7/12
2008
Balanço do Brasileirão
Por Alexandre Esposito em Esporte
Chega ao fim mais uma edição da maior competição futebolística nacional. Depois de 8 meses, e 380 partidas, o campeão foi mais uma vez o Bambi FC São Paulo. E agora chegou a hora de eu dar minha opiniões sobreele, os outros times, e a minha seleção do campeonato.
O Campeão:
Pode até ter sido o campeonato mais equilibrado dos pontos corridos. Mas tecnicamente deixou muito a desejar, e podemos perceber isso pelo próprio G5. Sem dúvida as 5 melhores equipes da competição, mas que me fizeram acreditar que esse era o Brasileirão que ninguém queria vencer, tal foi a irregularidade e as bobeadas absurdas que todos deram.
E por isso que o São Paulo foi campeão. Mais uma vez teve um futebol feio e sem graça. E começou parecendo que não ia engrenar. Mas mesmo sem brilho algum, é um time consistente, que mereceu o título não pelo que fez, mas pelo que os outros postulantes ao campeonato não fizeram.
É claro que não dá também pra esquecer da constatação feita pelo GloboEsporte.com, que apontou o São Paulo como a equipe mais beneficiada pelos erros de arbitragem (leiam bem, eu disse erros, não má-fé. Mas honestamente aposto que teve dedo do São Paulo na tal confusão que resultou na mudança de árbitro do jogo final. Lembrando que o gol desse jogo decisivo foi em impedimento. Que investigue-se, apenas para descobrirmos se o São Paulo é a Juventus do Brasil ou se a nossa arbitragem é apenas muito ruim).
Quem vai pra Libertadores:
Eu torci pelo Grêmio nessa reta final. Depois do meu Fluminense, é o time com quem mais simpatizo. E como o time que mais detesto é o São Paulo, nem tive dúvidas. E se o time deixa a desejar tecnicamente, mostrou por boa parte da competição uma força que parecia não ter e chegou a dar pinta de campeão. Até que as deficiências técnicas fizeram diferença e o time acumulou um ou dois meses irregulares que acabaram atrapalhando nessa reta final.
O Cruzeiro começou o ano jogando muito bem, mas caiu demais, e nesse Brasileiro não brilhou. Mas sempre esteve lá, no G4. Passou a grande maioria das rodadas ali no alto, mas sempre faltou o algo mais, uma gana de campeão. Sempre esteve perto, mas nunca pareceu realmente estar atrás do título. O que é uma pena, já que, apesar de não ter jogado tudo isso, tinha o time tecnicamente mais interessante, com o Wagner, o Guilherme e, principalmente, o excepcional Ramires.
Já o Palmeiras foi a grande decepção desse Brasileiro, tanto pelo técnico (o excelente e vitoriosíssimo Vanderlei Luxemburgo, que às vezes é menosprezado como profissional pelo fato de ser um escroto como pessoa), como pelo elenco. Mas o time colecionou resultados ridículos, principalmente fora de casa, e no fim quase entrega a vaga na Libertadores numa derrota em casa para um desinteressado Botafogo. É hora de descer do salto e parar de achar que investimento é tudo.
Quem vai pra Sul-Americana:
Se o Palmeiras decepcionou, o Flamengo consegue um título pior: foi o time que mais colecionou vexames no ano, principalmente nesse Brasileirão. Mesmo no Carioca, onde foi campeão (sendo muito beneficiado por arbitragens) levou dois vareios (4×1 pro Fluminense e 3×0 pro Botafogo). Na Libertadores, o maior papelão: o 3 x 0 para o América do México, em um jogo marcado pela mega-festa para Joel Santana, que rendeu uma eliminação depois de vencer fora de casa por 4 x 2. Absolutamente ridículo e desnecessário. Culpa da soberba e arrogância típicas do clube Flamengo e de sua torcida. Acham que só porque são o clube de maior torcida, são alguma coisa fora de série. E acabam sendo fora do sério.Quando ganham se acham o Real Madrid. Quando perdem, só falta começar uma Revolução Francesa… é bomba prum lado, agressão pro outro. Patético.
Isso se refletiu no Brasileirão. Depois de um começo arrasador, o salto apareceu de novo e o time teve uma sequência ridícula em que despencou na tabela. Aí já parecia que era o fim do mundo. E voltou a ganhar. E de novo já falavam em Tóquio.
E daí veio o revezamento entre a esperança e os vexames. Derrotas em casa para Cruzeiro, Vitória. E principalmente a surra para o Atlético Mineiro e os empates com Portuguesa e Goiás. Detalhe: todos esses jogos, do Brasileiro e de outras competições, disputados no Maracanâ e com casa cheíssima. Ou seja, aquele papo de que o Maracanã é a casa do Flamengo, que a torcida joga junto e que são imbatíveis é uma bobagem estratosférica. Esse ano o Maior do Mundo foi a casa apenas da vergonha rubro-negra.
Em seguida vem o Inter, um time que poderia muito bem ter terminado em posição bem melhor o campeonato, graças ao seu excelente elenco. Mas que sofreu com a falta de entrosamento que rendeu péssimos resultados. Aí viu que não tinha jeito e se focaram na Sul-Americana. Boa escolha pra eles.
De resto, Botafogo e Coritiba foram meros coadjuvantes nesse campeonato, medianos o tempo todo. A equipe paranaense até mostrou alguns jogadores interessantes, em especial o Keirrison, de quem vou falar mais pra frente. Mas no fim das contas foi apenas isso. O Goiás mostrou sua tradicional irregularidade. Uma hora parece que vai cair, na outra parece que vai pra Libertadores. Só que a diferença é que esse ano ele não dependeu apenas de Paulo Baier e Harlei. Iarley, Romerito e o baita lateral Vítor foram grandes destaques da equipe esmeraldina.
O Vitória foi a grande surpresa da competição. Por um bom tempo figurou entre os primeiros e com um futebol convincente. Caiu de produção pelo elenco, que não tinha peças de reposição à altura, e um pouco pelo peso da camisa dos adversários. Mas o veterano Ramon foi um verdadeiro maestro e pudemos conhecer o meia Marquinhos, que tem tudo para ser craque em pouco tempo. Joga demais!
As vagas restantes ficaram para o Atlético Mineiro, que parecia namorar de novo o rebaixamento, mas que soube ganhar fôlego na reta final e deu uma boa arrancada; o Atlético Paranaense, que não só namorou, como chegou a pedir o rebaixamento em noivado, mas que se deu bem também nos últimos jogos liderados por, quem diria, Rafael Moura; e o meu Fluminense. E sabem, acho que a participação do meu time, que foi quem eu mais assisti, é a mais difícil de analisar.
No começo, com apenas reservas, os resultados já eram de se esperar que fossem ruins. Mas não precisavam ser tanto. Isso já complicaria um pouco a vida pós-Libertadores seja qual fosse o resultado da competição continental. E complicou demais por causa da derrota, principalmente no aspecto psicológico. O trauma da derrota já seria péssimo e quando o time sai daquela posição de quase-glória para uma lanterna, é ainda pior. Isso sem falar nas saídas para o exterior, que aconteceriam de qualquer forma, mas que seriam em menor quantidade no caso de título (afinal, alguns dos jogadores iam querer ficar pra jogar o Mundial… e outros que foram sondados teriam vindo por essa possibilidade também). A partir dali, o time degringolou, em boa parte pela situação na tabela, afinal o elenco ainda é bom e o time tinha condições de terminar bem acima na tabela (embora eu acredite que se tirasse todos esses fatores extra-campo ainda terminaríamos na zona da Sul-Americana). Cuca foi um equívoco, embora eu simpatize com o trabalho dele. E assim o time só foi se acertar com o Renê, e a partir daí teve uma trajetória semi-tranquila para sair da Zona de Rebaixamento e ainda ganhar essa vaguinha na Sul-Americana graças aos tropeços do Santos e ao Inter, que por ter sido campeão do torneio abriu uma vaguinha extra. Ano que vem vamos poder entender um pouco melhor o que esse elenco e o Renê podem render.
Vale lembrar que, na mesma análise que mostrou o São Paulo como o time mais beneficiado pelos juízes, o Flu foi o mais prejudicado. O jogo mais escandaloso foi contra o Vitória, apitado pelo péssimo, pelo terrível, pelo horroroso árbitro da moda: Leandro Vuaden, o gaúcho que acha que deixar o jogo correr é não marcar nada, e que acaba tornando os jogos que apita em verdadeiras pancadarias, com faltas violentíssimas raramente punidas.
Quem ficou na Zona da Marola:
Santos e Náutico. E não tem muito o que dizer deles dois mesmo. Os dois circularam muito tempo por ali pelo rebaixamento, mas um graças ao Kléber Pereira e o outro graças à sua força em casa, conseguiram escapar por pouco.
Os Rebaixados:
O Figueirense é um time medíocre. Ou melhor, quase todos os times do Brasileirão foram medíocres, então o Figueira era uma bela duma bosta, com a exceção do goleiro Wilson e do Cleiton Xavier. E por quase todo o campeonato eu apostei na queda deles. O pior momento do time de Floripa foi a surra em casa de 7 x 1 para o Grêmio. Até ensaiou uma arrancada final, mas recebeu o que mereceu. E de quebra vai ter que aturar o Avaí na Série A ano que vem.
Vasco. Bem, o Vasco. É claro, que como torcedor rival, eu devo passar a próxima semana zoando um bocado meus amigos vascaínos. Nem tanto, porque já estive lá (aliás, estive além de lá, num lugar ainda pior). Mas a verdade é que eu torcia pro Vasco não cair. Pelo menos não esse ano. Foram dois os motivos: 1) Bairrismo (é ruim para o futebol carioca e é um saco ver mais 6 paulistas na Série A – 2 deles sendo times de prefeitura sem torcida completamente desnecessários ao futebol brasileiro – o apenas 3 clubes cariocas) e 2) Dinamite. A culpa desse rebaixamento, mais do que merecido pelos últimos anos, é do Eurico, aquele câncer do futebol brasileiro. Não é justo que justo no ano em que aquele maldito caiu, o Vasco seja rebaixado. Injusto com o Vasco, injusto com o Dinamite. Que a torcida não se engane. Que essa queda não seja a brecha para o Eurico voltar a entrar e envenenar o clube que ele destruiu. Mas vascaínos, levantem a cabeça. É uma merda cair, mas não é o fim do mundo, ao contrário do que o cara da marquise pense. Vocês logo voltam, basta manter o Eurico longe do Vasco.
Portuguesa é um time simpático, e apesar da pouca torcida, tem história e tradição, o que já a torna diferente de Barueri, Santo André, São Caetano e afins. Por isso é uma pena que ela tenha que sair para dar lugar a dois desses times tão inexpressivos. Destaque no elenco da Lusa para o ótimo Edno.
E por falar em inexpressivo, o lanterna: Ipatinga. Time inútil, de prefeitura, que foi até simpático nos tempos em que era filiado ao Cruzeiro, mas que só serviu para abaixar a média de público desse campeonato. Já vai tarde, e olha que só ficou um ano na primeira divisão.
Seleção do Brasileirão 2008, pelo Vida Ordinária:
Goleiro: Victor (Grêmio) - Se o Grêmio chegou a liderar por boa parte do campeonato e terminou em segundo lugar, um dos grandes responsáveis é esse goleiro até então desconhecido. Ele foi uma verdadeira muralha e teve importância na campanha do time muito maior do que a do Rogério Ceni para o São Paulo (aliás, ele não foi nada demais nesse campeonato, mas existe aquela velha mania da imprensa de superestimar o goleiro mais pela sua liderança do que pelos aspectos técnicos) e de Marcos para o Palmeiras (para falar a verdade, ele meio que entregou o título – teve frangos bizarros em jogos decisivos).
Lateral Direito: Vítor (Goiás) – Ótimo lateral, foi o motorzinho do Goiás nesse excelente segundo turno do time e conseguiu se destacar num lado do campo onde tinha a compahia do Senhor Goiás, Paulo Baier. Muito mais regular que Léo Moura e mais brilhante que Élder Granja, que foram talvez os dois rivais mais próximos (e mesmo assim bem distantes).
Zagueiro: Thiago Silva (Fluminense) – Um dos maiores zagueiros do mundo hoje, senão o maior. E não falo isso só por ele ser o maior ídolo recente do meu time. Ele faz jus ao apelido de monstro. Ele é sobrenatural, ganha todas as bolas, joga demais e praticamente não erra. E joga com raça demais. Ele realmente é tricolor, ama o time e ama a torcida. Isso pode parecer que não é nada, mas vendo a entrega dele em campo, você sente a diferença. Eu estava hoje no Maracanã na sua despedida e foi realmente emocionante. Que seja apenas um “até breve”.
Zagueiro: Fábio Luciano (Flamengo) – Tecnicamente talvez o maior merecedor de entrar aqui seja o Miranda, ótimo zagueiro são-paulino. Mas mesmo com os vexames, o Flamengo acreditou no penta/hexa (não vamos entrar nessa discussão) em boa parte graças à raça e liderança do Xerifão. Pode não ser um grande zagueiro, mas é muito bom e foi primordial para o urubu.
Lateral Esquerdo: Juan (Flamengo) – Ele nos tempos de Flu era muito irregular. Fazia grandes partidas e em seguida entregava um jogo. No Flamengo ele encontrou uma consistência e regularidade, e se tornou destaque maior do time. A ponto da equipe ficar dependente dele. Merecia mais chances na seleção, até porque o Kléber tá na pior fase da carreira dele. Outro da posição que me agradou bastante foi o Leandro, do Palmeiras.
Volante: Ramires (Cruzeiro) – Começou o ano arrasador, e se manteve muito bem no Brasileirão. Um excepcional volante, que sabe ir pro ataque com habilidade e poder de fogo. Merece chances na seleção. Gilberto Silva e Josué não dá…
Volante: Hernanes (São Paulo) – Ano passado ele foi mais brilhante, mais com pinta de craque. Mas esse ano ele foi mais importante para o São Paulo. Não foi excepcional, mas foi o melhor jogador do time campeão e deu a força ao time do Morumbicha. Vale lembrar que esse ano, mais uma vez, os volantes foram o destaque do campeonato. O que é uma pena, afinal isso aqui é Brasil. Os melhores deveriam ser os meias e os atacantes. Mas enfim. Além dos dois que eu escolhi, vale destacar o Diguinho, o Guinazu (que joga muito, mas que no Brasileiro não merece entrar nessa lista), Rafael Carioca, Arouca, Ibson e Diego Souza (não adianta tentarem chamar esses dois últimos de meias, são volantes! Volantes muito bons, mas volantes).
Meia: Alex (Internacional) – Craque. Cracaço. No Brasileirão não brilhou tanto quanto poderia, mas ainda assim foi responsável direto por boa parte dos gols e das assistências do Inter. Dos 3 grandes camisas 10 que o futebol brasileiro tinha (ele, Thiago Neves e Valdivia, embora eu não ache o chileno tudo isso), é o único que continua por aqui. Espero que continue.
Meia: Wagner (Cruzeiro) – Deixou de ser a eterna revelação e virou o principal articulador do time mais técnico da competição. Entra com sobras nessa vaga, apesar de ainda precisar ser mais decisivo.
Atacante: Keirrison (Coritiba) – O moleque tem futuro. Ainda precisa melhorar, mas é uma grande promessa e parcialmente já é uma realidade. Dos 3 artilheiros, é o mais habilidoso, e como é jovem, só tem a melhorar.
Atacante: Kléber Pereira (Santos) – Eu fiquei em dúvida em quem eu botaria aqui nessa última posição, até por causa do empate triplo na artilharia. E dos 3, Washington foi o que teve a melhor média, já que jogou menos jogos que os outros dois. Mas perdeu gols demais, e alguns deles bizarros. E na recuperação do Flu, ele foi essencial, mas Conca, Tartá, Thiago Silva e até mesmo Fabinho foram importantes também. Já o Santos era só o Kléber Pereira. Se o time está na primeira divisão, é graças a ele. Um baita atacante. E decisivo para o seu clube.
Técnico: Celso Roth (Grêmio) - Muricy o escambau. O mérito dele é enorme no título do São Paulo, claro, mas mais pela estrutura que montou nos outros anos e deu a consistência que o time tem agora. Esse ano ele precisou apenas aparar arestas. Já Celso Roth, tão criticado (e com razão!), surpreendeu levando um Grêmio tecnicamente contestável (e com elenco bastante repaginado desde a final da Libertadores do ano passado) até a última rodada com chances de título. Gostem ou não dele, ele fez um excelente trabalho. O mais surpreendente. Merece palmas.
Revelação: Marquinhos (Vitória) – Daonde surgiu esse meia do Vitória? Rápido, habilidosíssimo e com uma visão de jogo espetacular, ele só precisa se cuidar para evoluir como jogador. Ele tem tudo para ser um dos grandes meias do nosso futebol, com direito a vaga numa seleção. Quem sabe pra 2014?
Craque do Campeonato: essa é com vocês. Pra mim ninguém jogou tanto ou foi tão decisivo a ponto de merecer esse título. Por isso, fiz uma longa lista de postulantes a esse “título” e vocês que vão decidir por voto quem foi o craque do Brasileirão.
E como futebol é paixão e não existe sem discussão, que venham os comentários revoltados. E até o Brasileirão 2009! Fluzão rumo ao título!





















