21/10
2010
Juventude Digital

Minha opinião é a seguinte: pode ter sido uma bola de papel, pode ser que tivesse uma pedra dentro da bola de papel, pode ser que alguém tenha jogado pro alto sem a intenção de acertar, pode ser que tenham tido a intenção, pode ser que tenha sentido dor e enjoo e tonteira, pode ser que não tenha sentido nada e simulado tudo por recomendação de assessor, mas você, brasileiro, acha divertido ficar especulando e acusando porque é mais fácil e mais baixo do que se ater aos fatos. Nota só. Quanto mais ignorante e menos politizada a pessoa é, mais importante a invenção sem fins didáticos é pra ela.
A pessoa curiosa – e curiosidade é virtude (acho) – vai até onde a história é importante, assiste aos vídeos e vê as fotos e diz: “Ele mentiu, ele é escroto, não voto nele” (ou o contrário, apenas aja). Já você não vai apurar, prefere retuitar piadas e mandar e-mail pros seus amigos com fonte tamanho 16. Existe uma diferença entre ser curioso e ter uma vida chata. Como disse o Roger Ebert, é muito importante que você estude pra ser alguém interessante, porque você ainda vai passar muito tempo com você mesmo.
Hoje nossa coluna “Entendendo” volta ao mundo político e mergulha na segunda parte dessas eleições presidenciais. E se antes da primeira votação falamos dos candidatos, nessa reta final vamos falar da disputa em si. É hora de entender o 2º turno.

Um 2º turno que começou estranho. Mais estranho até do que a cara de vampiro do Serra e que os dentes à la Ronaldo da Dilma. Se antes todos mantinham uma certa cordialidade, agora é só porrada. Especialmente vinda do candidato tucano, desesperado com as pesquisas que sempre o apontam como perdedor. Mas na baixaria os dois andam bem equilibrados.
Primeiro o Serra fez uma marchinha contra a Dilma, e logo depois a Dilma fez uma marchinha contra o Serra. Aí veio o axé de um contra o outro. Depois o samba. Do jeito que a coisa está, daqui a pouco não vamos escolher o presidente do Brasil, e sim o repertório do carnaval 2011.
Mas o que mais me impressiona é a falta de discussão sobre os temas que mais interessam à população. Ninguém fala de programa de governo, dos planos para educação, para a economia, saúde, infra-estrutura, etc. No caso do Serra, nem no site dele tem. Tirando o salário mínimo novo que ele está propondo, a campanha dele é toda baseada em agressão, o que me leva a crer que o programa de governo dele é o Premiere Combate.
Não que ele não tenha argumentos para atacar a Dilma. O caso Erenice Guerra é mesmo um escândalo. Mas até aí o caso Paulo Preto também. E nesse troca de acusações de lado a lado (e todas com fundamento), bate na gente aquela vontade de poder voltar ao começo e escolher melhor quem deveria ter ido pro segundo turno.


E claro, falando dessas últimas semanas, é impossível ignorar a discussão religiosa que tomou conta dessa disputa. Uma discussão que deveria ser inexistente, uma vez que o Brasil é um Estado laico. Aborto é para ser discutido sim, mas como caso de saúde pública. União de homossexuais também, mas como caso de direito civil. Meter Deus no meio não tem nada a ver.
Até porque, se a religião contasse tanto para alguém votar, deveriam ter eleito o Plínio, que é contemporâneo de Moisés.

Mas se tem uma coisa que não compreendi ainda foi o tal folheto que a CNBB fez contra a Dilma. Pois bem, a esposa do Serra diz que a Dilma é comunista. E comunistas comem criancinhas. Não deveriam então os padres justamente se identificarem com a Dilma e apoiá-la?

Enfim, seja qual for o resultado dessa eleição, a disputa que está decidindo ela é uma piada, absurda. E creio inclusive que, seja qual for o resultado dela, estamos meio ferrados.
Que Deus nos ajude (até mesmo pra compensar, já que os seguidores dele estão escrotizando a parada toda).
Olha aí a criançada do nosso velho conhecido PS22 Chorus esculachando mais uma vez, agora em um cover do MGMT:
Das mesmas mentes geniais do College Humor que já trouxeram o “Aprendendo violão para fazer sexo”, mais um vídeo hilário.
Ou uma lição.
Interprete como preferir.
Aliás… Arpeggio.
Algo me diz que essa tirinha vai fazer bater uma leve deprê nostálgica em muita gente.

26 anos depois de Weird Al Yankovic nos brindar com a já clássica Eat It, paródia de Beat It do Michael Jackson, finalmente surgiu outra versão tão engraçada quanto.
Dessa vez saem os obesos e entram os usuários de iPhone, iPad
e Twitter. Genial, tanto a letra quanto o clipe:
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