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Confronto da Semana: Sopranos x Corleones

Postado em : 13-11-2008 | Por : Alexandre Esposito | Em : Cinema, Confrontos, TV

9

E essa semana finalmente o Vida Ordinária paga uma dívida de meses. Porque é chegada a hora de enfim encerrar o primeiro confronto desse blog: Sopranos x Corleones. O duelo entre as duas mais notórias famílias mafiosas da ficção.

Quando os confrontos surgiram, a idéia é que cada round fosse um post. Logo isso se mostrou longo e burocrático demais, aí eu parei com a seção até voltar da forma que vocês conhecem. Isso tendo feito só dois dessa disputa (que estão reproduzidos nesse post).

Por isso, sem mais delongas, vamos fazer como as próprias famílias mafiosas e terminar esse impasse que vem de tempos. E como elas, também vai ser na porrada (e nas balas).

Os rounds serão:

1º Round (Filhos bundões): Meadow e AJ Soprano x Anthony e Mary Corleone

2º Round (”Como se fossem filhos”): Christopher Moltisanti x Vincent Mancini

3º Round (Capanga bonachão): Bobby Baccala x Peter Clemenza

4º Round ( Esposas): Carmela Soprano x Kay Adams

5º Round (Irmãs): Janice “Parvati” Soprano x Connie Corleone

6º Round (Consiglieres): Silvio Dante x Tom Hagen

7º Round (Parentes que fazem cagadas): Corrado “Júnior” Soprano e Tony Blundetto x Fredo Corleone e Carlo Rizzi

8º Round (Estouradinhos): Paulie “Walnuts” Gualtieri x Santino “Sonny” Corleone

9º Round (Vilões Felasdaputa): Phil Leotardo x Virgil Sollozzo

10º Round (Os Chefões): Tony Soprano x Vito e Michael Corleone

Vamos pro confronto!

.

1º Round (Filhos bundões): Meadow e AJ Soprano x Anthony e Mary Corleone

Pra começar, ninguém melhor, corrijo, ninguém pior do que Anthony Corleone.

Um tema recorrente nos filmes de máfia é que os chefões só querem o melhor para sua família. Daí, seus filhos geralmente seguem dois caminhos. Ou entram pro ramo da família, o crime, ou buscam uma carreira sólida e feliz como médicos, advogados, políticos, empresários, etc.

O que o filho de Michael Corleone e neto de Vito Corleone faz? Vira um cantor de ópera. Tipo, imagina o desgosto do Michael. Lutou a segunda guerra, entrou no crime para vingar o pai e proteger a família, pôs sua felicidade em segundo plano. Aí o ingrato vai lá e vira um filhinho de mamãe tenor?

É o mais insignificante e inútil dos filhos mafiosos.

Agora pulamos de um Anthony para outro. AJ Soprano. Um bom personagem. Começa como o moleque boboca, depois vira um adolescente normal (que ganhou meu respeito depois que pegou a loirinha gostosa da turma) pra crescer um jovem perturbado. O lance todo de depressão na última temporada ficou meio chatinho, mas foi essencial para fechar o arco psicológico da família.

Melhor momento: tentativa de suicídio na última temporada. A cena do Tony se jogando na piscina de terno e tudo e os dois chorando na beira dela depois é simplesmente foda.

Já a sua irmã nunca deu tantos problemas. Meadow Soprano sempre foi a garota típica da sua idade. Adolescente que brigava com a mãe, que de vez em quando questionava o pai, fazia seus desafiozinhos à autoridade deles. Mas nunca saiu muito da linha e acabou confirmando seu futuro promissor. Um pouco sem sal, mas convenhamos, não é fácil viver sob o mesmo teto de Anthony e Carmela Soprano sem ser ofuscada pelo carisma dos dois.

Melhor momento: chilique e discussão com o pai durante o velório do Jackie Junior.

E por último, a personagem mais relevante e polêmica dos 4 filhos: Mary Corleone.

Sofia Coppola é uma atriz ruim? Péssima. Winona Ryder teria feito uma Mary melhor? Provavelmente. Mas a Sofia estraga O Poderoso Chefão 3? De forma alguma.

Ela é fraca, mas a personagem é importantíssima pro filme e ela não chega a comprometer o resultado final.

Depois do filho inútil, Mary é a principal ligação do Michael com quem ele já foi no passado. E por isso, a tragédia acaba sendo devastadora. Não importa que a gente ache ela péssima atriz, quando ela começa a pegar o próprio primo, a gente fica preocupado. Quando ela é morta, a gente sente a dor do Michael. Ali foi embora o último traço de humanidade dele.

Melhor momento: sua morte. Principalmente pelo que ela causa em volta. O desespero do Michael é uma das cenas mais espetaculares da trilogia e a encerra de forma maravilhosa.

E por isso, pelo que representou para a obra e para o protagonista, Mary Corleone consegue superar o fiasco do irmão e garantir a vitória para O Poderoso Chefão nesse 1º round. Meadow e AJ são ótimos personagens, mas saíram ilesos por toda a série.

Sopranos 0 x 1 Corleones

2º Round (”Como se fossem filhos”): Christopher Moltisanti x Vincent Mancini

Chris é primo de sei lá quantos graus de Tony Soprano, mas mesmo assim é tratado como um filho, até certo ponto. Em parte porque seu pai era uma espécie de mentor e ídolo do Tony.

O problema é que Chris só faz cagada atrás de cagada. É um viciado em concaína e heroína, e um bêbado inveterado. Essa instabilidade funciona porque transforma o personagem num dos mais bem construídos da série, e cria uma ótima relação de amor e desprezo entre os dois.

As drogas, a vontade de Chris trabalhar com cinema, a trairagem da Adriana… são muitos os fatores que envolvem a saga trágica dele, que termina quando achávamos que os dois já estavam com todos os problemas superados. Mas a bagagem era pesada demais e Tony, por mais que seja simpático, é um mafioso filho da puta que faz o que é mais prático pra ele. E o mais prático era se livrar daquele viciadinho que vivia com rancor dele. O lance do assento para o bebê era só pretexto. Chris é um personagem foda tanto pelo que ele foi quanto pelo que ele poderia ter sido se tivesse feito escolhas diferentes. Não que ele seja o único responsável pela sua tragédia. As recaídas dele eram apenas frutos do meio em que ele vivia.

Melhor momento: a intervenção que ele sofre para que procure tratamento para as drogas. É uma das sequências mais engraçadas (de humor negro, é claro) de toda a série.

Vincent Mancini é um personagem menos complexo. Até porque seria difícil comparar 6 temporadas de um com 3 horas de outro. O fato é que ele simplesmente não convence muito. Não que não seja um bom personagem. O sobrinho de Michael Corleone (filho bastardo do Sonny) tem o lado estourado do pai e uma fidelidade irrestrita ao tio. Contra ele tem o mau gosto de pegar a feiosa da Mary, sua própria prima. Ele segue uma trajetória bem mais amena que a do Chris, e acaba se tornando o sucessor do Michael. É claro, ele perde a Mary, assassinada, mas o Chris também perde a Ade, e se ferra muito mais.

Melhor momento: quando dá uma de Mike Tyson e morde a cara do Joey Zasa, num rompante à la Santino.

Nessa fica fácil decidir o vencedor. Por mais de um nariz de distância (até porque, se fôssemos comparar narizes, Michael Imperioli e Andy Garcia protagonizariam outra disputa épica – embora com o mesmo vencedor), vence o Chris. Talvez a maior vítima de tudo que a Máfia representa em todas as temporadas de Família Soprano. Abdicou dos sonhos, da mulher amada, de uma vida saudável… pôs tudo a perder pela famiglia. Inclusive a vida.

Sopranos 1 x 1 Corleones

3º Round (Capanga bonachão): Bobby Baccala x Peter Clemenza

Bobby Baccala vai ganhando vulto em Família Soprano bem aos poucos. No começo, não passa do ajudando pamonha do Júnior. Mas aos poucos vamos conhecendo aquele gorducho e vendo seu caráter, sua boa índolee sua quase ingenuidade, que tornam impossível não simpatizar com ele. A tristeza com a morte da esposa, a recuperação com a Janice. Enfim, ele é um cara legal, e quase não nos lembramos que ele é um mafioso frio e sanguinário.

Até porque ele demora pra ser isso. Só na última temporada comete seu primeiro assassinato. E poucos episódios depois, quando é sua vez de ser a vítima, ficamos chocados e tristes. Afinal, é o tio Bobby. O cara legal viciado em ferroramas que coloca a família acima de tudo.

Melhor momento: Conversa com Tony na canoa sobre o momento de um assassinato.

Com Clemenza, nós temos um contato menor, restrito ao primeiro filme (ok, tem ele novo no segundo filme, inclusive ajudando a introduzir o Vito no mundo do crime, mas é outro foco). Peter Clemenza era um dos dois capos do Don Corleone e o único que não era um traíra feladaputa, ao contrário do Tessio. Todo bonachão, o vemos pela primeira vez no casamento da Connie, se entupindo de comida e vinho, aparentemente à beira de um enfarto (que não acontece). Ele é o grande parceiro e aliado do Don.

Melhor momento: Leave the gun, take the cannoli. Se você não sabe do que estou falando, por que raios está lendo esse confronto?

Clemenza é bem legal, mas não dá pra comparar com o gordinho fofucho boa praça da Máfia, o bom tiozão do churrasco, nosso velho Bobby Baccalieri!

Sopranos 2 x 1 Corleones

4º Round ( Esposas): Carmela Soprano x Kay Adams

Kay Adams é a típica americana branca de subúrbio. De boa família, estudou bastante, cresceu e conheceu um rapaz direito, herói de guerra, por quem se apaixonou. Mas o destino prega peças e esse sujeito simplesmente carregava o sobrenome Corleone e era filho de um dos mais poderosos chefes mafiosos de Nova York. E que, eventualmente, acaba assumindo o papel de chefe da família.

Entre idas e vindas eles se casam e ela acaba se tornando a frustrada esposa de um gângster, convivendo com os segredos, mentiras e traições dele. No fim acaba indo embora de casa e se tornando uma sombra na vida do Michael, uma espécie de consciência dele na velhice, mantendo contato por causa dos filhos, mas sempre o acusando e relembrando seus pecados. Enfim, uma chata (nada contra Diane Keaton, que é foda… mas Kay é um pé no saco mesmo).

Melhor momento: Fim do primeiro filme, ela num cômodo, Michael em outro, a porta se fechando e ela vendo os capangas dele beijando sua mão e o chamando de Don.

Ao contrário da Kay, a Carmela não é chata. Na verdade ela até consegue ser um pé no saco do Tony e dos filhos, mas Edie Falco consegue de forma tão absurdamente foda criar uma personagem extremamente real, que não é possível assistir a ela sem mandar eventuais “pqp”. Ela é boa demais, e acaba sendo uma das muitas forças da série.

Ela consegue transmitir com absoluta sinceridade a ítalo-americana católica, mas com sua dose de hipocrisia, frustrações e futilidades. Ela se preocupa com a família e se irrita com Tony, mas está apegada demais à sua casa, ao seu dinheiro e a todas essas coisas, de forma que às vezes abandona até mesmo seus sonhos por essas mesquinharias. Enfim, Carmela Soprano é humana. Uma pessoa cheia de qualidades e defeitos em um ambiente deturpado pelo modo de vida da família.

E nunca houve tanta humanidade no mundo da máfia como com esse casal. E por isso ela dá um banho na Kay.

Sopranos 3 x 1 Corleones

5º Round (Irmãs): Janice “Parvati” Soprano x Connie Corleone

Janice é irritante. A vontade que temos é de socá-la. Ela surge na segunda temporada como a irmã meio alternativa de Tony. Meio devassa, bem safada, sempre com segundas intenções para levar uma graninha a mais. Mas que mesmo assim não chega a ser má pessoa. Com uma boa dose de bagagem emocional (como um filho que ela nunca vê), ela se pega com os piores ou mais bizarros tipos (desde os barra-pesada Ritchie Aprille e Ralph Cifaretto até um pastor meio hippie e um adolescente) e se envolve em diversas confusões perigosas (a pior de todas é quando rouba a prótese da empregada russa perneta e depois apanha da máfia russa). Sua relação com Tony é de amor e ódio. Os dois obviamente se adoram, mas passam a maior parte do tempo se provocando além dos limites de uma família normal.

Ela só sossega quando se junta com nosso bom amigo Bobby Bacala. Depois do assassinato dele, se conforma com cuidar da filha (e dos filhos de Bobby) e ficar quieta. É uma boa personagem.

Melhor momento: Já casada com Bobby, recebe Tony num almoço em sua casa onde ele, vendo sua felicidade e seu sossêgo, começa a perturbá-la no limite extremo até falar no filho dela, o que faz ela explodir pra cima dele. Tony, na maior cara de pau, sai de lá rindo da tristeza e desespero da irmã.

Connie em cada um dos filmes de O Poderoso Chefão era praticamente uma personagem diferente. Interpretada pela Talia Shire, irmã do diretor Francis Ford Coppola e eterna Adrian do Rocky, ela começa como a jovem filha do Don Corleone que se casa com Carlo Rizzi. E no primeiro filme é isso, ela basicamente está lá pra ser a filha boba que apanha como condenada do marido e acaba servindo de isca para a traição de Carlo que levou à morte do Sonny.

No segundo filme, viúva, ela vira uma perua meio galinha, sempre enchendo a cara e gastando dinheiro com roupas bregas e pegando geral.

Mas é no terceiro filme que ela tem sua grande virada. Afinal, já velha, é a parente mais próxima e meio que uma conselheira de Michael. É ela quem apresenta Vincent a ele. E é ela que tá com sangue nos olhos nesse filme. Enquanto Michael quer abandonar a máfia, ela praticamente está louca pra enfiar o pé na Cosa Nostra.

Ela tá tão badass motherfucker nesse filme que encomenda uma morte e se encarrega de providenciar outra, a do seu próprio padrinho, com doces envenenados. E a filha da mãe ainda assiste pelo binóculo enquanto ele come!

Melhor momento: Michael hospitalizado, ela vai até Vincent e como se fosse uma chefona mafiosa ordena o assassinato de Joey Zasa.

Janice é uma baita personagem, mas Connie Corleone rouba todas as cenas em que aparece no Poderoso Chefão 3.

Sopranos 3 x 2 Corleones

6º Round (Consiglieres): Silvio Dante x Tom Hagen

É meio engraçado ver o Steve Van Zandt em seu único papel como ator. Mas o roqueiro mandou benzaço como Silvio Dante, capo e consigliere de Tony Soprano. O aliado mais leal de Tony é ainda o gerente do Bada Bing, a casa de strip e puteiro da famiglia.

Com seu jeitão peculiar e imitações de O Poderoso Chefão, ele está sempre ali para dar conselhos e mediar as questões e disputas da família. E ao contrário de muita gente, nunca quis roubar o lugar de Tony. Tanto que quando este ficou hospitalizado, detestou ficar interinamente na chefia.

Terminou a série em coma irreversível.

Melhor momento: Assassinato da Adriana. Talvez o momento mais brutal e inesperado dele em toda a série.

Tom Hagen, interpretado pelo Robert Duvall, é sem dúvida um dos grandes personagens dos dois primeiros filmes. Especialmente no primeiro, com sua relação com a família adotiva, sua serenidade na hora dos conselhos e nos momentos de crise. É ele que vai a Hollywood negociar com Woltz sobre Johnnie Fontaine e depois ordena a decaptação do cavalo. E tambem é ele que tenta manter a calma e organiza as ações após o atentado contra o Don.

Enfim, ele é o cérebro da família (enquanto Sonny seria o coração e Michael um meio-termo entre os dois).

Melhor momento: Quando convence Pentagelli a se matar em O Poderoso Chefão 2 usando a história de políticos da Roma Antiga como argumento.

Enfim, o Tom é importantíssimo e foda, mas ele não tem o carisma e bom-humor do Silvio, mesmo que ambos compartilhem da mesma cumplicidade e lealdade ao chefe. Sil leva essa.

Sopranos 4 x 2 Corleones

7º Round (Parentes que fazem cagadas): Corrado “Júnior” Soprano e Tony Blundetto x Fredo Corleone e Carlo Rizzi

Júnior Soprano é tio de Tony e a série começa com os dois mais ou menos na mesma situação, como capos da família. Só que os dois tem suas desavenças, e quando Jackie Aprille morre, Tony permite que seu tio se torne o novo chefe, sendo o cara que comanda por trás dos panos. Júnior, é claro, não gosta disso e trama contra o próprio sobrinho. Mas num fim de temporada digno de O Poderoso Chefão, seus aliados acabam mortos pela turma do Tony e ele só escapa porque antes disso é preso.

Em prisão domiciliar e sem a mesma força e saúde, ele acaba se conformando e se torna uma espécie de segundo consigliere de Tony. E quando tem a chance de traí-lo aliando-se a Ritchie, prefere jogar do lado do sobrinho. No fim da série, já com Alzheimer avançada, volta a fazer merda e atira em Tony, quase levando o nosso protagonista à morte.

Melhor momento: No último episódio, já bem doente, quando conversa com Tony e surpreso percebe que já havia sido um mafioso badass. É comovente.

Tony Blundetto é o primo e grande amigo de Tony, que volta da cadeia e tenta por um tempo seguir a vida limpa. Mas se cansa e volta pra máfia, sendo o estopim da crise entre os Sopranos e a máfia nova iorquina, ao matar o irmão mais novo de Phil Leotardo (que já andava fazendo suas merdas e espalhando o terror por NY) . Acaba levando seu próprio primo a matá-lo, evitando assim que Phil consiga sua sonhada vingança.

Melhor momento: Quando surta e surra os coreanos com quem estava fazendo negócios, decidindo voltar ao crime.

Fredo é um dos filhos de Don Vito, e é um merda. Ao contrário de Sonny e Michael, é um atrapalhado. Era ele quem estava protegendo o pai quando houve o atentado. E falhou. Depois, foi trabalhar pra família em Las Vegas, ao lado de Moe Greene, e virou um cãozinho desse dono de cassinos. E por fim a merda maior, ao sem querer querendo trair seu irmão Michael no segundo filme.

Fredo era uma vergonha pra família Corleone e acabou assassinado a mando do próprio irmão.

Melhor momento: A cláááááássica cena do beijo da morte, quando na virada do ano, é beijado pelo seu irmão Michael. I know it was you, Fredo. You broke my heart. YOU BROKE MY HEART!

Carlo Rizzi era cunhado de Michael, genro de Don Vito, casado com Connie. Mas seu verdadeiro calo na família era o esquentadinho Sonny. Principalmente porque o primogênito dos Corleone enfiou nele uma bela duma surra, após saber que o safado havia espancado sua irmã grávida. No fim, auxiliou na emboscada que levou à morte de Sonny.

Acabou assassinado após o batizado do próprio filho, a mando do Michael.

Melhor momento: A surra que leva na rua.

É claro que os parentes de Tony Soprano fizeram muita merda. E um deles quase o matou. Mas Tony B não fez essas coisas por mal, e o tiro do Júnior foi motivado pela doença mental. Mas Carlo não tinha desculpa.  Era um filho da mãe safado mesmo. Fredo, muito menos. Era um bosta.

E a morte do Santino é bem mais grave que a quase-morte do Tony.

Por isso, no quesito de parentes que fazem merda, os Corleones levaram a pior na vida. E a melhor no round.

Sopranos 4 x 3 Corleones

8º Round (Estouradinhos): Paulie “Walnuts” Gualtieri x Santino “Sonny” Corleone

Paulie Gualtieri é um dos capos de Tony Soprano. E de todos os capangas que o acompanham durante a série, o único que termina ileso o último episódio. O que é curioso, já que por muitas vezes seu temperamento explosivo e frustrações quase o levaram a fazer merdas irreversíveis ou ser desleal com Tony. Mas sempre alguma coisa o ajudava a voltar pro lado do chefão da Máfia de Nova Jersey. Matou muito mais gente do que precisava e teve muito mais brigas do que devia. Mas o psicopata da gangue dos Sopranos conseguiu escapar da fúria de Nova York.

Melhor momento: Sua caçada ao lado de Chris de um mafioso russo que parece imortal em plena floresta coberta de neve.

Sonny Corleone, o primogênito dos Corleones, tinha duas famas: a de ser esquentadinho e de te ter um membro sexual do tamanho do de um jumento. Isso mostrado por sua própria esposa ainda no começo do filme, e sentido por uma convidada no meio da festa de casamento da Connie. Aliás, não é à toa que ele acabou fazendo uma coleção de bastardinhos, entre eles o Vincent. Mas é o lado do temperamento explosivo que ficou mais famoso.

Isso o levava a demonstrar o que sentia pra gente de fora da família, a cometer ator impensados. Num desses, espancou o cunhado. Em outro, teve que ser segurado pelos familiares, especialmente Tom, pra não começar uma guerra contra os Tattaglia. E por fim, vítima desse seu jeito, foi emboscado quando ia se vingar de outra surra sofrida pela irmã, e acabou metralhado. Um triste fim para o leal, mas irracional, filho mais velho de Don Vito.

Melhor momento: Quando o pai está no hospital e ele tenta liderar a família. Olha pra cadeira do pai, faz que vai se sentar, mas acaba indo pra outra cadeira. Essa cena é de uma sutileza e genialidade ímpares!

Paulie é divertido e carismático. Mas não pode competir com o mafioso que com poucas cenas e muita raiva entrou pra história do cinema. Santino, ou como todos conhecem, Sonny, leva essa.

Sopranos 4 x 4 Corleones

9º Round (Vilões Felasdaputa): Phil Leotardo x Virgil Sollozzo

Num ambiente de mafiosos, não existem mocinhos e vilões. São todos uns filhos da puta. Mas tem alguns que se superam… é o caso desses dois.

Phil Leotardo é um desgraçado vingativo que, depois de sair da cadeia, saiu botando o terror e abrindo uma guerra em Nova York. Principalmente após a morte de Johnny Sack, quando se tornou o chefe (Little Carmine, o chefe por direito, se afastou da disputa pra não correr risco de vida).

E depois que Tony Blundetto matou seu irmão, sua questão contra Tony Soprano e a máfia de Jersey (vista por NY não como uma famiglia, mas como uma “quadrilha glorificada”) se torna pessoal e incessante. A guerra se estabelece e Phil só perde sua força e seu terror quando o conflito começa a afetar os negócio$. Assim, seus aliados fazem uma trégua com Tony e, ao mesmo tempo, informantes na polícia encontram Phil, o que leva os homens de Tony a assassinarem o maledeto. A cena de sua morte é uma das melhores de toda a série, com o carro desengrenado passando por cima da cabeça do defunto e a câmera focada em seus netinhos bebês rindo no banco de trás do carro.

Melhor momento: O assassinato de Lorraine Caluzzo, ainda nua, com seu amante. Sério, a gente fica com medo dele e do que ele pode fazer naquele contexto de máfia.

Sollozzo eu diria que é um sem noção. Ele chega propondo uma parceria com os Corleones, mas Don Vito não tem interesse em se envolver com drogas e gentilmente recusa. E ainda deixa claro que os negócios das duas famiglias não são conflitantes. Mas Sollozzo ainda quer atuar na área dos Corleones e resolve escrotizar a parada toda, dando uns tecos no chefão, seqüestrando Tom Hagen e propondo discussão com Michael e Sonny.

E aí foi seu erro, já que num planejamento minucioso, Michael, que até ali era o filho que não se envolvia com os negócios da família, havia resolvido ser o executor da vingança ao atentado do seu pai. Resolveu jogar a merda no ventilador. E assim, matou Sollozzo e um policial corrupto em pleno restaurante onde se reuniam, na frente de todo mundo. Cena clássica e que marcou a transformação daquele que se tornaria em pouco tempo o novo pdoeroso chefão.

Melhor momento: A morte de Luca Brazzi, quando enfia o lápis na mão do gorducho enquanto um dos Tataglia o estrangula.

Sollozzo errou a estratégia e acabou rodando cedo. Phil, ao contrário, durou mais tempo e chegou a criar o terror e um banho de sangue. Só perdeu força quando prejudicou os rendimentos do pessoal. E assim o sósia do Xá do Irã foi um vilão feladaputa bem melhor que o italiano escroto que tentou destruir os Corleones. Vence o Phil.

Sopranos 5 x 4 Corleones

10º Round (Os Chefões): Tony Soprano x Vito e Michael Corleone

Esse é um round que ninguém merecia perder. 3 dos melhores personagens da história, seja qual for a mídia. 3 das mais brilhantes e inesquecíveis atuações de todos os tempos.

Quem conhecia James Gandolfini antes de Tony Soprano? E quem poderia interpretar esse sujeito tão bem quanto ele? Ninguém. Assim como a Carmela, Tony traz a humanidade para a máfia. Ele é cruel, mas bonachão. Gentil, mas mal educado. Inteligente, apesar de inculto. Tony tem em si todas as contradições do ser humano.

Ao mesmo tempo em que se prende a algumas tradições do mundo da máfia, não tem aquela postura de Nova York (chega a ser até criticado por Carmine numa festa “um chefe não usa shorts na frente dos outros”). A gente simpatiza com o Tony, mas ao mesmo tempo tememos ele.

Ele é o mais real e carismático chefão da Máfia, e isso porque descontrói a imagem clássica do chefão.

Melhor momento: Difícil escolher. Dá pra gente dizer na boa que todo momento de Tony Soprano foi digno que um melhor momento.

Mas voltando ao lance da descontrução da imagem, isso só tem esse impacto porque essa imagem foi magistralmente lapidada pelos outros dois concorrentes desse round. Pai e filho.

Vito Andolini, o garotinho italiano cujo irmão mais velho desafiou o chefe da Máfia da vila de Corleone e fugiu pra NY para não ser assassinado. Nos EUA, sua cidade virou seu sobrenome. E já adulto, conheceu o mundo do crime e destronou o chefão que atormentava os italianos de Nova York. Assim se tornou um benfeitor, um protetor. Um homem que ganhava dinheiro cobrando por proteção, por favores e ainda através de jogatina ilegal. Tudo sob a fachada de uma empresa de azeite. Com direito até a um pulinho na Itália pra se vingar do destruir da sua família.

Envelheceu, constituiu família e sempre soube comandar com serenidade e pulso firme sua família. Até que veio Sollozzo e a guerra.

No fim, cansado, passou o comando ao Michael e tentou viver com paz sua velhice, até morrer brincando com seu neto Anthony. Isso tudo sob a batuta do maior ator de todos os tempos, Marlon Brando (e contribuição de outro monstro, Robert de Niro, na sua versão jovem).

Melhor momento: São dois. O primeiro, quando descobre da morte do Sonny (Don: My wife is crying upstairs. I hear cars coming to the house. Consigliore of mine, I think it’s time you told your Don what everyone seems to know. – Tom: I didn’t tell Mama anything. I was just about to come up and wake you so that I could tell you. – Don: But you needed a drink first.) e em seguida quando vai cobrar do Buonasera (com quem divide a sensacional cena inicial do filme) o favor e olha desolado para o corpo do filho (Look how they massacred my boy).

Michael é o grande protagonista da série. A saga de O Poderoso Chefão é o arco da vida de Michael. Sua origem, sua trajetória na guerra, sua queda pro crime, sua ascenção, auge e crises como chefão, até sua velhice, quando tenta abandonar o crime e não consegue. E essa construção soa bem natural. A motivação que o leva a cair no crime é o amor pela família (o atentado contra seu pai). Sua fúria assassina surge de forma quase infantil (após levar um soco do McCluskey). Com a morte de Apollonia, sua esposa italiana, começa a ganhar a frieza pra lidar com a crueldade do seu ambiente. Aí bastaram os conselhos de seu pai e de Tom Hagen e tcharam, virou o mais frio, calculista e perigoso chefão, a ponto de mandar matar todos os chefes das outras famílias de Nova York e até seu próprio irmão.

E na velhice ainda vemos seu ocaso, no momento em que ele está cansado daquilo tudo e do distanciamento que sua vida causou com as pessoas que ele ama, e passa a refletir sobre todos seus atos e pecados. É nesse ponto que ele se humaniza. Não no sentido Soprano, do dia-a-dia, mas num sentido de observador, constatando as consequências da vida que levou.

Michael é a razão de O Poderoso Chefão existir.

Melhor momento: Sem sombra de dúvidas o final do primeiro filme, quando Kay o questiona sobre o assassinato de Carlo e ele com uma frieza e uma cara de pau absurdas diz que aquela é a única, a única vez que ele ia responder a ela sobre seus negócios. E mente.  Essa cena é perfeita.

Então, round complicado porque são 3 personagens perfeitos. Mas como são dois contra um, aqui as coisas facilitam pro lado dos Corleones.

Sopranos 5 x 5 Corleones

ROUND DESEMPATE: Quem faltou

Como terminou tudo igual, vamos a um round de desempate, com os personagens que não foram mencionados nos rounds anteriores. E em ambos os casos são muitos.

Pelo lado de O Poderoso Chefão, temos o grandalhão Luca Brazzi e sua memorável cena ensaiando o que dizer para o Don no casamento da Connie. Tem também o Tessio, capo e amigo há décadas de Vito, mas que é o traidor.  Don Altobello, padrinho de Connie e grande traidor do terceiro filme. Al Neri, o braço-direito de Michael. Enfim, e muitos outros.

Mas nesse ponto, nada se compara a Família Soprano. O hall de personagens memoráveis que passaram nas 6 temporadas da série parece interminável. Para começar, Jennifer Melfi, que é quase uma protagonista ao lado de Tony e Carmela. A psiquiatra de Tony representa a gente, e, em parte, a consciência dele. É o mundo exterior confrontando aquele ambiente mafioso do qual Tony nunca se afasta. E a relação deles, com a constante tensão sexual, é espetacular.

Vale lembrar um dos melhores episódios da série, quando ela é brutalmente estuprada e fica num dilema se conta ao Tony ou não. E no fim, prefere não cair na tentação de uma vingança, se contentando com a idéia de que, se quisesse, poderia esmagar aquele desgraçado que a atacou.

Ainda temos os vilões Ralph Cifaretto (interpretado pelo sensacional e multifacetado John Pantoliano), Ritchie Aprille, Jackie Jr. Todos com fins trágicos.

E o que dizer de Johnny Sack, o chefe nova-iorquino que de amigo e vizinho de Tony, vai se tornando aos poucos seu rival e inimigo? Os dois travam diálogos e discussões sensacionais ao longo de toda a série, culminando na orgasmática cena perto da ponte do Brooklin onde Tony decide não entregar seu primo e dá um foda-se pra tudo, dando início à guerra. Ele até acaba fazendo as pazes com Johnny antes que ela comece pra valer, mas no mesmo dia seu rival é preso e Phil Leotardo assume o comando. Aí ferrou tudo…

Isso sem falar no Vito, o mafioso gay que, depois de flagrado, foge para se juntar com um bombeiro e acaba assassinado por Phil. E tem ainda a Adriana e sua trágica história. Eternas crises dela com o Chris, a investigação do FBI, a traição e por fim, seu assassinato. A morte dela nos surpreende e choca, mesmo sendo um dos fins mais óbvios e normais praquela situação.

Enfim, não faltam motivos para Família Soprano ser disparada a melhor série de TV da história, a mais impecável de todos os tempos. E boa parte desses incontáveis motivos são esses coadjuvantes.

E por isso, nesse desempate, não tem como não levar isso em conta.

O Poderoso Chefão é meu filme favorito. Mas os Sopranos mudaram a história da TV.

Sopranos 6 x 5 Corleones

Vitória dos Sopranos!

.

Se bem que dá vontade de dizer que é vitória de todos que assistiram aos filmes e a série.

Enfim, não gostaram do resultado? Quais rounds mudariam? Dê sua opinião.

Nessa disputa mafiosa, pra quem você daria a vitória?

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Semana que vem a gente volta com mais um confronto, até lá!

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Comentários (9)

poxa, realmente a disputa é braba
Mas acho que ficaria com o poderoso chefao por ser mais nostalgico

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Eu esperei esse final.

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[...] Sopranos x Corleones [...]

[...] x Maísa Anos 70 x Anos 80 Cães x Gatos Sopranos x Corleones Obama x [...]

Achei seu site hoje, pelo blogblogs, e gostei muito! Salvei seu site nos favoritos! Parab

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essa materia naum é boa odiei faça uma melhor obrigada

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Parabéns, gostei muito de suas ponderações.
Ainda não tive o prazer de assistira a nenhum epísódio dos Sopranos. Mas você despertou a curiosidade.
Um abraço, Régis

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Nunca, jamais, nem fodendo o Tom Hagen perde. E se for pensar que o The Sopranos é o dia-a-dia do Poderoso Chefão, o The Sopranos perde de lavada!

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NUNCA, JAMAIS NEM FODENDO O Tom hagem perde e nem o Clemenza e nem os coadjuvantes. “take the canoli” dá um pau em qualquer aparição do rival. A naturalidade com que ele mata contra quase medo que sente pela ordem da patroa é a melhor tirada de humor negro da mafia. E o Tom hagem é o melhor consiglieri de TODOS os tempos, sua história e ingresso na família tornam ele ainda mais carismático. O Luca Brazi sosinho dava pau no elenco de coadjuvantes inteiro do adversário, fora os chefes das famílias rivais, o chefe da polícia, o mão negra… Mudando esses pontos seria um merecido 8 a 3 Corleones. Também gosto muito de sopranos e acho uma puta série, mas isso é uma blasfemia contra o Godfather supremo interpretado por Marlon Brando, em um elenco com Robert de Niro e Al Pacino. Arrependa-se e beije o anel.

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