Fantasmas do passado: Guilherme Arantes
Um tecladinho suave e uma ênfase ultima vogal de todas as palavras, criando um mundo próprio onde só existem oxítonas. Esse é Guilherme Arantes interpretando seus maiores sucessos, que por alguma razão bizarra impregnaram o Brasil por um bom tempo, e que de tempos em tempos voltam para nos assombrar.
Minha lembrança mais forte dele é dos tempos da novela “Que Rei Sou Eu?”, onde ele estava na trilha com Raça de Heróis. Que era uma bosta, mas eu, como criança, achava o máximo por falar em reinos, lutas, etc. Mas ok, ele até mandou bem algumas vezes. A gente não pode chamar Amanhã de ruim, de forma alguma. Mas como estamos aqui pra falar do lado bizarro que nos atormenta, vamos começar com Cheia de Charme. A letra não chega a ter nada de especialmente bizarro. Mas ele precisa mesmo transformar todo verso termina em “o” num “úúúúúú”?
Quando a vi
Logo ali, tão pertúúúúúúúúúú
Mas nesse quesito da vogal alongada, nada se compara a Um Dia, Um Adeus.
Um dia um adeuuuuuuuuuuuuuus
E eu indo emboraaaaaaaaaaa
Quanta loucuraaaaaaa
Por tão pouca aventuraaaaaaaaa…
Agora entendúúúúúúúúúúúú
Que andei perdiduúúúúúúú
O que é que eu façúúúúúúúúú
Prá você me perdoaaaaar…
E ainda tem alguma coisa no sotaque dele que me irrita, não sei ainda o que.
Agora, antes de irmos pra última lembrança, achei uma música dele que não conhecia enquanto pesquisava essas letras, etc. É uma tal de Xixi nas Estrelas. Preferi sequer ler a letra pra não acabar obrigado a fazer um outro post só pra ela.
Mas enfim, vamos ao que nos falta, e acho que todo mundo sabe qual é: Planeta Água.
Tudo bem, em tempos de preservação ambiental, economia de água, etc, é importante uma música que tente conscientizar sobre sua importância. Mas não era o caso no começo dos anos 80, quando ela foi composta. E o problema maior é: qual o sentido de simplesmente passar uma música longe inteira enchendo linguiça sobre a água? É como dizem meus amigos alcóolatras: água demais mata a planta.
Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão…
Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população…
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos…
Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d’água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão…
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação…
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra…
Terra! Planeta Água
Prestem atenção e me digam, de verdade, o que essa letra quer dizer. O que ela quer passar? Porra nenhuma. É como se ele estivesse anotando referências de coisas ligadas com água pra, em algum dado momento, fazer a virada e dizer o que quer. Como não conseguiu, ficou procurando alguma coisa e viu um verso terminado em “terra”. “É isso!”, ele deve ter pensado, e simplesmente jogou um refrão com “Terra! Planeta Água” ali.
Guilherme Arantes foi um dos artistas mais aleatórios a fazer sucesso no Brasil e volta e meia ele aparece de novo de alguma forma. Como aqui e agora no Vida Ordinária.
Fiquem agora com um dos sucessos que eu não falei aqui, em vídeo, com direito ao cabelinho dele na juventude, uma bizarrice à parte: Meu Mundo e Nada Mais.
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Hoje não vai rolar enquete pra Fantasmas do Passado. Como a votação que trouxe a essa foi bem apertada (e como estou querendo um bocado falar desse outro fantasma), a nossa próxima assombração será ele… Oswaldo Montenegro!








