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2010
A Rede Social do Anti-Social
Em princípio, um filme sobre a criação de uma rede social pode parecer pouco interessante. No momento em que essa rede social agrupa mais de 500 milhões de usuários e cria o bilionário mais jovem do mundo, a coisa começa a mudar. E quando essa história é contada por um dos maiores diretores da atualidade, o filme se torna imperdível.
A Rede Social (The Social Network no original), novo filme de David Fincher, conta exatamente isso: como Mark Zuckerberg deu vida ao Facebook e toda as intrigas, traições e afins que aconteceram no processo, entrecortando na trama a história dessa criação e as audiências dos processos que Zuckerberg sofreu.

E se a trama em si é relativamente simples e sem grandes atrativos, basta olhar por debaixo dessa primeira camada pra gente conseguir enxergar n’A Rede Social um retrato da nossa geração e um dos melhores filmes do ano.
Clique aqui para ler a continuação desse post.
Desde a primeira cena a gente vai perceber que Mark Zuckerberg (muito bem vivido por Jesse Eisenberg) é um cretino. Como diz a namorada dele no começo, ele precisa entender que leva fora das mulheres não por ser nerd, mas por ser um escroto. A questão é que ele é um escroto solitário. Um pequeno gênio da programação sem o menor traquejo social e que está sempre buscando aceitação, inclusão, mas que não sabe como conseguir isso e acaba agindo para piorar ainda mais sua situação. E assim ele vai construindo sua reputação em Harvard enquanto é odiado.

Mas mesmo vendo que ele é um babaca, é difícil odiar o cara. Afinal, ele é como um exagero de nós mesmos. Todo mundo quer ser aceito. Mas não é só nas necessidades que ele cria empatia com o público. Nos defeitos também. Somos uma geração egocêntrica, para não dizer egoísta. Competitivos, sempre queremos ser os melhores, às vezes esquecendo que a melhor forma de conseguir isso seja justamente em equipe. Numa cena perfeita do filme, vemos uma prova de remo acontecendo, e passa bem isso: pra ganhar, todos têm que unir forças, remar juntos, sem querer a glória individual.
Somos, de certa forma, sozinhos também (não necessariamente solitários). E não adianta negar. A tecnologia ao longo da história tem tentado criar novos meios da gente se relacionar, e com isso temos sido cada vez menos capazes fazer isso naturalmente, criando necessidade de mais meios de interação, formando um círculo vicioso. Um exemplo está aqui mesmo. Eu estou escrevendo esse review sozinho num quarto enquanto você está lendo numa situação parecida. Mesmo que você esteja num ambiente lotado de gente, você está vivenciando essa experiência sozinho, certo? Cada vez menos passamos tempo com outras pessoas, e o resultado disso é que cada vez menos sabemos como agir em meio delas. Mas estou divagando.

O que quero dizer é que, hoje, um dos lugares onde as pessoas mais trocam idéias, experiências, opiniões ou simplesmente se divertem, é o Facebook. E não chega a ser irônico que toda essa experiência social tenha sido desenvolvida justamente por um anti-social?
Voltando ao filme: Zuckerberg encontra, no momento em que é convidado a ajudar no projeto de uma rede social, uma oportunidade de criar algo melhor que o proposto, e assim nasce o Facebook, a partir de uma leve rasteira em 3 colegas de Harvard. Com a ajuda e o financiamento do seu melhor amigo, o brasileiro Eduardo Saverin (interpretado por Andrew Garfield, na melhor atuação do filme), ele cria o Facebook. O resto, melhor eu não contar pra não estragar.

Enquanto Zuckerberg é a versão exagerada das nossas fraquezas, Saverin mostra um lado humano mais palpável, que torna fácil nos identificarmos com ele. Mesmo com algumas decisões erradas, o personagem dele se mostra o mais leal, íntegro e até ingênuo da trama. E a empatia com ele só aumenta enquanto vemos a inabilidade social do Zuckerberg ruindo a confiança e amizade dos dois.
Um fator que ajuda a ruir essa amizade é Sean Parker, um dos fundadores do Napster que surge para trazer uma nova perspectiva de negócios para o Facebook. E se você já não odiava Justin Timberlake pela música, vai odiar por esse filme. Afinal, ele encarna muito bem o fdp do Parker, personagem mais desprezível do longa, mesmo que, de certa forma, tenha sido importante para o crescimento das pretensões do Facebook.

São os 3 atores principais, aliados a um ótimo roteiro e à direção impecável do Fincher que nos levam a, cada vez mais, perceber no Zuckerberg e no filme como um todo um espelho para as nossas fraquezas e anseios. Todo mundo quer sempre mais, e por conta disso acaba perdendo o que realmente interessa.
É essa capacidade de auto-crítica que o filme nos dá ao seu final que torna A Rede Social um dos melhores filmes de 2010.









[...] This post was mentioned on Twitter by aesposito, Gustavo Nascimento, André Stoeberl, Renan Perez Daniel, DJ KBEÇA and others. DJ KBEÇA said: A Rede Social do Anti-Social http://bit.ly/aSP8go [...]
Ótima resenha. Ainda não vi o filme, mas me deixou com mais vontade. E eu acho que Timberlake devia largar a carreira de músico e investir no cinema. O cara é bom. Pelo menos até onde vi.
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Adorei a resenha xandão, quero ver o filme!
Gostei do raciocínio – E não chega a ser irônico que toda essa experiência social tenha sido desenvolvida justamente por um anti-social?- bem verdade!
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[...] A Rede Social do Anti-Social Em princípio, um filme sobre a criação de uma rede social pode parecer pouco interessante. No momento em que essa rede social agrupa mais de 500 milhões de usuários e cria o bilionário mais jovem… [...]
[...] o fundo musical com Creep em coral (na mesma versão do trailer de A Rede Social) deu um toque a mais, [...]
sucks…
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Gosto de filme, o diretor é excelente.
Mas suas divagações foram mais psicologicas doq cinemetograficas.
Não me ajudou a querer ver o filme
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[...] 0 Tweet Semana que vem estréia no Brasil A Rede Social, filme sobre a criação do Facebook, cujo review vocês já leram aqui. [...]
[...] Semana que vem estréia no Brasil A Rede Social, filme sobre a criação do Facebook, cujo review vocês já leram aqui. [...]
[...] É justamente o que eu penso! Alguns já consideram que A rede social é o retrato da geração do século 21, assim como muitos outros são considerados. Veja esta lista: 10 filmes que definiram gerações. Leia também: A rede social do anti-social. [...]
Não pude assistir no cinema, mas estou louca para que saia logo em DVD.
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[...] que os reviews de A Rede Social, Cisne Negro, A Origem, Bravura Indômita, Toy Story 3 e O Discurso do Rei já estão no [...]
[...] que os reviews de A Rede Social, Cisne Negro, A Origem, Bravura Indômita, Toy Story 3 e O Discurso do Rei já estão no [...]
[...] de A Origem, ali em cima, vocês conferem abaixo as versões de A Rede Social, O Discurso do Rei, Inverno da Alma, Cisne Negro, 127 Horas, Toy Story 3, O Vencedor, Minhas Mães [...]