22/02 2009
Oscar: Palpites e torcida

Dos 5 principais indicados, não consegui ver O Leitor a tempo. Uma pena, mas para dar os chutes e fazer as torcidas para hoje à noite, isso nem é tão relevante. Então vamos às apostas (que não necessariamente correspondem ao que pus em bolões, onde arrisquei mais zebras) e filmes para os quais eu torço:

Melhor Filme

Quem quer ser um milionário > Milk > Frost/Nixon > O Curioso Caso de Benjamin Button.

Por isso, torço por Slumdog, que deve mesmo levar. Mas se Milk ganhar não chego a ficar puto não.

Melhor Ator

Ganha Mickey Rourke ou Sean Penn. E torço pelos dois também. Pelo Sean porque ele está foda em Milk. Pelo Mickey Rourke porque seria simplesmente hilário tanto ver a figura dele no palco como ouvir o piti do Rubens Ewald Filho na transmissão.

Melhor Atriz

Olha, eu não aguento mais ver a pobre da Kate Winslet fazendo aquela cara de brava com vontade de chorar sempre que perde um Oscar. Por isso, espero que ela ganhe, como acho que vai. Ainda não vi O Leitor, mas pelo resto da carreira dela, a Kate já merece um Oscar.

Se a Meryl Streep ganhar vai estar em boas mãos, as usual, mas ela não ficaria triste perdendo mais um… já ganhou vários.

A Anne também é ótima, mas ainda tem tempo pra ganhar no futuro.

Melhor Ator Coadjuvante

Heath Ledger vai ganhar e merece. Mas seria hilário ver o Robert Downey Jr ganhando. Tem como não achar o cara maneiro?

Melhor Atriz Coadjuvante

Torço por Amy Adams, fácil. É linda e sempre está ótima nos filmes.

E das categorias de atuação essa é a mais equilibrada… aposto na Penélope Cruz. 

Melhor Diretor

Danny Boyle, ponto final. Merece e vai ganhar.

Mas Gus Van Sant não seria nenhum crime.

Melhor Filme de Animação

Wall-E deveria estar indicado a melhor filme. Vencer essa categoria é obrigação absoluta. Ele só perdeu no Oscar da animação porque a Dreamworks era patrocinadora.

Melhor Roteiro Adaptado

Quem Quer Ser Um Milionário?, fácil.

Melhor Roteiro Original

Olha, vou apostar em Na Mira do Chefe, hein?

Mas Milk tem boas chances por ser o único dos 5 a estar em Melhor Filme. E ia ser foda se Wall-E ganhasse.

Melhor fotografia

O Curioso Caso de Benjamin Button e Quem Quer Ser um Milionário? são igualmente bons nesse quesito. Quem levar tá bom. Mas apostei no cachorro magro…

Melhor figurino

O Curioso Caso de Benjamin Button vai mandar nas categorias técnicas. E só.

Melhor montagem

Quem Quer Ser Um Milionário?, fácil. (eu não deveria estar colocando esses “fáceis” depois das apostas… vai que erro todos, né?)

Melhor maquiagem

O Curioso Caso de Benjamin Button, claro. Se o roteiro e a direção fossem tão bons quanto a maquiagem, seria filmaço.

Melhor trilha sonora original

Quem Quer Ser um Milionário?, faz a gente querer sair dançando que nem os personagens toscos da Glória Perez.

Melhor Canção

Devia ganhar Jai-Ho, mas vai ganhar a música de Wall-E.

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Amanhã a gente confere se fui bem ou não.

Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

22/02 2009
Nixon, olha aqui pra câmera da verdade…

Continuando a maratona de última hora com filmes que disputam hoje à noite o Oscar de Melhor Filme, chegou a vez de Frost/Nixon.

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Pouco tempo após a renúncia de Nixon, depois do escândalo de Watergate, um apresentador  de TV britânico, fanfarrão, resolve que quer entrevistar o ex-presidente americano.

Tirando dinheiro do próprio bolso, com pouco apoio de patrocinadores e sem nenhuma grande emissora bancando essa aposta, ele parte para uma série de 4 encontros com Nixon, num duelo onde vai ganhar quem tiver a melhor lábia, a melhor retórica. De um lado, Nixon conta com seus acessores, em especial o ex-militar vivido por Kevin Bacon, para limpar sua imagem e voltar a ser adorado e presidenciável para os EUA. Do outro, David Frost tem seu produtor, um jornalista crítico de Nixon e um pesquisador idelólogo para tentarem fazer o “Tricky Dick” a assumir seus erros, sua culpa em crimes e a pedir desculpas para a América.

No fim, um filme interessante, mas que falta um certo quê. A seu favor, as ótimas atuações de Frank Langella (que incorpora de forma fantástica o Nixon), Sam Rockwell e Michael Sheen, esse último que eu só conhecia do seu também excelente trabalho em A Rainha, como Tony Blair (aliás, pelo visto a especialidade dele é contracenar com estadistas famosos do século XX). Outra coisa boa é o formato semi-documentário, com depoimentos dos coadjuvantes como se estivessem sendo entrevistados anos depois. Me lembrou de certa forma The Office. Ah, e não lembrei em nenhum momento que o diretor era o Ron Howard, o que é positivo, já que geralmente isso significaria que o filme era uma bosta.

Filme legalzinho, mas muito inferior a seus concorrentes Milk e Slumdog Millionaire. Pelo menos é menos vazio que Benjamin Button…

Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

22/02 2009
Got Milk?

Esse ano acabei enrolando, enrolando e enrolando tanto, que cheguei no dia do Oscar tendo visto apenas 2 dos principais indicados (Slumdog Millionaire e O Curioso Caso de Benjamin Button, ambos com review no Vida Ordinária – aqui e aqui, respectivamente).

Numa tentativa de recuperar pelo menos parte do tempo perdido, estou vendo hoje o que dá (afinal, não há programa mais perfeito para um domingo de carnaval, já que concordo inteiramente com o “Top 5 – Xô, Carnaval” do Bruno).

E o primeiro dessa leva foi Milk, biografia dirigida por Gus Van Sant de Harvey Milk, primeiro gay assumido a ocupar um cargo político nos EUA.

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E olha, se essa ano não fosse feito tão sob medida para Slumdog Millionaire, Milk teria tudo para levar o Oscar de melhor filme essa noite. Não apenas por ser uma biografia e abordar um tema como homossexualidade, mas justamente por, como Slumdog, ter como grande trunfo ser um grito de esperança. De esperança e tolerância. E a analogia com a América pós-Obama se faz ainda maior nesse filme, já que também envolve política, eleições e um candidato com idéias novas e revolucionárias que tem que superar preconceitos.

O filme tem um quê de Boa Noite e Boa Sorte, usando e abusando de filmagens reais de arquivo (em seu favor). Aqui, é a conservadora Anita Bryant que toma o lugar que no longa de George Clooney era do Senador McCarthy: o de “vilão” que aprendemos a odiar sem que precisassem ser interpretados por alguém.

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A fotografia e direção de arte também nos transportam diretamente para os anos 70, onde podemos ver Sean Penn e seus asseclas nessa cruzada pelos direitos gays. E é justamente nesse elenco que reside a maior força de Milk.

Sean Penn está espetacular, e eu até torceria para ele levar o prêmio hoje, caso não fosse muito tentatoramente bizarra e hilária a idéia de ver Mickey Rourke subindo no palco para levar um Oscar. Emile Hirsch está mais uma vez sensacional, e é junto de Paul Dano o ator mais impressionante e talentoso dessa geração que tem mais ou menos a minha idade (e olha que curioso, ambos apareceram pela primeira vez com mais destaque na comédia adolescente Um Show de Vizinha – que por sinal é bem legal, e subestimada). James Franco é outro que surge mais uma vez competente, assim como Josh Brolin, embora eu tenha achado que a indicação ao Oscar para esse segundo tenha sido um tanto exagerada. Já Diego Luna não foi tão bem… ou vai ver que o personagem dele era tão chato que isso acabou afetando minha percepção sobre a atuação dele.

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Enfim, mais que um ótimo filme, Milk é praticamente uma alegoria para o momento político atual, e mesmo com o fim trágico do personagem-título (isso não é spoiler, já é mencionado logo na primeira sequência), transmite otimisto e esperança de mudança.

Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

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