26/05 2011
Reviews musicais #2

Depois e alguns meses,voltamos com os nossos reviews musicais. Depois da primeira edição, onde nós falamos dos albuns do Cee-Lo Green, Rihanna, Nicki Minaj e Kanye West, nós voltamos com um novo format. Ao invés de falarmos sempre de lançamentos, vamos escrever reviews de albuns que estamos ouvindo no momento. Esse mês nós temos reviews bem completes do Born This Way da Lady Gaga, 21 da Adele e Do You Want the Truth or Something Beautiful da Paloma Faith. É só ler depois do jump.


Na primeira vez que você ouvir Born This Way, provavelmente vai ficar com uma sensação um pouco estranha. Tem referências dos anos 80, anos 90, religião, ritmos eletrônicos loucamente sobrepostos, muita gritaria e muita coisa cafona. Se tem uma palavra que pode resumir bem esse album, essa palavra é exagero. Não é um exagero harmônico, como é o caso do ultimo trabalho do Kanye West, mas isso não torna Born This Way um trabalho ruim. Muito pelo contrário. É justamente isso que torna ele interessante.

Seguindo a tendência de 90% das cantoras pop, o album abre com uma música falando sobre sair na noite, se acabar e fazer aloca na pista. É a primeira faixa produzida pela dupla responsável pelos melhores singles do album: Fernando Garibay e White Shadow. É uma abertura bem neutra pra um album que fala de assuntos mais densos na maior parte das composições.

Logo depois vem Born This Way, o primeiro (e polêmico) single dessa nova fase. Sinceramente, eu gosto bastante da música. Não é o “hino de uma geração” como o Elton John falou na entrevista da Rollling Stone, mas tinha tudo pra ser um excelente abre alas pro CD. Não é à toa que o single ficou em primeiro lugar por semanas na Billboard. É parecido com Express Yourself? É. Mas pra um trabalho que pega referências das décadas de 80 e 90, qual o problema de ter a Madonna como referência?

A terceira música, Government Hooker, é um dos maiores acertos do Born This Way. Segundo a própria Lady Gaga, ela se inspirou na Marilyn Monroe nessa composição (Put your hands on me John F. Kennedy / I’ll make you squeal baby as long as you pay me). Junte isso a uma batida bem pesada, obscura e um vocal muito interessante. Pronto, temos o melhor trabalho da dupla Fernando Garibay e White Shadow nesse CD.

Agora entramos na parte excessivamente exagerada do Born This Way: RedOne. Apesar de ter sido o produtor responsável por quase todas as músicas de maior sucesso da Lady Gaga (Just Dance, Pokerface, LoveGame e Bad Romance), ele não conseguiu se entender muito bem com os novos trabalhos desse album. Judas tenta repetir exatamente a mesma formula de Bad Romance com uma batida eletrônica mais confusa, milhões de ô ô ô ô ô e muitos ga-ga-ga-ga. Só faltou o uh-la-la. O resultado é um single que não passa de uma reciclagem de uma coisa que já tinha dado certo antes, e acabou ficando pior que o original.

Americano é uma faixa, no mínimo, interessante. Não considero um dos grandes acertos do album, mas é bem incomum hoje em dia ver uma artista do mainstream pop escrevendo uma música sobre a vida dos imigrantes americanos. Tem uma batida divertida, uma letra interessante e uma boa dose de exagero com gritos e um refrão que clama por grandiosidade. Talvez a música não funcione muito bem sozinha, mas compõe muito bem o conjunto da obra.

E agora voltamos pro RedOne. Hair é uma das coisas mais cafonas que já ouvi nos últimos tempos. Quem acha que Born This Way era o auge da cafonice, precisa ouvir Hair urgentemente e mudar o seu conceito. A música peca muito na letra e instrumental extremamente óbvios. Não cola uma mulher de 25 anos cantando I’m the spirit of my hair / It’s all the glory that I bare.

Sheisse, a última do RedOne, é provavelmente o único acerto dele nesse album. A música vomita anos 90 do início ao fim. Na verdade, acho que se você contar, deve ter umas 10 músicas dos anos 90 tocando ao mesmo tempo ali. Apesar de não entender quase nada da letra, acredito que ela não fale nada demais se for considerar só as partes em inglês. Não é inovadora, mas tem uma ótima batida pra animar qualquer boate por aí. Um dos singles mais dançantes e empolgantes do album.

Preciso confessar que demorei um pouco pra perceber a semelhança de Born This Way com Express Yourself, mas Bloody Mary é Madonna da cabeça aos pés. Nada de original, nada de inovador, mas ela passa uma sensação de Danny Elfman meets Madonna que acabou criando uma combinação bem legal.

Agora vamos entrar na parte “vamos encher linguiça” do Born This Way. Black Jesus, Bad Kids, Fashion of his love, Highway Unicorn e Heavy Metal Lover são aquelas músicas que não adicionam muito ao restante do album. Letras neutras, batidas pouco marcantes e muito mais do mesmo. São as músicas que você ouve uma vez e depois pula no shuffle.

Electric Chapel vai um pouco contra o restante do CD. Enquanto as outras músicas tinham instrumentais exagerados e refrões grandiosos, essa tem uma levada bem leve e simples. Chegou a me lembrar um pouco alguma coisa do Trip to the light fantastic da Sophie Ellis-Bextor. É um outro grande acerto do Fernando Garibay e do White Shadow. Apesar de fugir um pouco de tudo o que vinha sendo mostrado até quase o fim do album, serve como um descanso pro que está por vir nas últimas duas faixas.

Agora vamos pro auge do Born This Way. Enquanto nós tivemos boas músicas dançantes no início, a penúltima música do album é uma das mais fortes já compostas pela Lady Gaga. Se eu fosse apostar em alguma música desse CD pra ser o “hino de uma geração”, como ela tanto queria, meu voto seria para Yoü and I sem dúvida nenhuma. A versão final ganhou produção do famoso “Mutt”, produtor do segundo album mais vendido de todos os tempos: Back in Black, do AC/DC. Como se não fosse suficiente, a música usa sample da bateria de We Will Rock You e tem participação do próprio guitarrista do Queen, Brian May. O resultado é uma baladinha grandiosa que rouba todo o destaque do CD, apesar de ter sido a primeira música a ser exibida para o público há quase 1 ano.

Pra fechar, temos The Edge of Glory, uma música dançante mas que é muito menos pretensiosa que as outras. Eleito o próximo single do album, a música não tenta causar polêmica barata, tem uma bela produção do Fernando Garibay e White Shadow e, por incrível que pareça, tem um solo de saxofone que conseguiu não ser cafona como o de Hair. The Edge of Glory me faz lembrar um pouco a Lady Gaga do The Fame Monster, que era um pouco mais preocupada em ser divertida e menos em ser polêmica.

Born This Way é um album não apenas exagerado, mas também bem ousado. Enquanto todas as cantoras mainstream do pop estão seguindo a onda do dubstep e eletrônico pré fabricado de Ibiza, a Lady Gaga fez um trabalho todo baseado no que os anos 80 e 90 tiveram de melhor. E esse foi o grande responsável por manter o som do album fresco, e não aquela sensação de “mas a Ke$ha/Britney/J-Lo fizeram igual”. Ela buscou referências no passado e juntou tudo num trabalho muito bem montado. Talvez o grande problema seja ela ter tentado ser grandiosa demais e acabado errando feio ao cometer alguns excessos desnecessários, como as polêmicas baratas presentes em muitas músicas e uma mistura excessiva de sons pra uma música só.

O album está longe de ser “o melhor album da década” como a Lady Gaga proclamava, mas está entre os melhores albuns de pop comercial desse ano sem dúvida alguma.

Adele está se mostrando o grande destaque musical dessa década. Ela não é só dona de uma das vozes mais bonitas que surgiram na indústria nos útlimos tempos, mas também uma soma de carisma e presença de palco absurda. Não é qualquer um que consegue segurar um show inteiro em um lugar grande só com uma banda pequena, um banquinho e a sua própria voz.

Conheci a Adele em 2008, logo depois do lançamento do 19, trabalho de estréia dela. Na época, lembro que gostei bastante das músicas mas só botei no iPod pra ouvir mesmo Chasing Pavements, Cold Shoulder, Hometown Glory e Make You Feel My Love (um dos covers mais incríveis já feitos). Passei anos sem saber notícias dela e acabei deixando o 19 cair no esquecimento. Até o dia em que me mandaram o clipe de Rolling in the Deep. Foi aí que eu vi todo o potencial que aquela menina do 19 tinha e eu simplesmente ignorei durante tanto tempo.

O 21 é, sendo bastante simplista, um album sobre o fim de um grande relacionamento. Depois de cancelar parte da sua turnê do seu disco de estréia por causa do namorado, Adele levou um belo chute na bunda. Em entrevista depois do lançamento do CD, definiu o seu relaciomento com o ex como “a coisa mais importante que me aconteceu até hoje”. Como resultado, fez o que provavelmente vai ser o melhor album desse ano (e vai passar o rodo no Grammy ano que vem).

Apesar de se unir a diversos letristas diferentes, Adele conseguiu manter o album com um tom extremamente pessoal, exatamente o que o torna tão interessante. A lista conta com letra e produção de Ryan Tedder (que já produziu Halo da Beyoncé), Paul Epworth (que produziu The Lady Killer, o ultimo album do Cee-Lo Green) e Rick Rubin (que já produziu de Jay-Z a Metallica).

Rolling in the Deep, o primeiro single do album, mostra uma Adele revoltada com o fim do seu namoro. Assim como todo o 21, é uma música triste que expressa toda a raiva que ela estava querendo extravasar depois do fim do seu namoro. São frases fortes como “Think of me in the depths of your despair” que fazem qualquer pessoa que já tenha passado por alguma desiulsão amorosa se identificar com essa música. O resultado nós já sabemos: recordes e mais recordes na Billboard. Depois de fazer um trabalho incrível com o The Lady Killer do Cee-Lo Green, Paul Epworth acertou em cheio na produção dessa música. Ela é sentimental sem pecar no excesso.

O segundo single, Someone Like You, já mostra uma Adele mais amargurada e menos raivosa. A música não tem nada além de um arranjo de piano e a voz dela. Produzida pelo Dan Wilson, que já levou o Grammy com Not Ready to Make Nice das Dixie Chicks, Someone Like You já entrou pra história da música como uma das canções mais bonitas já feitas e pra lista do iPod de quem gosta de curtir uma fossa de camarote.

Mantendo o mesmo tema, Set Fire to the Rain é uma balada com uma letra e um instrumental mais elaborados, e com pretensão de ser mais grandiosa. Mas não é nada que consiga ofuscar a voz forte da Adele. Aqui ela já abusa dos recursos de produção, com um fundo orquestrado e um clima menos intimista.

Quem achava que o album inteiro tinha um climão de fossa, se enganou. I’ll be Waiting também fala sobre o fim do relacionamento, mas com um clima que passa longe do deprimido ou raivoso das outras músicas. Aqui, ela canta “I’ll be waiting for you when you’re ready to love me again” com uma batida animada e uma visão muito otimista do futuro do seu relacionamento falido. Uma boa música pra quebrar o clima pesado do resto do CD, com claras influências de músicas da antiga Motown.

Logo depois de ter uma visão otimista com I’ll be Waiting, Adele imenda One and Only, uma baladinha bem simples e bem carregada no soul, onde ela desafia o seu futuro (ou o ex) namorado a ficar só com ela porque vai valer a pena. Convencida, né? Uma das minhas preferidas do album, principalmente em apresentações ao vivo.

Eu poderia escrever mais e mais parágrafos sobre o 21, mas elogiar a incrível capacidade vocal da Adele e a produção impecável em todas as músicas seria repetitivo demais. O album ainda conta com músicas bem intimistas como Turning Tables, Lovesong (um cover do The Cure), Take it All e produções mais elaboradas, mas nem por isso piores, como Rumour Has It, Don’t You Remember e He Won’t Go.

Não tem como negar que a Adele e o 21 já entraram pra história da música. No Reino Unido, a Adele já bateu o recorde da Madonna como a artista que está em primeiro na lista de albuns mais vendidos pelo maior número de semanas consecutivas. Com apenas quatro meses desde o seu lançamento, já haviam sido vendidos 6 milhões de albuns no mundo todo.

Esses números são muito importantes não só pra ela dar o troco no seu ex namorado, mas eles provam algo muito maior. Em tempos onde a indústria fonográfica parece completamente perdida, lançando dezenas de artistas plastificados ao longo dos anos, é muito interessante observar um caso onde a autenticidade e o talento conseguiram sobrepôr qualquer tipo de super produção. Adele envolveu o seu album com uma história e usou só o seu talento como performer pra contar essa história. E essa é uma história que todo mundo está tendo o maior prazer de acompanhar.


Seguindo a onda dos talentos britânicos, Paloma Faith não é bem uma artista recente. Esse album que estamos falando nesse post foi lançado em 2009, mas teve um sucesso razoável no Reino Unido tendo alcançado o seu pico na nona posição nos charts de lá. No resto do mundo, não conseguiu alvançar nenhuma posição relevante com os seus singles até agora.

As gravadoras britânicas estão sofrendo um pouco com os artistas que seguem o mesmo estilo da Paloma Faith. A Duffy, que era uma grande promessa por lá, não conseguiu emplacar o seu segundo CD e anunciou uma pausa na carreira. Amy Winehouse nem se fala, porque gravadora nenhuma consegue controlar aquela mulher. Já a Paloma Faith foi uma grande aposta que, até agora, não conseguiu emplacar nenhum grande sucesso apesar de ter apresentado um trabalho bem interessante.

No album, os grandes destaques são as dançantes Stone Cold Sober e Upside Down. Ambas contam com uma batida extremamente contagiante, parecendo uma mistura do que a Duffy apresentou nos vocais do Rockferry com o que a Amy Winehouse tinha de mais animado no Back to Black.

Smoke & Mirrors usa a clássica metáfora das “mascaras caíram”e “para de atuar” que Madonna e Rihanna usaram nas duas Take a Bow. Apesar de abordarem o mesmo tema e apologias cafonas, são músicas completamente diferentes. Smoke & Mirrors é uma baladinha divertida e bem leve com um instrumental rebuscado como boa parte das faixas do album.

A música que dá nome ao album não é, nem de perto, a mais marcante. Junto de Broken Doll, Romance is Dead e Stargazer, Do You Want the Truth or Something Beautiful é uma balada bem genérica. Apesar de gostar bastante da letra, o conjunto não parece muito consistente. Parece o tipo de faixa que foi acabada às pressas e encaixou no album pra encher espaço.

New York é a melhor baladinha do album sem sombra de dúvidas. Ela tem uma levada um pouco mais pop, provavelmente em uma tentativa da gravadora de tentar emplacar a música fora do Reino Unido. É o tipo de música que você gosta no CD mas sabe que ao vivo deve ser muito mais interessante, com um pouco menos de produção de estúdio.

My Legs Are Weak e Play On são as músicas guilty pleasure do album. O início da primeira tem um quê de Amy Winehouse, já a segunda tem a mesma pegada pop que New York. Ambas são baladinhas bem cafonas, daquelas que você ouve e não conta pra ninguém que gosta. São composições fáceis e de frases feitas como “tattooed the times we had on my memories”. Podem ser cafonas, mas grudam na cabeça e dão vontade de ouvir de novo. Então eu acho que cumprem bem o seu papel.

Do You Want the Truth or Something Beautiful é um album que peca no excesso de baladas genéricas, mas que tem ótimas músicas que compensam esse problema. Paloma Faith é o tipo de artista que funciona melhor no palco e também funciona melhor quando trabalha dentro do seu estilo soul. Quando ela tenta partir pro pop commercial, a imagem e a voz não conseguem encaixar muito bem com o estilo em que ela parece se sentir mais à vontade. Agora é esperar o próximo album, prometido pra esse ano, e ver se a Paloma Faith vai ter o mesmo destino da Duffy ou se vai conseguir alcançar o topo das paradas como a Adele, sua conterrânea.

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Especialista em achar bizarrices na internet, rir da desgraça alheia e falar mal de tudo. Resumindo: o capeta em forma de guri.

3 Responses to “Reviews musicais #2”

  1. Victor says:

    tenho que descordar sobra Smoke and mirrors da Paloma… é a melhor do album, se destaca muito das outras, tem tudo pra bombar, e outro comentario é que o clipe segue a linha paparazzi… não?

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  2. Não tem jeito, o álbum do ano é o “21″.

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  3. seo budapest says:

    nice share man thanks a lot

    [Reply]

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