Existe uma grande diferença entre um filme B e um filme ruim. O filme ruim é aquele filme que tenta ser sério, bem feito, e que falha nesse propósito. O filme B é tosco de propósito, e tenta através dessa tosquice ser divertido.
Machete é um filme B, e acaba sendo tão sensacional nesse propósito, que chega até mesmo a superar bons filmes sérios.
Originalmente apenas um dos trailers falsos de Grindhouse (o projeto conjunto do Robert Rodriguez com o Tarantino que era formado por Planeta Terror e À Prova de Morte), a idéia de uma aventura protagonizada pelo sempre competente Danny Trejo ganhou popularidade e força, e um filme de verdade acabou sendo feito.
E nesse filme, Robert Rodriguez provam que o potencial do personagem, que em uma jornada pouco comum, acaba se tornando um dos heróis mais carismáticos dos últimos tempos. Como diz o protagonista numa das últimas falas do filme: “Pra que eu vou querer ser uma pessoa de verdade se eu já sou um mito?”
É verdade. Pode ser no underground dos filmes trash, mas Machete se torna um mito com esse filme.
Assim como em Grindhouse, toda a estética de Machete é inspirada nos filmes de exploitation dos anos 70. Tem decaptações toscas, sangue jorrando pra todo lado e trilha canastrona pros momentos em que o protagonista vai partir pra pegação. E como Robert Rodriguez é, assim como seu amigão Tarantino, um grande fã e estudioso de cinema, ele consegue conduzir o longa dentro desse estilo perfeitamente, com todo esse absurdo soando até natural. Uma determinada cena, em que um comboio de carros tunados da forma mais brega possível parte para a “guerra”, é hilária, mas ao mesmo tempo consegue ser empolgante.
Aliás, isso acontece em praticamente todas as cenas do filme. Sempre tem alguma coisa que vai fazer você rir, por mais “séria” que a situação possa ser. Uma contradição que só consegue funcionar na mão de quem tem o domínio entre a homenagem ao gênero e a própria identidade como diretor.
Na trama, Machete é um ex-policial federal mexicano que, 3 anos depois de sofrer uma traição e ter sua mulher e filha mortas por um traficante, se vê nos envolvido a uma grande conspiração nos EUA envolvendo política, tráfico de drogas e o combate a imigrantes ilegais. E o que mais surpreende nesse roteiro é que, mesmo sendo pura galhofa, ele acaba sendo mais rico e bem amarrado do que o da maioria dos filmes que vemos por aí. Mérito do Robert Rodriguez ou desleixo do resto? Acho que um pouco dos dois.
As atuações, claro, como esse tipo de filme exige, são bem canastronas. Mas canastrice não é necessariamente um problema, até mesmo em filmes normais. Vide Harrison Ford, que sempre foi canastrão e apesar disso (ou talvez é mesmo por causa disso) tornou seu Indiana Jones e seu Han Solo inesquecíveis. E daí que Machete traz várias figuras divertidíssimas, desde o próprio Danny Trejo no seu carisma sliencioso cuja única obrigação é parecer badass até Robert DeNiro, Jessica Alba, Cheech Marin (espetacular como o irmão de Machete, um padre hardcore), Jeff Fahey e Michelle Rodriguez (como sempre fazendo papel de mulher macho, mas dessa vez funciona melhor). Em Machete a tosquice fala tão alto que até Steven Seagal, o pior ator do mundo, funciona bem como o grande vilão. De apagada mesmo, só a atuação da Lindsay Lohan. Mas ela está gostosa, e num filme B é isso que importa, né?
Ou melhor, num filme B o que importa é não levar nada a sério. É ver e se divertir. E com Machete isso não só é possível como é fácil.
Ok, o título desse post pode estar um pouco exagerado, já que em meio a momentos históricos como as falas pré-morte de Cidadão Kane, A Profecia, 2001 e Star Wars, tem muita coisa trash também.
Mas ainda assim, é um belo apanhado de últimas palavras que vimos nas telonas nas últimas décadas:
Natalia Pinheiro Apaixonada por tipografia, viagens, sorvete e chocolate. Nas horas vagas, ataca de mestre-cuca e é chamada de maluca, mas é tudo mentira.
O Baú dos Covers nessas últimas semanas está dando lugar à Copa dos Covers, onde você nos ajuda a eleger o melhor cover de todos os tempos. E hoje começa o mata-mata. Como diria o Galvão: HAJA CORAÇÃO!
Como funciona: igualzinho à Copa do Mundo de futebol. Eu e alguns dos outros autores e editores do Vida Ordinária selecionamos os nossos covers favoritos e montamos uma lista com os 32 finalistas. Essas 32 versões foram sorteadas aleatoriamente em 8 grupos de 4. Cada semana você vota aqui no seu cover preferido de cada grupo e os 2 mais votados se classificam. A partir daí, é mata-mata, com confronto diretos desde as oitavas de final até a grande decisão. Sempre com tudo definido pelo seu voto.
Semana passada encerramos a primeira fase com os dois últimos grupos. Olha o que deu no Grupo G:
1º Lugar: Twist And Shout (The Beatles/The Topnotes)
2º Lugar: She (Elvis Costello/Charles Aznavour)
Aliás, grupo que ficou marcado pela disputa acirrada pelo segundo lugar. Enquanto os Beatles dispararam desde cedo, Elvis Costello só superou os Sex Pistols e Marylin Manson por pouco..
No Grupo H, terminou assim:
1º Lugar: I Started A Joke (Faith No More/Bee Gees)
2º Lugar: Toxic (Yael Naim/Britney Spears)
E assim estão definidos os nossos confrontos das oitavas de final.
Começa com a versão do Cake para I Will Survive, o sucesso imortalizado por Gloria Gaynor e adotado como hino pelo gays, enfrentando a releitura de Girl You’ll Be A Woman Soon que o Urge Overkill fez e que Pulp Fiction catapultou ao sucesso.
Tem também o clássico With A Little Help From My Friends, o cover de Joe Cocker que superou o original dos Beatles, confrontando a consagrada versão do Muse para Feeling Good, da Nina Simone.
Last Kiss, canção do passado que o Pearl Jam transformou em hit mundial, enfrenta I Am The Walrus, hino psicodélico dos Beatles que sempre fez parte do repertório do Oasis.
Num duelo de gerações, a versão dos Beatles para Twist And Shout enfrenta o aclamado cover da cantora israelense Yael Naim para Toxic, de Britney Spears.
O incrível cover do gigante havaiano Iz para Over The Rainbow está frente a frente com outra versão marcante, a de Gary Jules para Mad World, do Tears For Fears.
No 6º confronto dessas oitavas de final, a Hallelujah que Jeff Buckley regravou de Leonard Cohen confronta toda a energia do cover do Joey Ramone para What A Wonderful World.
O clássico oitentista Tainted Love, um cover feito pelo Soft Cell, enfrenta nada menos do que a música eleita a melhor de todos os tempos, Like A Rolling Stone, no seu cover feito pelos Rolling Stones.
E lá vamos nós ao fim de mais uma semana e aos nossos meninos. Com vocês o ilustríssimo David Gandy começando o post de hoje.
E o time conta ainda com: Adam Senn, Alexandre Cunha, Alex Lundqvist, Andres Risso, Cesar Casier, Clément Chabernaud, David Gandy no repeteco, Leandro Lima, Lorenzo Weck, Martin Mica, Mat Gordon, Murilo Castelanni, Ricardo Silva, Taylor Fuch e Thibault Oberlin.
Natalia Pinheiro Apaixonada por tipografia, viagens, sorvete e chocolate. Nas horas vagas, ataca de mestre-cuca e é chamada de maluca, mas é tudo mentira.