Chegamos a mais um fim de ano, e nada melhor do que começar a retrospectiva falando da TV. Até porque, a partir de agora, o ano vai se resumir a filmes natalinos e especiais de fim de ano*.
*Ok, tem Capitu aí prestes a estrear e me fazer calar a boca e ser obrigado a fazer posteriormente um adendo a esse post, mas vamos nos manter na programação.
Enfim, é uma coisa rara (e boa) de se dizer, mas acredito que o saldo televisivo desse ano, principalmente em comparação aos anteriores, é um bocado positivo. E boa parte disso vindo da TV aberta ou semi-aberta.
Pra começar, o grande destaque do ano na opinião de vocês, leitores do VO, que votaram durante toda a semana passada: CQC – Custe o que custar.

A franquia brasileira do programa humorístico-jornalista argentino, capitaneada pelo multimídia Marcelo Tas foi sem dúvida um respiro na programação da TV aberta brasileira, ainda mais numa segunda-feira que era carente de novidades, impregnada há décadas pela dobradinha Tela Quente e Hebe nas duas principais emissoras (sim, Record, vocês ainda são só os terceiros em relevância, independente da sua audiência). Eu vejo o CQC como uma evolução do Pânico, embora os dois tenham propostas diferentes. Mas que se esbarram ao cobrirem de forma bem humorada os grandes eventos. Só que o humor do CQC, que usa como grande celeiro de talentos o humor de stand-up brasileiro (que também se beneficiou bastante com o sucesso do programa, vide a grande popularidade que Rafinha Bastos, Danilo Gentilli e Oscar Filho ganharam com o programa), é mais inteligente. Às vezes pode ser bobo, errar a mão? Mas esse é um risco do humor e é recorrente em todos os programas do gênero, até os melhores.
Indepentende dos deslizes e das comparações, são muitos momentos memoráveis do programa em apenas um ano. Desde as reportagens comuns às temáticas, como o Repórter Inexperiente e o quadro sobre mistérios, ambos protagonizados pelo maior talento do programa, o Danilo Gentilli.
E por falar em grandes talentos revelados esse ano, podemos já avançar pra outro programa que deu uma renovada no humor da TV esse ano, graças ao seu apresentador: o 15 minutos, de Marcelo Adnet.

Adnet, com uma carreira de alguns anos num espetáculo de improviso, é mais multifacetado que os caras do CQC. Além dos comentários rápidos, inteligentes e engraçadinhos, ele ainda bebe muito da escola mais clássica do humor, com as imitações sendo um dos seus grandes trunfos. Impossível esquecer do seu José Wilker cantando o Créu, o seu Silvio Santos cantando Sweet Child of Mine, Dercy fazendo dueto com Ana Carolina, entre outras imitações e canções de improviso que são verdadeiras pérolas. Isso tudo acompanhado do seu escada Kiabbo com seu violão.
Mas enquanto os caras do CQC e o Adnet fazem humor intencionalmente, nosso outro destaque faz isso involuntariamente. É a pequena revelação que já estava na mídia há alguns anos, mas que precisou ir para debaixo da asa de Silvio Santos para ganhar notoriedade. Tudo começou quando essa pequena menininha, de apenas 6 anos, ganhou o comando de um programa de TV matinal. E bastou vazar o primeiro vídeo, com ela perguntando se podia colocar o microfone na bunda e comandando uma brincadeira por telefone (“Tá ruim! Tá ótimo! Tá ruim! Tá ótimo!”, “Number one, number two, number três”) para começar a mania. E os vídeos se proliferaram. Toda semana havia um motivo novo para rir dela. E de repente o patrão resolveu criar um bloco para papear com ela no seu programa de domingo. E ela virou uma figura tão pop esse ano, que todos vocês já estão carecas de saber de quem eu estou falando, sem que eu não tenha sequer citado o nome dela ainda nesse post. Pois bem, a Maísa foi um fenômeno esse ano e garantiu muitas risadas, seja de quem gosta dela, de quem acha ela bizarra ou ache as duas coisas ao mesmo tempo.

Indo pro mundo da TV fechada e dos programas estrangeiros, esse ano tivemos a quarta temporada de Lost, já bastante falada nesse blog, e que foi sem dúvida a grande retomada da série, que andou sendo contestada e perdeu parte da sua audiência. Agora, mais do que nunca, as pessoas estão desesperadas para saber o que acontece em seguida, ansiosas por janeiro, quando começa a quinta temporada. A saída da Ilha, os Ocean Six, a ilha se movendo. Tudo foi muito intenso esse ano na série mais nerd e pop (curioso ver esses dois adjetivos andando juntos, né? Sinal dos tempos) do mundo.
E nesse cenário, como fica Heroes, que brigava com Lost como dona do coração dos geeks? Pois bem, a terceira temporada da série estreou depois de muitos meses afastada por conta do seu fim de temporada prematuro (ainda consequência da greve dos roteiristas). E quando voltou, deu saudades do tempo em que estava fora do ar. Eu sei que sou suspeito pra falar, já que sempre esculachei abertamente a série. Mas essa temporada nem os defensores conseguiram aceitar. Roteiros cada vez mais absurdos e imbecis, direção perdida, atuações risíveis. Heroes virou uma piada completa e seu último argumento para existir (a audiência) vem caindo vertiginosamente. Jeph Loeb foi inclusive demitido.Mas a série ainda não foi cancelada.

Ao contrário de Pushing Daisies, que surgiu ano passado nos EUA, mas que teve sua premiere na América Latina esse ano, com direito a diversas ações de marketing e um baita buzz pré-lançamento. E se o piloto justifica esse buzz, os capítulos subsequentes vão acabando pouco a pouco com o encanto que aquele universo timburtoniano em princípio tinha causado. Mas, como o cancelamento ainda está distante para quem acompanha no Brasil, a febre ainda não passou completamente.
Outra febre televisiva foi Gossip Girl, a série adolescente polêmica cheia de drogas e sexo, que mostra a vida de adolescentes riquinhos de Nova York. Infelizmente não posso falar muito de GG, já que nunca assisti à série.
E pra finalizar os destaques que vocês citaram nos comentários do outro post, teve mais uma temporada e a consolidação do sucesso de The Big Bang Theory. A série realmente ganhou o gosto das pessoas. Eu, particularmente, continuo achando uma grande bobagem. Ainda brinca com estereótipos antiquados, que poderiam até ter graça no meio dos anos 90, mas que agora são simplesmente bobos. Dá pra mostrar um nerd de forma real e mesmo assim ter bastante pano pra piadas e situações absurdas sem precisar apelar para esse modelinho de personagem que a série usa. Ela é boba, quase infantil. Mas enfim, as pessoas gostam. Quem sabe não vai ser como Heroes e demore um tempo pros fãs caírem na real?

E fica por aqui essa primeira parte da retrospectiva. Na próxima, vamos ver o que aconteceu de bom, de ruim e, principalmente, de novo no mundo da música. E já fica aí a enquete pra destaque do ano na música. como na enquete passada tiveram reclamações quanto as opções, dessa vez, se faltar a sua opção na enquete, é só falar algo nos comentários que eu adiciono.