17/10
2010
O maior herói mexicano depois do Chapolim
Por Alexandre Esposito em Cinema
Existe uma grande diferença entre um filme B e um filme ruim. O filme ruim é aquele filme que tenta ser sério, bem feito, e que falha nesse propósito. O filme B é tosco de propósito, e tenta através dessa tosquice ser divertido.
Machete é um filme B, e acaba sendo tão sensacional nesse propósito, que chega até mesmo a superar bons filmes sérios.

Originalmente apenas um dos trailers falsos de Grindhouse (o projeto conjunto do Robert Rodriguez com o Tarantino
que era formado por Planeta Terror e À Prova de Morte), a idéia de uma aventura protagonizada pelo sempre competente Danny Trejo
ganhou popularidade e força, e um filme de verdade acabou sendo feito.
E nesse filme, Robert Rodriguez provam que o potencial do personagem, que em uma jornada pouco comum, acaba se tornando um dos heróis mais carismáticos dos últimos tempos. Como diz o protagonista numa das últimas falas do filme: “Pra que eu vou querer ser uma pessoa de verdade se eu já sou um mito?”
É verdade. Pode ser no underground dos filmes trash, mas Machete se torna um mito com esse filme.

Assim como em Grindhouse, toda a estética de Machete é inspirada nos filmes de exploitation dos anos 70. Tem decaptações toscas, sangue jorrando pra todo lado e trilha canastrona pros momentos em que o protagonista vai partir pra pegação. E como Robert Rodriguez é, assim como seu amigão Tarantino, um grande fã e estudioso de cinema, ele consegue conduzir o longa dentro desse estilo perfeitamente, com todo esse absurdo soando até natural. Uma determinada cena, em que um comboio de carros tunados da forma mais brega possível parte para a “guerra”, é hilária, mas ao mesmo tempo consegue ser empolgante.
Aliás, isso acontece em praticamente todas as cenas do filme. Sempre tem alguma coisa que vai fazer você rir, por mais “séria” que a situação possa ser. Uma contradição que só consegue funcionar na mão de quem tem o domínio entre a homenagem ao gênero e a própria identidade como diretor.

Na trama, Machete é um ex-policial federal mexicano que, 3 anos depois de sofrer uma traição e ter sua mulher e filha mortas por um traficante, se vê nos envolvido a uma grande conspiração nos EUA envolvendo política, tráfico de drogas e o combate a imigrantes ilegais. E o que mais surpreende nesse roteiro é que, mesmo sendo pura galhofa, ele acaba sendo mais rico e bem amarrado do que o da maioria dos filmes que vemos por aí. Mérito do Robert Rodriguez ou desleixo do resto? Acho que um pouco dos dois.
As atuações, claro, como esse tipo de filme exige, são bem canastronas. Mas canastrice não é necessariamente um problema, até mesmo em filmes normais. Vide Harrison Ford, que sempre foi canastrão e apesar disso (ou talvez é mesmo por causa disso) tornou seu Indiana Jones e seu Han Solo inesquecíveis. E daí que Machete traz várias figuras divertidíssimas, desde o próprio Danny Trejo no seu carisma sliencioso cuja única obrigação é parecer badass até Robert DeNiro
, Jessica Alba
, Cheech Marin (espetacular como o irmão de Machete, um padre hardcore), Jeff Fahey
e Michelle Rodriguez
(como sempre fazendo papel de mulher macho, mas dessa vez funciona melhor). Em Machete a tosquice fala tão alto que até Steven Seagal
, o pior ator do mundo, funciona bem como o grande vilão. De apagada mesmo, só a atuação da Lindsay Lohan
. Mas ela está gostosa, e num filme B é isso que importa, né?

Ou melhor, num filme B o que importa é não levar nada a sério. É ver e se divertir. E com Machete isso não só é possível como é fácil.
Um dos filmes mais divertidos do ano.









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Pessoal, me tira uma duvida que sempre tive, esse Machete é o mesmo do filme spy kids (pequenos espiões) ????????
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Pips Reply:
October 19th, 2010 at 17:32
Sim e de todos os filmes do Robert Rodriguez, ele sempre faz uma ponta.
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muito bom esse filme
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