30/11
2010
Reviews musicais #1
O Vida Ordinária sempre foi um blog bem musical. Sempre que temos uma oportunidade, estamos aí botando músicas legais, toscas, da moda ou chatas na sua cabeça. Por isso, agora vamos começar a fazer esses posts com reviews musicais, provavelmente mensais, falando dos lançamentos mais legais do mês pra você comprar/baixar sem medo. Esse mês, nós estamos falando dos novos albuns do Cee-Lo Green, Rihanna, Kanye West e a estreia da Nicki Minaj. Os reviews você confere aqui embaixo, depois do jump.
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Cee-Lo Green (The Lady Killer)
Thomas Callaway, Cee-Lo ou Cee-Lo Green não é um artista muito tradicional. Apesar de ter uma série de sucessos ao longo da carreira, ele também conseguiu uma bela coleção de fracassos. E foram exatamente esses fracassos que o transformaram em um dos artistas mais interessantes da atualidade.
Com a carreira musical iniciada com o Goodie Mob em 1992 e dois albums solo que foram muito elogiados pela crítica mas não fizeram muito sucesso, foi na parceria com o Danger Mouse e a criação do Gnarls Barkley que ele chegou ao topo dos charts mundiais. Pois é, muita gente não sabe que Gnarls Barkley não é nome de uma pessoa e muito menos que o Cee-Lo fazia parte dele.
Até aí, era de se esperar que ele abandonasse de vez a carreira solo e fosse se dedicar apenas ao Gnarls Barkley. Afinal, depois de mais de 10 anos ele finalmente tinha chegado ao topo do mundo musical. Foi aí que, no início desse ano, o Cee-Loo surpreendeu todo mundo com a sua voz incrível e um novo mega hit lançado no Youtube chamado Fuck You.
Pra muita gente, era um artista novo aparecendo na cena musical. Outros já reconheceram de cara o integrante do Gnarls Barkley, com a sua inconfundível voz estridente. O que era unanimidade era que todos estavam diante de uma das músicas mais divertidas, diferentes e bem produzidas do ano. Só restava aguardar o cd completo e saber se toda a força criativa dele não estava concentrada apenas naquela música. Esse mês, com o lançamento do cd The Lady Killer, vimos que esse não é um trabalho de um hit só, mas um que vai ficar gravado na história da música pra sempre.
O cd é uma mistura do que existe de mais pop na black music, ritmos dos anos 50, composições simples e feitas pra divertir qualquer um. É impossível não reconhecer a referência ao baixo de Billie Jean na incrível Bright Lights Bigger City e muito menos não se divertir com as misturas de sons em Love Gun.
O grande trunfo de The Lady Killer é voltar à simplicidade, sem alterações absurdas na voz e sem muitos sintetizadores interferindo no som que acabaram fazendo parte de 90% dos albuns lançados hoje em dia. Não é só Fuck You que sustenta a já mais famosa produção solo do Cee-Lo Green, mas uma série de músicas nitidamente feitas com o mesmo tratamento e cuidado que os singles do album. Sem dúvida, um dos melhores desse ano.
Ouça primeiro: Fuck You, Bright Lights Bigger City, It’s Ok e Love Gun
Rihanna (Loud)
Rihanna apareceu no cenário musical, descoberta pelo Jay-Z, como mais uma cantora pop com influências de Beyoné, Madonna, Christina Aguilera, Britney Spears e cia. Não era de se esperar que ela fosse se transformar na mega popstar que é hoje, provavelmente uma das mulheres que mais influencia a música pop, junto de Lady Gaga e Beyoncé.
Os seus dois primeiros albuns apresentavam um estilo bem genérico, querendo vender a imagem dela como uma menina de Barbados cantando músicas com batidas eletrônicas misturando muito R&B e algus ritmos tropicais, pra combinar com a sua imagem exotica. Mas foi na união com o Timbaland e Jay-Z, no seu terceiro album, que ela mostrou todo o seu potencial como popstar. Largou a imagem de menininha de Barbados e assumiu uma attitude bem diferente, passando a fazer música pra dançar. Não precisa nem comentar onde esse trabalho chegou, porque acredito que não existe um ser humano que nunca tenha ouvido Umbrella ou Please Don’t Stop the Music.
Sendo uma mulher que tinha uma vida pessoal bem reservada, foi o famoso acontecimento com o seu ex namorado Chris Brown que acabou sendo fundamental para a Rihanna que nós conhecemos hoje. Depois de ser agredida pelo namorado horas antes de entrar pra se apresentar no Grammy, ela passou toda a sua raiva com toda aquela situação para o próximo cd: Rated R. Com um clima mais pesado do que era esperado, ela não descontou a sua raiva nas letras das músicas mas sim no clima de todo o Rated R. Diferente do seu album anterior, agora a maior mistura do album estava entre o hip-hop e o rock, como a incrível parceria dela com o guitarrista Slash na faixa Rockstar 101 e o primeiro single Russian Roulette. Foi nessa fase que ela assumiu uma imagem bizarra e, as vezes, um pouco perturbadora nos seus clipes e apresentações. Foi aí que a Rihanna rompeu de vez com a sua imagem de garota baladeira de Barbados. Agora, ela tinha provado pra todo mundo que tinha, sim, o poder de transformar bastante o seu estilo musical.
O que nós vemos no novo trabalho de studio dela, Loud, é uma mistura de tudo que ela mostrou até agora na sua carreira. What’s My Name tem uma semelhança enorme com os seus primeiros trabalhos, a animada S&M já se aproxima bastante das suas músicas de Good Girl Gone Bad e Love the Way You Lie (part 2) já fica mais próximo de Rated R. No geral, esse novo trabalho dela não é tão consistente quanto os dois últimos, responsáveis por transformá-la no que ela é hoje. Parece mais um apelo da gravadora pra vender grandes hits, papel que esse album vai cumprir sem problemas. É um trabalho cheio de músicas que vão grudar na cabeça e tocar em todas as boates, mas não vai ser muita coisa além disso.
Loud não é ruim. Eles só não é forte o suficiente pra ser lembrado por muito tempo e muito menos virar referência para novos artistas, coisa que todo mundo já sabe que a Rihanna é capaz de fazer. Afinal, é um pouco estranho ver um artista fazer músicas para outros albuns (Kanye West e Eminem) melhores que para o seu próprio.
Ouça primeiro: Only Girl (in the world), S&M, What’s my name e Love the way you lie (part 2)
Kanye West (My beautiful dark twisted fantasy)
Aqui estamos falando de um dos artistas mais controversos dos últimos tempos. Apesar das suas milhões de declarações infelizes e do episódio bizarro do VMA onde ele interrompeu a Taylor Swift no meio do agradecimento do prêmio dela, a gente tem que admitir que, apesar dele não ser lá um exemplo de ser humano, ele é um artista incrível.
O grande momento na carreira do Kanye West foi o seu segundo album, Late Registration, que foi um grande sucesso de vendas, deu a ele os primeiros Grammys e foi aclamado pela crítica. O Kanye West sempre foi muito bom em não usar apenas as suas habilidades de produtor nas suas músicas, que são comprovadamente excelentes, mas também de sempre ficar ligado em tudo que ronda não apenas o mundo da música, mas a cultura pop de forma geral. Foi a partir de um sample de I got a woman e pegando carona no filme do Ray Charles (interpretado pelo Jamie Foxx, parceiro dele na música) que surgiu Gold Digger, uma das suas músicas mais famosas.
O mesmo aconteceu no seu terceiro trabalho de estúdio, onde ele criou a famosíssima Stronger, usando samples de uma músca do Daft Punk. Foi nesse album e no 808s & Heartbreak, seu quarto album de estúdio, que ele fixou o seu estilo próprio não apenas através das suas parcerias, mas também com as suas outras composições que fugiam bastante do hip hop convencional.
Agora, depois de anos tentando construir um estilo próprio, ele finalmente chega com o que é, até agora, o seu melhor trabalho. My beautiful dark twisted fantasy é um trabalho megalomaníaco, que junta o melhor de tudo o que o Kanye West já criou em uma grande mistura de hip-hop com música clássica, pop, R&B e todo o potencial dos sintetizadores que ele tanto gosta. O surpreendente é que todo esse exagero funcionou extremamente bem.
Como eu já falei, é um pouco difícil definir um estilo predominante pra esse album. Ele tem músicas mais puxadas pro pop como All of the lights, em parceria com a Rihanna. Logo depois, um hip hop mais pesado com Monster, em parceria com Jay-Z e Nicki Minaj. E, algumas músicas depois, uma mistura de música clássica com R&B, com a sensacional Runaway.
Ao mesmo tempo em que temos sintetizadores o tempo todo interferindo na voz dele, temos momentos de simplicidade com solos de piano e violino em várias músicas. Essa mistura transformou todo o trabalho em um material muito mais consistente do que qualquer outro produzido por ele e, arrisco a dizer, por qualquer artista em 2010. O trabalho consegue ser megalomaníaco sem medo de acabar passando do ponto. E acerta exatamente nisso.
My beautiful dark twisted fantasy merece crédito não só pelo material musical, mas tudo o que está sendo produzido em vídeo e nas performances. Temos como exemplos aqui a performance do VMA e o curta feito especialmente para o lançamento, que é bem impressionante também. Com tudo isso, nós podemos dizer que Kanye West finalmente conseguiu criar um material muito original que talvez ainda não consiga atingir o tamanho do seu ego, mas chega bem perto disso.
Ouça primeiro: All of the lights, Runaway, Power e Dark Fantasy
Nicki Minaj (Pink Friday)
Desde o estouro da Lady Gaga o mercado musical está cheio de artistas bizarros, usando perucas coloridas, vestindo roupas estranhas e falando por aí que são bissexuais. Nada que a Grace Jones e Madonna já não tenham feita. Foi no meio desse cenário que, meio que do nada, surgiu a Nicki Minaj.
Acho que ninguém sabe muito bem como isso aconteceu, mas ela começou a aparecer em todas as parcerias com grandes artistas imagináveis de repente. Isso é uma coisa um pouco incomum, visto que até então, teoricamente, ela só era conhecida no mundo “underground” do hip-hop. Provavelmente tudo veio da necessidade da indústria da música de reciclar os seus artistas, misturando os seus sons com outros artistas e sons mais incomuns. Só pra citar algumas parcerias onde ela apareceu esse ano, temos essa listinha com Kanye West, Eminem, Rihanna, Mariah Carey, Sean Kingston, Ludacris, Usher e Christina Aguilera.
Com todas essas parcerias, ela mostrou um estilo de hip-hop meio incomum, que era muito bem feitos e que tinham como marca registrada um certo tom de “loucura”. Digamos que, da mesma forma que o Eminem canta com agressividade, ela canta com um pouco de insanidade. Por causa de tantas parcerias, entevistas e performances mostrando esse perfil, todo mundo ficou com grandes expectativas para o seu primeiro album, Pink Friday. Afinal, se as músicas que nem faziam parte do cd estavam agradando tanto, era de se esperar que algo muito diferente viesse dela.
No geral, Pink Friday não decepciona. Com certeza ele se destaca bastante como um bom album de hip-hop. O grande problema é que ele não conseguiu passar de um bom album para um album incrível. Talvez pelas expectativas em cima da inovação que a Nicki Minaj traria nas suas músicas não terem se concretizado.
Você pode ouvir faixas sensacionais, que batem exatamente com o que era esperado dela, como Massive attack e Did it on’em. Essas são as duas faixas que mostram um estilo muito mais parecido com o que a Nicki Minaj vinha apresentando desde o início do ano. O problema é que o cd acaba caindo em faixas muito “mais do mesmo” como Fly, Moment 4 life e Dear old Nicki. O talento dela como cantora de hip-hop é inegável, mas parece que o estilo dela é refletido apenas em 4 ou 5 músicas, e as outras foram feitas pra encher o espaço que estava faltando a tempo de aproveitar o sucesso que ela vinha fazendo ao longo do ano.
Vale a pena conferir o album, principalmente pelas poucas faixas que realmente valem a pena e são bem legais. E também pra dizer daqui a alguns anos que você ouviu o primeiro trabalho solo da Nicki Minaj, porque apesar de ter errado um pouco nesse primeiro trabalho e ainda estar meio perdida entre o limbo com uma mistura de Rye Rye e Lady Gaga, é bem provável que ela ainda surpreenda e se torne um grande nome do hip-hop.
Ouça primeiro: Check it out, Massive attack, Did it On’em














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Muito bom os reviews… o álbum do Cee Lo Green é realmente muito bom! excelente dica
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Gostei do post. Sempre quis algum lugar pra ver os lançamentos de cds e não encontrava muitos.
Parabéns
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olha,para mim o melhor de todos ai é do kanye west, o cd dele é muito bom, tbm escutei o da rihanna, que tambem é muito bom e dela ate agora foi meu favorito, pq todos aquele dark do rated r nao me agradou…mas muito bom seu review, adorei!
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[...] e alguns meses,voltamos com os nossos reviews musicais. Depois da primeira edição, onde nós falamos dos albuns do Cee-Lo Green, Rihanna, Nicki Minaj e Kanye West, nós voltamos com [...]