15/08
2009
A arte de constranger
O título desse post pode traduzir o que se tornou a especialidade de Sacha Baron Cohen, que em Brüno consegue mais uma vez acertar em cheio no humor semi-documentário que o elevou de celebridade britânica a mundial em 2006, com seu Borat.
Brüno, assim como Borat, vai fazer você rir durante toda a projeção. Mas, apesar do fashionista gay que quer se tornar celebridade nos EUA ser ainda mais provocativo que o simpático sr. Sagdiyev, esse filme ainda perde um pouco para o anterior (ao contrário do que a maioria dos blogueiros diz, talvez influenciados por terem visto em uma cabine exclusiva e terem se sentido importantes, né?).

O que torna Brüno inferior a Borat são dois fatores:
1) O formato não é mais surpreendente. Em Borat aquilo tudo era novo, mas dessa vez a gente já tem mais familiaridade com o Sacha explorando situações com pessoas normais e fazendo o humor em cima das reações delas.
2) Nesse filme, a proporção de cenas preparadas é maior, e o de cenas espontâneas menor. Isso era inevitável, já que agora não dava pra fingir que era uma matéria da TV cazaque. Mas prejudica porque a maior parte das risadas, tanto em Brüno como em Borat, não vêm unicamente das coisas que Cohen faz, e sim do preconceito e da ignorância expostas nas reações das pessoas.
O melhor exemplo disso é na cena do campeonato de luta, clímax do longa e, disparado, a melhor cena do filme. O que Brüno e Lutz fazem nela é engraçado e constrangedor, mas as gargalhadas vão vir não deles, mas de um “Oh, Shit!” em câmera lenta de um espectador, ou de outro chorando deprimido, além de outros tantos revoltados com aquela suposta afronta ao seu universo heterossexual.
Essa cena, ou as com os pastores, ou até mesmo a do talk show em Dallas, mostram tudo que esperávamos de Brüno e ainda superam essas expectativas.
Mas de resto, chocou tanto quanto podia? Tirando o pirucóptero (hilário!), acho que não… dava pra ter sido ainda mais.

E no fim das contas, o segundo maior repórter do Cazaquistão ainda tinha mais carisma, com aquela certa ingenuidade grosseira com pitadas de ignorância.
Mesmo assim, vá ver Brüno. É uma excelente forma de se constranger e rir disso ao mesmo tempo. Mas embora menos provocativo, Borat continua sendo aquele que colocou o dedo mais fundo na ferida.
PS: Esse papo de enfiar dedo fundo num post sobre Brüno acabou soando apropriado, não? E pior que foi sem querer…









Entao realmente borat foi sua masterpiece! otimo, nao queria que bruno superasse mesmo ehehe
[Reply]
acabei de ver no cinema aqui em brasilia.
putz, achei muito doido!
o Borat e o Larry nao tem limites pra sacanear, chocar e infringir a moral e os bons costumes!
pra mim ta no mesmo nivel de Borat!
fez jus!
[Reply]
acabei de ver no cinema aqui em brasilia.
putz, achei muito doido!
o Sacha e o Larry nao tem limites pra sacanear, chocar e infringir a moral e os bons costumes!
pra mim ta no mesmo nivel de Borat!
fez jus!
[Reply]
“ao contrário do que a maioria dos blogueiros diz, talvez influenciados por terem visto em uma cabine exclusiva e terem se sentido importantes, né?).”
HAUAHUAHU FALO TUDO!
[Reply]