Acho que 2009 tem sido um ano do resgate das boas comédias.
Primeiro veio Eu Te Amo, Cara, um bromance que surpreendeu todo mundo por ser hilário e verdadeiro ao mesmo tempo, mesmo partindo de uma sinopse que podia resultar em uma bela porcaria. Depois teve Se Beber, Não Case, o filme-fenômeno do ano, que levou todo mundo a rir do começo do longa até o fim dos créditos.
Agora é hora dessa boa safra afetar até mesmo uma comédia romântica, gênero explorado e desgastado à exaustão nos anos 90. Mas que encontra em A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth, no original) um filme que consegue escapar dos clichês (ou pelo menos de alguns deles) e se tornar bem divertido.

E o principal motivo disso é ele não ser água com açúcar, ou não apostar em personagens irreais. Claro, a estrutura básica está lá (dois personagens se conhecem, se odeiam, começam a se entender, se apaixonam, não querem admitir, têm um conflito e acabam juntos). Mas nesse caso, nenhum deles magicamente muda a personalidade (algo que é até criticado durante o filme).
E também não existe aquele certo pudor de alguns filmes do gênero. Os personagens falam palavrão, falam putaria abertamente. Como qualquer adulto normal. E nem por isso se tornam vulgares.

O longa é sobre a clássica diferença de mentalidade de homens e mulheres e como ela afeta os relacionamentos entre os dois. Abby, uma produtora de TV, tem que lidar com o novo colunista sobre relacionamentos do seu programa matinal. Mike fala sobre a verdade nua e crua do que homens e mulheres querem. Enfim, ele corta todo o “bullshit”. Com o tempo, ele vira uma espécie de tutor de namoro dela, num desafio para ver qual dos dois está certo. O resto é o caminho natural de comédias românticas, mas sem aquela hipocrisia toda.

Katherine Heigl e Gerard Butler estão muito bem, e o carisma e a química dos dois são essenciais pra dinâmica do filme. Ela vem se tornando quase que uma Jennifer Aniston moderna, já que todos seus papéis em filmes recentes não são muito diferentes da Izzie Stevens que interpreta em Grey’s Anatomy (assim como todas personagens da Jennifer são releituras da Rachel de Friends). Mas ela consegue sempre ser tão charmosa e natural nesses papéis (além de ser linda), que isso nem chega a incomodar. E se a cena do orgasmo em público não chega ao nível da Meg Ryan em Harry & Sally, também consegue ser bastante engraçada.

O filme estréia no Brasil na próxima sexta, e vale muito a pena. Pros caras, não vai ser tão difícil acompanhar a namorada como costumam ser em outras comédias românticas.
PS: Tem alguma lei obrigante toda comédia de 2009 a subir os créditos ao som de Right Round, do Flo-Rida? Foi assim em Se Beber, Não Case e agora nesse filme.