13/06
2009
Espero que seja apenas o começo
Há algum tempo eu já estava bem afim de assistir a Apenas o Fim, filme do estreante (e ainda estudante!) Matheus Souza, estrelado pelo Gregório Duvivier e pela Érika Mader. Em primeiro lugar, pelo fato de ser o primeiro filme nacional a ter um protagonista nerd. E depois por toda a história que envolveu a produção do longa.

Filmes com personagens nerds e que exploram esse universo em diálogos inteligentes e peculiares (para não dizer às vezes bizarros) não são exatamente novidade. Não digo o nerd estereotipado de um A Vingança dos Nerds (embora foda) ou de um The Big Bang Theory, mas sim aquele nerd que é real, que parece com os geeks que a gente vê, que a gente conhece ou que a gente é. Kevin Smith faz filmes assim com maestria desde o começo dos anos 90 (O Balconista é um marco, e Barrados no Shopping é igualmente brilhante), e temos até exemplos bem recentes, como o próprio Fanboys, embora mais escrachado.
Só que todos esses são nerds americanos, então dá pra gente se identificar com eles, mas só até certo ponto. Falta nessa mistura referências brasileiras, dessa nossa geração nascida nos anos 80 e que cresceu nos 90.
E isso tudo tem em Apenas o Fim, que, por questões de limitação, se passa inteiramente (ou quase inteiramente, não sei com certeza) no campus da PUC-Rio, e até por isso pode ser considerado O Balconista brasileiro (no Nerdcast #163 inclusive, o próprio Matheus Souza fica meio sem jeito de fazer essa comparação, mas ele pode ficar tranquilo que ela é pertinente sim).
Usar a rivalidade entre Sony e Nintendo em uma discussão de casal, ou referências sobre vídeo-game, desenhos animados, brinquedos e até mesmo sobre o maior trauma da nossa geração (descobrir que a Vovó Mafalda era homem) foram usados brilhantemente.

No filme, o protagonista está sendo deixado pela namorada, que só diz que vai embora para algum lugar, sem dizer para onde e nem exatamente o porquê. Até porque isso pouco importa. O interessante é ver dois personagens interessantes e semi-opostos (ele um nerd clássico, ela uma garota com um perfil mais descolado, mas com alguns gostos em comum com ele) orquestrando esse réquiem para uma relação, relembrando os bons momentos, os maus momentos e tudo entre isso. E funciona muito bem a química entre eles. Em apenas 80 minutos de filme, você consegue enxergar ali uma relação de alguns anos.
E o grande mérito disso é o roteiro, do próprio Matheus, que sabe passear pela estranheza do momento sem deixar de explorar a personalidade de cada um dos dois. Tanto que, mesmo sendo uma separação, o que o filme mais provoca é risos, principalmente graças a Gregório Duvivier, perfeito no papel.
Se em Podecrer! ele já é responsável pela melhor atuação como um bicho-grilo e em Z.E. – Zenas Emprovisadas não deixa a desejar em comparação aos hilários Marcelo Adnet e Fernando Caruso, aqui ele se torna um nerd completamente crível.
Ou melhor, ele se torna eu (ou quase, afinal, eu não sou magro, não uso óculos e, infelizmente, não pego a Érika Mader). Nunca vi um personagem que tivesse personalidade, gostos e opiniões tão iguais às minhas.
E ao contrário do que ouvi de amigos que viram o filme no último Festival do Rio, não achei que a Érika foi mal. Sim, concordo que ela ta parecendo mais ela mesmo do que uma personagem (e não no sentido de “nem pareceu que estava atuando”), mas acho que o roteiro permitia isso, criando uma personagem que, de fato, era muito parecida com a própria.
Ah, e as duas cenas de “esbarrões” na PUC, primeiro com um amigo sem noção e depois com a garota meio hippie são disparadas as duas melhores do filme, engraçadíssimas, assim como comentário sobre Iguaba Grande no começo (embora esse só quem seja do Rio deva ver a graça).
Recomendo a todos.

E agora, sobre o segundo motivo para eu querer ver esse filme… Bem, esse review já ficou longo pra cacete, então o tal motivo eu explico num outro post, amanhã.
Vejam Apenas o Fim para permitir que ele represente apenas o começo desse tipo de filme no Brasil.









Aim, depois esse review fiquei com mais vontade ainda de ver!
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