
Quando vi a lista dos indicados ao Oscar de Melhor Filme, em princípio não fiquei nada curioso em ver Educação (An Education no original). Mas tudo mudou quando soube que o roteiro (também indicado ao prêmio) era de Nick Hornby, meu escritor favorito.
Muita gente diz que o Nick é o autor que melhor expressa a alma de um homem contemporâneo. Não vou ser pretensioso de afirmar isso, mas posso garantir que pelo menos é o autor que melhor fala comigo. Seja a respeito do que é maturidade e prioridades em Um Grande Garoto, das armadilhas dos relacionamentos em Alta Fidelidade, de coisas grandes como a perspectiva diante da vida em Uma Longa Queda ou até mesmo de coisas aparentemente pequenas, como a paixão por um time de futebol em Febre de Bola. Até mesmo em Como Ser Legal, onde seu protagonista é uma mulher, ele conseguiu fazer com que ela tivesse uma certa essência masculina.
E talvez por isso, ele tenha acabado ficando perdido ao escrever Educação, focado em uma menina de 16 anos. Porque o filme, sem sombra de dúvidas, é o trabalho mais fraco que já vi dele. Não que o filme seja ruim, mas falta alguma coisa. Aliás, falta muita coisa.

O tema é bem claro, o contraste entre a educação tradicional e a famosa “escola da vida”. Jenny é uma adolescente que praticamente vive para estudar, sempre com seu pai (interpretado pelo sempre ótimo Alfred Molina) vigiando em cima e só a permitindo praticar atividades que possam facilitar sua entrada em Oxford. As coisas começam a mudar quando ela conhece David (Pete Sarsgaard), um homem de 35 anos, que se encanta por ela e começa a lhe mostrar os prazeres da vida.
E é basicamente isso, um passeio pelas descobertas de Jenny, que obviamente em algum momento encontra as decepções e aprende que as lições da escola da vida são bem mais duras do que as tinha no entediante sistema de ensino inglês.

O único elemento do filme que não é mediano é a atuação de Carey Mullingan, que recebeu uma justíssima indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Sua Jenny é disparado a melhor coisa do filme, simplesmente cativante. Seu misto de ingenuidade e curiosidade ao se deparar com um novo mundo além dos seus livros de latim soa extremamente genuíno. É um brilho nos olhos que conquista a gente e torna as duas horas do filme bem mais suportáveis. E além disso ela ainda é linda, mas com uma beleza real, comum e justamente por isso, ainda mais encantadora. Ela pega o espectador (e os homens do filme) com o olhar inocente, e fica impossível resistir. Tanto a ela como à atuação dela.
E já que o tema do filme envolve ensino, notas, etc, posso dizer que é só por Carey Mulligan que Educação não chegou a ser reprovado. Mas ficou de recuperação.
