9/05 2009
E então dance se quiser dançar

Eu esperei por mil anos pra vocês virem e me fazerem sair da minha cabeça. Ok, na verdade foram 8 anos, desde a última vez que vi um show do Oasis[bb], no Rock in Rio 3. Antes disso havia tido o show de 1998, no mesmo local onde eu estava de volta nessa quinta-feira pra ver o show da minha banda favorita. E aqui está o review que prometi no meu outro post sobre o grupo inglês e a importância que ele teve sobre a minha vida musical.

Caindo por tudo que eu havia conhecido. É claro que ver uma banda várias vezes tira um pouco do impacto pelo ineditismo, mesmo no caso da sua banda favorita. Afinal, eu já vira eles tocando as melhores músicas da carreira. O show de 98 então, foi perfeito, já que até ali eles só tinham lançado álbuns excelentes, então todas as músicas eram ótimas. Talvez por isso eu não tenha saído embasbacado dessa apresentação. O que não significa que ela não tenha sido muito boa.

Eu ainda não sabia do que eu estava à espera. Bem, na verdade eu sabia sim, já que a turnê inteira teve praticamente o mesmo setlist. Entrando no palco ao som de Fuckin’ in the Bushes, a banda dos irmãos Gallagher logo incendiou as 8 mil pessoas presentes com Rock’n'Roll Star. Em seguida, mantendo-se ao setlist (aliás, me incomoda essa mania atual da maioria dos artistas… custa variar de show para show a ordem da canções e até mesmo quais que vão entrar? Radiohead e Pearl Jam fazem isso e funciona muito bem, já que o público nunca sabe o que vem pela frente e sempre recebe ainda mais empolgado os grandes hits e as surpresas do setlist), emendaram com Lyla e The Shock of Lightning, os primeiros singles dos dois últimos álbuns. Além de serem duas músicas legais, representam essa retomada que a banda está tendo. No entanto, ainda ficam aquém das grandes canções dos três primeiros álbuns, como pudemos ver logo depois, quando começaram os acordes de Cigarettes and Alcohol, um dos melhores momentos do show.

E todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas. Foi assim que me senti em seguida. Afinal, se Cigarettes and Alcohol incendiou, The Meaning of Soul, To Be Where There’s Life e Waiting For The Rapture jogaram um balde d’água.  Essas duas últimas (especialmente Waiting… que é bem legalzinha) até dá pra entender porque estava no setlist, já que é uma turnê do Dig Out Your Soul, mas a primeira simplesmente não precisava estar ocupando o lugar que poderia ser de canções bem melhores, como D’You Know What I Mean, Some Might Say ou Live Forever (que foi pedida em vão pelo público em vários momentos).

Não me interessa o que dizem mais. E o que dizem? Que Liam e Noel são babacas? Cretinos? Arrogantes? Antipáticos? Pois bem, Liam é aquela pose tradicional o show inteiro, mas quem é fã do Oasis conhece bem esse jeito e não se importa.  Nem com o fato dele abandonar o palco toda vez que era alguma música que o Noel fosse cantar. Falou pouco, mas disse que era bom estar de volta ao Rio, e no fim me surpreendeu a dar para alguém da platéia seu pandeiro. É um ato bem simpático de alguém que tem uma fama tão ruim, né? E no fim ainda pegou uma bandeira do Brasil jogada pelo público, estendeu e depois colocou na cabeça, fazendo uma releitura de Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, só que como Liam Gallagher, o Fantasminha Brasileiro. Já Noel mostrou logo de cara que não era nem mau-humorado nem grosseiro como é conhecido, e esbanjou simpatia. Aliás, foi dele que tivemos o único momento “conversa com a platéia”, no qual ele lembrou que fazia muito tempo que eles não tocavam naquela casa e que desde então já tinham trocado 4 vezes de baterista (o curioso é que a casa de shows nesse tempo também mudou várias vezes de nome – entre o Metropolitan de 98 e o Citibank Hall de 2009 aquele lugar já se chamou ATL Hall e Claro Hall). E ainda brincou dizendo que se fôssemos à Copacabana e olhássemos pro alto do Corcovado, o Cristo não estaria lá e sim no palco, em referência ao tecladista. E eu dei sorte de pegar esse momento inteiro na única hora que resolvi filmar (confira no vídeo abaixo). E aí emendou com The Masterplan, o lado B mais lado A da carreira do Oasis.

E talvez você seja quem vai me salvar. Afinal, com o repertório voltando a melhorar e Liam de volta ao palco, tivemos a simpática Songbird e a ótima Slide Away puxando o coro da galera e em seguida Morning Glory levantando de vez. Essa seria a segunda melhor sequência do show. Sequência quebrada pela insossa Ain’t Got Nothin’, que só serviu para baixar o clima antes da entrada da melhor canção do Don’t Believe the Truth, The Importance of Being Idle. A bonitinha I’m Outta Time veio pra cumprir a cota de canções do último álbum e funcionou bem, embora eu não tenha deixado de pensar que Don’t Go Away, que tem levada parecida, cairia bem melhor no setlist. Mas não era mais hora pra reclamar, porque a partir dali o show ficaria perfeito.

Os dias estão correndo rápido demais para mim. Liam pega o microfone e anuncia a música seguinte. E não é qualquer uma: Wonderwall, que é executada com perfeição pela banda, acompanhada por 8 mil vozes, como era de se esperar. Só acho que o Liam não deveria ter avisado que era ela. Um dos maiores hits da história do rock e música eleita como a segunda mais importante dos anos 90 (só perdendo para Smells Like Teen Spirit), funcionaria ainda melhor se simplesmente subissem do silêncio aqueles acordes que todo mundo conhece e adora. Em seguida, avisa que vem a última música. E a sensação é de que foi rápido demais. Talvez culpa de músicas que não mereciam estar num setlist de uma banda com tanta coisa boa. Mas a essa hora o importante era aproveitar Supersonic, espetacular, e esperar pelo bis.

Andando para o som do minha favorita melodia. Foi assim que me senti poucos minutos depois da banda sair do palco,  quando todos voltam, menos Liam. E depois de um dedilhar no violão, Noel Gallagher protagoniza o que seria o momento mais sensacional daquela noite: uma versão acústica da melhor canção do Oasis e minha música favorita de todos os tempos, Don’t Look Back in Anger. Milhares de pessoas em êxtase cantam e se arrepiam juntas. Aquilo ali já valia o ingresso.

Você pode ter tudo isso, mas o quanto você quer isso? Com Noel ainda no comando, o Oasis solta a melhor canção do último álbum, Falling Down, seguida por mais uma execução perfeita, maravilhosa como sempre, de Champagne Supernova, com Liam já de volta ao centro do palco. E para encerrar, nada melhor do que a banda que é a legítima sucessora musical dos Beatles repetirem o seu famoso cover que é o melhor já feito para uma canção dos 4 rapazes de Liverpool: I am the Walrus.

Não olhe para trás com raiva. Pois assim terminou o ótimo show. Que poderia sim, ter sido ainda melhor. Mas que foi suficiente para mostrar que o Oasis ainda é uma das bandas mais importantes do rock’n'roll.

PS: Essa idéia de começar parágrafos com trechos de letras da banda não é uma idéia original minha, infelizmente. Foi o Zeca Camargo que fez isso em seu ótimo review sobre o show do Radiohead[bb] e achei tão foda que decidi que na primeira oportunidade faria uma homenagem, com os devidos créditos, é claro.

Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

9/05 2009
Onde EU jamais estive: vendo Star Trek

Nunca vi nenhum episódio da série clássica de Star Trek, nem das séries subsequentes. Idem para os 10 primeiros filmes.

Mas por algum motivo, o trailer desse reboot de Star Trek dirigido por JJ Abrams me deixou curioso, com vontade de ver. E as críticas bem positivas só serviram para reforçar isso.

Pois bem, hoje pela primeira vez mergulhei nesse universo do qual eu só conhecia as referências mais icônicas e um pouco que pesquisei pro confronto dessa semana.

E devo dizer que gostei bastante do filme.

Afinal, não havia do que não gostar. Foi uma aventura espacial como toda aventura deve ser: divertida, com uma história simples sem ser simplória, com ação na medida certa sem deixar de lado o humor e atuações que não comprometem (e em alguns casos até ajudam a impulsionar o filme).

Como eu não sou trekkie, não posso dizer sobre a fidelidade dos personagens e de alguns detalhes da mitologia de Star Trek, mas um acerto do roteiro para combater a ira dos fãs foi se basear numa trama sobre viagem no tempo e mudança da história. Ou seja, tudo pode acontecer e até quem nunca teve contato algum com a série pode se divertir.

No filme, Nero, um romulano puto da vida porque seu planeta foi pro beleléu, acaba voltando sem querer pro passado e quer vingança contra aquele que ele considera o responsável por isso: Spock. Isso inclui destruir seu planeta natal, Vulcano (aliás, não pude deixar de lembrar um pouco de outra história… planeta sendo destruído na frente de um habitante…. hm… Aalderan, alguém?). E assim que volta acaba se deparando com uma nave da Federação e a destruindo. No entanto, seu capitão interino consegue, ao custo da própria vida, salvar 800 tripulantes, inclusive sua mulher em trabalho de parto. E nessa hora tensa nasce James T. Kirk.

A partir daí somos apresentados à infância e juventude dele e de Spock. Um era o moleque rebelde que cresceu sem o pai e não aproveitava o potencial. O outro, uma mente brilhante que sofria com a dualidade da sua existência e o preconceito que sofria por ser um híbrido entre um vulcano e uma humana.

Daí o desenrolar em si, de como cada um entra na Frota Estelar, o começo da relação entre eles e como a Enterprise acaba com a configuração que todos conhecem, vale a pena vocês conferirem no cinema.

O destaque do filme sem dúvidas é Chris Pine, que cria um Kirk absolutamente carismático e verdadeiro. A gente torce por ele genuinamente.

Zachary Quinto também faz um bom trabalho como Spock, mas é sempre difícil dissociá-lo do seu Sylar de Heroes. E quando a gente fica constantemente lembrando de um personagem ruim de uma série pior ainda, é complicado aproveitar a atuação da forma que deveríamos.

Karl Urban foi para mim, o melhor do elenco depois do protagonista. E devo dizer até que seu Dr. McCoy teria sido meu personagem preferido do filme, se não fosse tão negligenciado pelo roteiro na metade final.

Zoe Saldana faz um trabalho correto como Uhura (embora tenha me parecido que tentaram aumentar a participação dela por ser a única figura feminina do filme). Sulu, Scotty e Chekov têm participações pequenas, mas bastante satisfatórias, principalmente como alívios cômicos (embora em diferentes momentos sejam essenciais para a vitória da tripulação).

E por fim vale mencionar Leonard Nimoy, o Spock clássico, que nesse filme tem uma participação crucial e é a chave para a transformação final do Kirk (e até mesmo do jovem Spock) no que ele deveria ser. Mesmo sem ter a ligação que os trekkies têm com aquele personagem e esse ator, não pude deixar de sentir um grande respeito, até mesmo reverência, aos momentos em que ele esteve em cena.

Resumindo: vale o ingresso. E muito. É um filme ótimo e divertido.

Bom o suficiente até para fazer alguém como eu ter vontade de conhecer melhor a série, coisa que os trekkies sempre me tiraram a vontade com suas chatices e esquisitices.

PS: Mas caramba, esse filme foi mesmo uma convenção nerd, né? Por trás das câmeras, dois dos criadores de Lost (o produtor Damon Lindelof e o diretor JJ Abrams) e no elenco um ator de Heroes (Zach Quinto, o Sylar) e outro de O Senhor dos Anéis (Karl Urban, o McCoy, era o Éomer na trilogia de Peter Jackson).

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