Confronto Ordinário: Watchmen x Outros Super-Heróis (e mais)
Postado em : 06-03-2009 | Por : Alexandre Esposito | Em : Confrontos, Humor, Mundo Nerd, Quadrinhos
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Chegou o grande dia.
Até poucas horas atrás, somente os nerds e os fãs de quadrinhos (ok, esses são basicamente as mesmas pessoas) conheciam o Coruja, Dr. Manhattan, Ozymandias, Rorschach, Espectral e Comediante.
Mas hoje estréia a versão cinematográfica da Graphic Novel mais cultuada de todos os tempos. A Bíblia dos quadrinhos. A obra-prima definitiva de Alan Moore (pra maioria dos fãs… eu particularmente prefiro V de Vingança). Hoje estréia Watchmen.
E enquanto a gente não sabe se o Zack Snyder mandou bem ou estragou a história (como os Wachowsky, que cagaram V), nada melhor do que homenagear esse dia com um confronto entre os encapuzados de Alan Moore e heróis clássicos (e outros nem tanto) dos quadrinhos, TV e cinema: Watchmen x Outros Super-Heróis.
E como esse é um dia especial para os Nerds, meu camarada Rodrigo Pinder sugeriu e escreveu um confronto paralelo entre os Watchmen e celebridades da vida real, que foram incorporados aos rounds, que serão:
1º Round: Comediante x Justiceiro (e General Custer)
2º Round: Ozymandias x Homem de Ferro (e Gene Simmons)
3º Round: Espectral x Elektra (e Michael Jackson)
4º Round: Dr. Manhattan x Peter Petrelli (e Antônio Fagundes)
5º Round: Coruja x Batman (e Thomas Edison)
6º Round: Rorschach x Darkman (e americanos conservadores)
Antes de começar, uma breve introdução do co-autor do confronto:
Watchmen é uma obra revolucionária, consagrada por trazer complexidade e maturidade para o gênero dos super-heróis, valendo-se, entre outras coisas, de apêndices simulando trechos de livros e reportagens no final de cada edição, que contribuíram de forma inestimável para o senso de realismo daquele mundo de ficção.
Apêndices… e realismo.
Essas duas coisas começaram a engrenar nas minhas sinapses assim que o nosso querido Alexandre veio me consultar sobre possíveis adversários para os personagens de Watchmen, até que acabei me convidando a fazer uma colaboração especial neste post, com apêndices confrontando os anti-heróis americanos de Alan Moore com… bem, em geral anti-heróis americanos da vida real.
Confira como foi o confronto depois do jump.
Últimos confrontos:
Manoel Carlos x Glória Perez
Netinho x Netinho
Amy Winehouse x Sutiã
Mallu Magalhães x O Mundo da Música
Maysa x Maísa
Anos 70 x Anos 80
Vamos lá!
1º Round: Comediante x Justiceiro (e General Custer)
Tudo começou quando um gibi foi lançado e o mundo conheceu o Superman. Aquelas histórias inspiraram pessoas a vestirem uniformes e saírem para combater o crime encapuzadas. Com o tempo, se uniram, se tornando os Homens-Minuto.
O mais novo e mais rebelde deles era Edward Blake, o Comediante. Que em poucas palavras, era um badass motherfucker.
Ou, que em uma única palavra, era um escroto.
Mal-educado, rude, estuprador, assassino, rebelde, sem-noção. Enfim, um sujeito que reage com pura ironia e violência a toda a verdade podre e cruel do mundo. E que ainda por cima é um super-herói.
Sua morte é o ponto de partida de Watchmen.
O Justiceiro não é muito diferente dele. Também lutou no Vietnã, também era um sujeito violento e que considerava assassinato, seqüestro, extorsão, assalto e tortura aceitáveis como táticas de combate ao crime (se bem que o Comediante cometia alguns desses delitos sem ser lutando contra o crime).
A diferença é que Frank Castle tinha uma motivação real para se tornar o Justiceiro: a morte de sua família. Já o Comediante, era um filho da puta só porque queria ser.
Por ter uma razão para ser como se e, ainda por cima, ser um sobrevivente, o badass de camiseta com caveira leva a melhor. Até porque toda moral do Comediante corre risco de ir por água abaixo sendo interpretado pelo Denny Duquette (brincadeira, eu acho o Jeffrey Dean Morgan perfeito pro papel).
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Comediante x General Custer, por Rodrigo Pinder
Comediante: o primeiro americano herói de guerra controverso e bigodudo e que me vem à mente é George Armstrong Custer, que massacrou índios e morreu sob circunstâncias duvidosas. E a pura lógica cronológica dita que Edward Blake teria o mesmo sucesso que Touro Sentado e Cavalo Louco tiveram em Little Bighorn: o lança-chamas moderno foi inventado em 1901. Custer morreu em 1876. Sorry, George, essa foi por pouco.
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2º Round: Ozymandias x Homem de Ferro (e Gene Simmons)
Ozymandias, um vigilante que se inspira em Alexandre, o Grande, e na cultura egípcia. O homem mais inteligente do mundo. Tão inteligente que se aposenta antes da Lei Keene e revela sua identidade secreta, Adrian Veidt, se tornando um magnata poderosíssimo, dono de um megaconglomerado corporativo.
Assim como ele, Tony Stark é uma das mentes mais avançadas do planeta, também é um super-herói (no caso, o Homem de Ferro), um multi-bilionário (embora já o fosse antes de ser herói) e, finalmente, também revelou sua identidade ao público (mas demorou um tempo, ao contrário do que acontece no filme).
Por outro lado, eles têm personalidade bem diferente. Enquanto Ozymandias exala austeridade e poder, Tony Stark é um playboy fanfarrão do tipo que todo mundo queria ter como amigo para rir.
E se isso já não bastasse, Tony Stark é um sujeito legal, enquanto Ozymandias [atenção, SPOILERS] é um filho da puta que, no alto de sua lógica impecável, resolve matar milhões de pessoas em Nova York num plano para conseguir a paz mundial (sim, você já viu isso em outro lugar, Heroes chupou esse plano) [ok, FIM DOS SPOILERS].
Por isso, sou mais o Homem de Ferro.
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Ozymandias x Gene Simmons, por Rodrigo Pinder
Ozymandias: um magnata que construiu um império econômico através de merchandising envolvendo a própria imagem usando uma fantasia ridícula? Essa pessoa tem um nome, e esse nome é Gene Simmons. Quanto ao vencedor, depende do que nós estamos falando aqui. Gene pode não ser o homem mais inteligente do mundo, mas definitivamente está entre os mais bem-sucedidos em certos quesitos, mesmo sendo imensuravelmente mais feio. Veidt pode até ganhar no mano a mano, mas eu definitivamente preferia ser Gene Simmons.
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3º Round: Espectral x Elektra (Michael Jackson)
Não houve uma, e sim duas Espectral: Sally Júpiter e, posteriormente, sua filha Laurie. Mas é na segunda que a gente vai se focar. Laurie poderia ser comparada com basicamente qualquer heroína gostosa dos quadrinhos. Uma combatente do crime sem poderes, cuja maior arma era o poder de distração, já que usava apenas um microvestidinho como uniforme.
E com esse visual ninfeta ardente, acabou roubando o Dr. Manhattan para ela com apenas 16 anos. E depois de dar um pé na bunda do azulão (ou seriam bundas? Afinal, o cara estava multiplicado quando ela largou dele), ainda pegou com força o Coruja.
E basicamente é isso que a gente tem pra falar dela.
Não que sobre muito para dizer sobre a Elektra, ninja peguete do Demolidor. Foi uma assassina, passou a anti-heroína até que resolveu buscar a redenção e virou do bem de vez. E só.
Ah, e ela também tem um visual caprichado, com um colant meio maiô cavadaço. Mas desculpa, Elektra, vestidos e minissaias fazem a diferença.
E como ambas só estão ali para ser uma gostosa desenhada, ganha a mais sexy: Espectral, a ninfeta do microvestido (que infelizmente no filme virou um colant que cobre o corpo todo).
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Espectral x Michael Jackson, por Rodrigo Pinder
Espectral: uma criança que não teve escolha na vida senão seguir desde cedo uma carreira desgastante paternalmente imposta? Essa origem tem “Michael Jackson” escrito por toda parte. O vencedor é óbvio: por mais que até a sua avó consiga bater no Michael Jackson, os advogados dele iam espremer até o último centavo da velhinha no processo por agressão.
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4º Round: Dr. Manhattan x Peter Petrelli (e Antônio Fagundes)
Já consigo ver as fileiras de nerds segurando tochas, foices e ancinhos vindo bater na minha porta para me queimar.
Herege! Louco! BRUXO!
Como pode alguém querer comparar o Dr. Manhattan ao palhaço de Heroes?!
Bem, gente, em minha defesa, eu devo dizer que bem que tentei comparar com outros.
Comecei pelo Superman. O cara é bem poderoso, foi o primeiro herói super-poderoso do mundo. Mas tirando isso… nada. Enquanto o Superman é o escoteirão que quer ajudar todo mundo, o doutor Jon Osterman tá cagando baldes para a humanidade e para a Terra. E olha que, ao contrário do Super, ele é terráqueo (ele ganhou seus poderes após um acidente – aliás, ele é o único personagem em Watchmen com poderes).
Sem falar que os poderes dele não são os mesmos do alter-ego do Superman.
OK, tentei ver os personagens com poderes atômicos, coisas do tipo. Mas todos são uns bundões, inclusive o Capitão Átomo, que inspirou o próprio Dr. Manhattan.
Por isso tive que recorrer a simplesmente um cara overpower, apelão. Sobrou o caçula chorão da família Petrelli. Então vamos ver como ele se sai…
Pro Dr. Manhattan, o tempo inexiste. Mas o que ele faz com esse conhecimento do que foi e do que será? Nada. Afinal, como dissemos, ele tá pouco se fudendo pra todo mundo. Para o Pentelhinho, ops, Petrellinho, o tempo também não é nada… ele vê o futuro, pode manipular o tempo. E ao contrário do Jon, ele se importa, até demais. E por isso, o que ele faz? Nada. Mas aí é porque é um idiota mesmo.
E as semelhanças param por aí. O Dr. pode desintegrar as pessoas. E desintegra. Peter também pode. E vai chorar nos braços do irmão Nathan, ou da Claire ou do Mohinder.
O bom é que o Dr. Manhattan pode aproveitar e explodir os três de uma vez.
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Dr. Manhattan x Antônio Fagundes, por Rodrigo Pinder
Dr. Manhattan: em um dos apêndices da HQ, há uma frase que é repetida no filme: “(…)Deus existe, e é Americano.” Eu procuro evitar discussões sobre nacionalidade divina, mas Carlos Diegues tem outra opinião. E todos sabemos que, com 3.467 novelas e 389 filmes no currículo, não há competição contra Antônio Fagundes. Some a isso a possibilidade de chamar o Bino, e Billy Crudup acaba de entrar em uma cilada.
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5º Round: Coruja x Batman (e Thomas Edison)
Eu tô pronto pro round. E você, Coruja?
Assim como aconteceu com a Espectral, foram dois caras diferentes que encarnaram o Coruja. O primeiro, Hollis Mason, um rapaz que se apaixonou e se inspirou pelos quadrinhos, e com isso se tornou um policial e posteriormente um vigilante mascarado.
Seus feitos inspiraram, anos depois, Dan Dreiberg, que entrou em contato com Mason (que então havia lançado o livro Sob o Capuz revelando os bastidores da vida de vigilante nos anos 40) e se tornou o novo Coruja, usando sua inteligência para criar roupas, aparatos e veículos.
Ou seja, ele virou um super-herói, sob o codinome de um ser voador noturno cheio de gadgets. Tipo… o Batman?
Sim. E sem o background foda, os vilões memoráveis, a personalidade marcante.
Batman forma, com o Superman e o Homem-Aranha, a Santíssima Trindade dos heróis. É difícil enfrentar o cara num confronto como esse… mas vamos analisar bem.
O parceiro de Batman é o Robin. Moleque chato, numa relação quase gay-pedófila.
O parceiro do Coruja é o Rorschach. Um vigilante louco, quase fascista, incendiário. Muito mais legal, né?
E ao contrário do morcegão, o Coruja come alguém. E não é qualquer uma, mas a Laurie (embora bem depois dos tempos de ninfeta dela). Mas ainda assim come. E ele broxa… o que destrói qualquer argumento pró-coruja.
Mesmo liso, Batman pelo menos nunca negou fogo, e ainda é um herói melhor. Apesar de que, até na vida real, muito casal curtiu o namoro durante o Corujão na madrugada (ahn, ahn
)
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Coruja x Thomas Edison, por Rodrigo Pinder
Coruja: Thomas Edison é o inventor americano mais pop da história e, além de em geral ter inventado coisas úteis, até onde se sabe ele nunca precisou de uma fantasia de Coruja para… digamos… “entrar em ação” (quem conhece a história entendeu o subtexto dentro das aspas); seja como for, mais uma vitória do mundo real. Dan é um banana. Talvez ele pudesse com o Tesla, mas o Tesla foi interpretado em O Grande Truque por David Bowie, e David Bowie = automaticamente + cool do que qualquer coisa, especialmente Patrick Wilson.
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6º Round: Rorschach x Darkman (e americanos conservadores)
Rorschach é a alma de Watchmen. É com as linhas do diário dele que a gente começa a mergulhar naquele mundo sujo, podre e decadente. Um mundo onde um vigilante mascarado acabou de ser morto e só ele acha que tem algo estranho no ar.
Ele é o único dos Watchmen a continuar na ativa, clandestinamente. E ele é quem busca os outros atrás de uma investigação maior. Meio fascista, meio louco, exagerado, paranóico? Sim, tudo isso e muito mais. Mas é essa obsessão dele que move a ação adiante. Dentro de um mundo irônico, ele continuava um idealista.
E o momento em que conhecemos o homem por trás da máscara, o personagem se torna ainda mais complexo e interessante. É graças a Rorschach e seu diário que o final se abre completamente. É o grande protagonista e grande força da obra.
E daí que a gente começa a procurar quem poderia ser comparado com ele… pois bem, Darkman também anda de sobretudo, usa uma máscara, um chapéu e sai sentando o dedo em geral. Mas por vingança, e não por loucura e idealismo.
Além do fato de ser interpretado pelo Liam Neeson. Tipo, não dá pra levar fé que o Liam Neeson meta medo em alguém. Ele é tipo um labrador, confiável, respeitável, etc, mas que no fim não resiste a uma bola atirada ou a uma festinha na barriga.
Rorschach deixaria o Darkman mais queimado e deformado do que já é.
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Rorschach x Americanos Conservadores, por Rodrigo Pinder
Rorschach: há tantos americanos conservadores feios e psicóticos no mundo real que é impossível escolher um só, mas eles geralmente têm armas à disposição, de George Bush com seus jatos e bombas ao redneck que deixa a espingarda carregada enquanto assiste Nascar, just in case. Rorschach pode ser bom em quebrar dedos, mas ele não é feito de titânio.
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E por isso o resultado foi…
EMPATE!
Mas calma, também rolou o confronto paralelo do Rodrigo. E nele deu…
O RESTO!
Vamos à conclusão dele:
O mundo real é assustador.
.
Agora é hora de ver o filme e ver se ele presta. Quanto à Graphic Novel, se você ainda não leu, CORRA.
E até o próximo confronto!










































“O mundo real é assustador.”
Kakoaokaokaokaokaokakoa
Ótimo confronto, gostei das duas “perspectivas”, hahaha
[Reply]
uahuahuahua foda! 14h to indo ver o filme
[Reply]
Meu ex-namorado me convenceu a ler Watchmen. Foi a melhor coisa que aquele besta fez durante os 3 meses de namoro.
Devo ver o filme domingo, com meu atual namorado, que não leu… tô até esperando ele não gostar.
[Reply]
Bom Alexandre, não sei quem venceria nenhuma batalha dessa.
Eu só vim aqui pra te sacanear pq eu vi o Watchmen ONTEM e primeiro q você!
morra de inveja!! hahahaha
[Reply]
Eu tentei achar alguma pré ontem e não encontrei… =/
[Reply]
Batman não come ninguém? Como assim, em cada um dos filmes ele tem pelo menos um interesse romântico, no primeiro Batman dos anos 80 ele farpa a Vicki Vale no primeiro encontro, nos quadrinhos ele tem um filho até! A Espectral provavelmente é a única mulher que o Coruja já farpou na vida inteira, Bruce Wayne come várias por semana só pra manter o disfarce.
Tony Stark bonzinho? Acho que você devia ler Civil War ^^
[Reply]
Realmente eu não leio tanto quadrinhos, e não li Civil War. Mas de qualquer forma, o Batman mesmo assim venceu.
E mesmo que Tony Stark não seja tão bonzinho, aposto que ele não foi tão feladaputa quanto o Ozymandias, certo? As babaquices dele custaram milhões de vidas?
ehehehe
[Reply]
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