desista. Afinal, ele quer que ela mexa a cadeira e diz pra ela desistir. Desistir de que? De resistir à mexer a cadeira? Então era um estupro?
“Mexe a cadeira
Sabe tudo e nada fala
Mexe a cadeira
E vai fazendo a minha mala”
Ok, agora quem desiste sou eu. Desisto de tentar entender o Vinny.
O mais bizarro é que pouco depois ele teve a “honra” de criar o tema pra Tiazinha. Que era basicamente o “Heloísa, mexe a cadeira” com letra nova.
“Ei, TIazinha, mexe essa bundinha e vem!”
Podem conferir, é igual o background.
E depois ele caiu no ostracismo (na verdade ele ainda teve uma música que eu até gostava bastante, mas ele sumiu tanto que nem lembro mais qual era).
Hoje não sei por onde ele anda (ok, sei sim, porque ele tem um blog - mas alguém ouviu esse acústico dele?). Vinny, dica de amigo (ok, não sou seu amigo, mas você parece ser um cara gente fina): vai procurar um emprego, porque teu tempo já passou. Tenta virar bancário, lojista, cover da Xuxa, sei lá.
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Na próxima edição vamos relembrar outro ícone da música do fim dos anos 90 que também veio e sumiu num instante. Uma dupla que anda apagada da nossa memória, mas que o Vida Ordinária vai trazer de volta: Pepê e Neném!