6/03
2010
Não é uma bomba
Por Alexandre Esposito em Cinema
Guerra ao Terror chega nesse domingo como principal favorito ao Oscar, só ameaçado pra valer por Avatar e pelas merdas que um dos seus produtores anda fazendo.
E já era hora desse filme ser visto (e comentado) aqui no Vida Ordinária. E apesar de ter muitas bombas aparecendo e sendo desarmadas (ou não) em suas duas horas de duração, o filme está longe de ser uma delas. Guerra ao Terror faz jus ao hype e à força que vem para as premiações.

E o ponto alto é a direção de Kathryn Bigelow, que nos mantém num constante estado de tensão, com uma capacidade de construir a atmosfera de cada cena da mesma forma que seu ex-marido (e também na disputa do Oscar) James Cameron conseguiu nos dois primeiros filmes do Exterminador do Futuro. Assim como a saga de sobrevivência dos Connor, Guerra ao Terror é sufocante.
Sequência após sequência, Bigelow consegue com maestria nos prender à cadeira e segurar a respiração. Seja na cena do carro das Nações Unidas até o confronto de atiradores, tudo é muito bem cuidado, e sem pressa, deixando a cena crescer pela própria urgência das situações, e não por recursos baratos de edição ou de trilha sonora.

Alguns inclusive chamam o filme de “o Platoon do Iraque”. Acho um certo exagero, assim como os excessivos elogios ao roteiro, que é bom, mas longe de ser onde reside a força do filme. Guerra ao Terror é bom porque soa verdadeiro, como se fosse um documentário que mergulha na rotina de um esquadrão anti-bombas e, através de cada missão daqueles 3 homens, fôssemos destrinchando suas almas.
E essa verdade só é possível graças à acertada escolha por um elenco desconhecido e competente. Jeremy Renner, o protagonista, convence bastante como o militar que esconde suas amarguras e dúvidas por uma fachada badass. E seu Sargento Will James acaba se acostumando tanto com a rotina tensa de suas missões, que parece mais desconfortável e assustado num supermercado pra comprar cereais do que para decidir que fio cortar em uma bomba. Anthony Mackie como o sério Sanborn e Brian Geraghty como o inseguro Eldridge completam o trio que segura o filme perfeitamente. Os poucos nomes conhecidos do elenco, como Ralph Fiennes, Guy Pierce e Evangeline Lilly, nem chegam a ser coadjuvantes, e sim figurantes de luxo.

Enfim, um grande filme, com uma direção que merece ganhar o Oscar (embora os momentos Sérgio Leone do Tarantino também sejam incríveis em Bastardos). Mas sinceramente? Não seria a minha escolha para Melhor Filme. Nessa ainda vou de Avatar (ou melhor, de Distrito 9, mas esse nem tem chances mesmo).













