“Ordinary life is pretty complex stuff.”
Essa frase sobre o cotidiano, a vida comum, é de Harvey Pekar, autor de quadrinhos alternativos que virou filme em 2003. Ele faleceu hoje, aos 70 anos de idade.

Foi justamente em O Anti-Herói Americano (American Splendor) que pude conhecer essa figura, interpretada por Paul Giamatti, mas constantemente sendo mostrado em pessoa ou desenhado. Um homem que com uma personalidade meio arredia, introspectiva, turrona, poderia parecer à primeira vista um fracassado. O cara é mesmo todo errado, e só convive com gente tão bizarra quanto ele. Mas quando a gente olha direito, percebe que isso não torna ele nem sua vida menos interessantes.
Por isso que a vida ordinária é um troço bem complexo. Porque mesmo quando ela é uma merda, ela pode ser maravilhosa.
Harvey Pekar me fez enxergar isso, embora eu duvide que ele fosse concordar com essa minha frase, já que sempre aparentava um pessimismo.

Mas essa frase me marcou tanto que quando criei esse blog, não demorei a decidir que o nome seria Ordinary Life. Logo abandonamos o estrangeirismo e viramos Vida Ordinária. Mas a inspiração continua, e sempre o espírito desse blog vai ser o de procurar encontrar o extraordinário dentro de tudo com o que esbarramos nessa nossa vida ordinária.
Que descanse em paz. Ou que pelo menos encontre quem ouça as reclamações constantes que durante a vida toda ele sempre fez. Vai fazer falta.
No UoD o Neto colocou mais alguns vídeos dele no Letterman. Vale muito a pena conferir.
A onda de cartazes minimalistas anda forte mesmo.
Só que dessa vez, ao invés de pôsteres alternativos para filmes, vamos ver as artes que Ali Jabbar fez inspirado em grandes personalidades, seja da política, da arte ou dos esportes.
Olha só:






Tem mais aqui no portfolio dele. Bem legal.
Um mês se passou desde a primeira edição do Mixtape Ordinário. Apesar de já termos sucesso, fama e fortuna (not), nós não abandonamos você, querido leitor do nosso blog e estamos aqui lançando a segunda edição desse post.
Aqui no blog nós temos pessoas que viveram a adolescência em várias partes dos anos 90. Parte do blog lembra mais da primeira metade, e outra parte da segunda metade. A única coisa unânime é que todos nós frequentávamos aquelas matinés lindas e cheias de gente bonita que fazia dancinhas estranhas.
Por isso, o tema do segundo Mixtape Ordinário é o Matiné Feelings, que vai ser dividido em duas partes. A primeira, que você confere aqui embaixo e é especial pra quem ia pras matinés entre 90 e 94. A segunda parte vem daqui a 1 mês cobrindo o resto da década.
Mixtape Ordinário #2 by btaugusto
Mixtape Ordinário #2: Matiné Feelings (Parte 1)
Dr. Alban – Sing Hallelujah!
Corona – The Rhythm Of The Night
Donna Summer – Breakaway
C&C Music Factory – Gonna make you sweat
Haddaway – What is love
Ace of Base – The sign
Apache Indian – Boom Shak-a-Lak
Nada como uma rapidinha, um jogo rápido, nenhuma análise muito apurada, indicações ou críticas, who knows? Bom vamos cortar o papo furado.

O enclausurado Roman Polanski entrega ao público O Escritor Fantasma, uma película tão claustrofóbica (reflexo de sua atual situação?) quanto “Antes que o diabo saiba que você está morto”. Nessa epopéia do cárcere seguimos o tal escritor fantasma do título, que nunca tem seu nome revelado, contratado para escrever a autobiografia do ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha que está prestes a ter sua quase perfeita vida politica ser derrubada por acusações de crimes de guerra. Nos ambientes fechados há sempre uma janela, muitas vezes grandes, para mostrar o mundo cinzento do lado de fora e oprimir cada vez mais quem se encontra do lado de dentro.
Apostando no velho jogo de detetives dos filmes noir, Polanski demonstra um talento e faro para criar situações de humor involutário quando a tensão é cada vez maior, afinal nosso personagem principal pode ser um ótimo escritor, mas está longe, como é desenvolvido ao longo de todo filme, de ser um bom jornalista e detetive: ele se perde em detalhes, pistas e ignora informações importantes. E entre personagens que não assumem papéis de heróis, vilões e numa história embaralhada de intenções obscuras, onde a verdade não é revelada por completo, somos surpreendidos por um final exemplar, cômico e trágico.
Obrigado, Polanski.

Saudações de um futuro pós-apocaliptico em A Estrada: um pai e um filho tentam sobreviver nesse mundo cinzento (essa cor predominante no post de hoje) que parece ter sido queimado por completo (sem razão aparente, evitando culpar homem ou natureza, ou usar qualquer mensagem piegas pró-ativismo, antibélico, etc). Conduzindo a história como um Western, o diretor John Hillcoat consegue transpor toda a apreensão que o livro carrega, juntando isso as imposições de viver num mundo que moral e medo se misturam num turbilhão sem esperança. Não existem anjos, histórias, terras prometidas, o nada está presente em tudo, não existem leis, mas essa liberdade transforma todos os sobreviventes em prisioneiros de seus próprios medos.
Toda grande aventura começa com um desafio.
O de Iker Casillas era capitanear a mais forte seleção espanhola da história em uma Copa do Mundo, tentando superar a fama de amarelona e pela primeira vez conquistar a taça.
Todo desafio envolve alguma complicação.
A de Casillas foi ver a Espanha perder a primeira partida e ouvir de toda a mídia de seu país culpar não apenas ele, mas também sua namorada Sara Carbonero, repórter de campo, pela derrota. Ela supostamente teria distraído o goleiro durante o jogo contra a Suíça.
Todo final feliz começa com a superação dessas complicações.
O de Casillas veio através de defesas importantes nas 4 vitórias finais, todas por míseros 1×0. A namorada era uma distração? Só se foi distração pro Cardozo, que bateu um pênalti nas quartas-de-final para o Paraguai e viu o goleiro espanhol pegando. Só se foi pro Robben, que por duas vezes esteve na cara do gol e não passou por Casillas, goleiro campeão do mundo de 2010 e Luva de Ouro da competição.
E todo final feliz tem um beijo:
E todos viveram felizes para sempre até 2014.