20/06 2011
Entendendo as Festas Juninas

Ok, não tem desculpas para a principal coluna do Vida Ordinária ter ficado sem atualização por 2 meses. Mas já que uma hora ela tinha que voltar, que seja com festa. Ou melhor festas.

Afinal, nada mais justo que falar do período em que a gente se veste igual idiota, se empanturra de guloseimas e corre risco de vida pulando em fogueiras.

Vamos tentar entender as tradições, origens e tudo que envolve essa época. Vamos entender as Festas Juninas.

Festas Juninas que fazem a alegria do país inteiro, mas que tem suas tradições (pelo menos no Brasil) fundamentadas no Nordeste, e origem religiosa. Algo que muita gente se esquece.

Teoricamente, a desculpa para todas essas festanças e quermesses são os dias de santos como São João, Santo Antônio e mais um que nunca lembro qual é, mas provavelmente é São Pedro. Sabe como é, o cara é o responsável pelas chuvas que o povo lá precisa tanto.

Só acho irônico pedir isso justamente com uma fogueira. Vai que o santo resolve atender os pedidos bem na hora da festa? Aí vão reclamar que apagou o fogo.

As pessoas precisam saber o que querem. E isso também vale para as devotas de Santo Antônio, que aproveitam essa época pra fazer simpatias para conseguir marido. Algumas simpatias são tão complexas e demoradas que valia mais a pena a devota usar esse tempo pra dar um tapa no visual. Provavelmente ia conseguir um pretendente muito mais rápido.

Mas a simpatia de Santo Antônio mais surreal é aquela em que a pessoa tem que tirar o menino Jesus de uma estátua de Santo Antônio e só devolver quando achar um homem. É praticamente um seqüestro sacro, com a diferença que o poder de barganha da seqüestradora não é lá muito alto. Se o santo começar a demorar pra trazer o pretendente, o que ela vai fazer? Mandar uma orelhinha de gesso pra ele?


O mais surreal é justamente colocar sua felicidade matrimonial nas mãos de um santo virgem. Por melhor intencionado que ele seja, talvez não seja de tanta ajuda. Santo Antônio é chamado de “protetor dos noivos”. Vendo o nível das noivas que se casam depois de simpatias para ele, eu digo que, se fosse protetor dos noivos, não deixava que eles subissem ao altar.

Aliás, em todos os arraiás rolam um casamento de brincadeira, o que não acho engraçado, porque com certas coisas não se brinca. Afinal, casamento é a única cerimônia onde doissacramentos são celebrados: o matrimônio da noiva e a extrema unção do noivo.

Enfim, brincadeiras à parte, na hora da mulher achar o cara amado, acho que valeria muito mais a pena rezar para Santo Arnaldo, padroeiro da cerveja. Ou para algum santo russo padroeiro da vodka. Bem ou mal, são esses os santos que mais ajudam a juntar casais desde sempre.

Ou, para manter a conversa dentro do tema, que apelem para o quentão.

Aliás, já repararam como tudo que envolve festa junina é quente? Pra beber tem quentão e vinho quente, na decoração a fogueira e os balões têm fogo, entre as comidas têm salsichão, churrasquinho, canjica, milho cozido. Tudo combinando bastante com o inverno. Tirando o fato de que no Nordeste, onde essas tradições surgiram, praticamente não existe inverno. Eu diria até que, com o calor de lá somado ao calor da festa junina, em junho e julho eles atravessam a estação do inferno.

Ainda mais depois de dançar quadrilha com aquelas roupas quentes.

Quadrilhas são divertidas, mas não tanto pra mim. É que na hora que formam aquele túnel não é fácil ter quase dois metros de altura, e eu basicamente saio estragando toda a formação. O papel mais legal na quadrilha deve ser o do locutor, porque ele ganha não somente um microfone, mas o direito a escrotizar cada uma daquelas pessoas. Olha a cobra! É mentira! Quero ver o dia que uma cobra realmente entrar na festa e ninguém der crédito ao aviso.

Melhor seria se esses caras resolvessem ousar nas piadinhas. Olha o hímen da Ângela Bismarchi! É de mentira!


Mas eu gosto de quadrilhas. Quadrilhas mais animadas que as de festas juninas, só mesmo as torcidas de Flamengo e Corinthians.

Agora, o que eu não consigo compreender porque existem são os balões. Não compreendo esse fascínio. Nem entro no mérito do perigo de incêndios (que existe e é coisa séria). Mas qual a graça de botar fogo numa estrutura precária coberta com papel crepom colorido só pra vê-la subindo?

Pior ainda é cantar “cai, cai, balão, aqui na minha mão”. Quer se queimar, porra? Uma versão realista seria: Cai, cai, balão / Cai, cai, balão/ Aqui na minha mão / Vai queimar, vai queimar, vai queimar / Eu vou ter que amputar

Se a beleza está em algo colorido subindo que soltem bexigas com gás hélio. E se nelas tiver um padre pendurado sem GPS, a emoção e adrenalina são ainda maiores.

Isso sem falar no outro balão que existe em festa junina: o cara que deu balão na namorada pra se encontrar com outra e foi flagrado numa quermesse dividindo uma maçã do amor com a vadia. Geralmente, as conseqüências desse balão são bem piores que um simples incêndiozinho florestal.

Arraiá também tem a galera compondo o visual. O bom de festa junina é que para ficar de acordo, basta você vestir suas roupas mais escrotas, acrescentar uns trapos e sujar a cara. Ou, se você já for feio, fudido e brega, ir ao natural.


Nota: se você for ex-BBB, a fantasia de caipira
potencializa sua pré-existente condição vergonhosa.

Bem melhor do que o carnaval, onde você paga uma fortuna para ter uma fantasia de isopor ou um abadá em cores cítricas e fica ainda mais escroto.

Mas não dá pra falar de festa junina sem citar as brincadeiras. Boca do palhaço, argolas, pescaria. Pescaria, aliás, que me causou enorme frustração a primeira vez que fui pescar de verdade. Achei que fosse ganhar um saco de tujubas e acabei só com um defunto de lambari fedendo no carro. Não que as argolas sejam muito melhores, já que elas acostumam o garoto desde jovem a não acertar o lugar certo.

Tem ainda o pessoal que se diverte pulando a fogueira, uma brincadeira que eu acho idiota, mas não condeno, uma vez que proporciona muitas oportunidades de vídeos pra nossa coluna Magneto Estava Certo. Se quiserem incluir novidades como pular precipício, dou o maior apoio.

Só que a pior de todas as brincadeiras é o pau de sebo. Pensem bem na mensagem que ele traz para nossa juventude, especialmente para as meninas: trepe num pau melado, fique toda assada, mas ei!, veja pelo lado positivo, pelo menos essa nota de 20 reais é sua!!! Já não bastasse ensinar as meninas a serem seqüestradoras, as festas juninas também mostram a prostituição como um lazer válido.

Sem contar que o próprio nome pau de sebo já parece fazer parte do universo de trocadilhos obrigatórios das festas juninas. Acho que cada setor do arraial precisa ter alguma coisa de duplo sentido. “Subir no pau de sebo pra ganhar uma grana”, “meter o quentão goela adentro”, “cair de boca no salsichão”, “olha a cobra”.

É tanta infâmia (ou putaria disfarçada) e tantas gordices durante dois meses numa mesma festa que eu me surpreendo que eu não tenha sido o inventor dos arraiás. Mas que bom que alguém inventou.

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Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

9 Responses to “Entendendo as Festas Juninas”

  1. rodrigo says:

    Pela primeira vez, decepcionei-me com um texto seu. Achei, diante de tantas análises com embasamento, que essa seria mais uma, mas me enganei. Infelizmente, título do post não tem nada a ver com ele. Nada é explicado, apenas satirizado.

    Porém, se é para comentar sobre o assunto, afirmo que sou nordestino (cearense), mas não curto festa junina nem as suas comídas típicas e fico impressionado quando vejo alguns conhecidos de outras partes do brasil felizes da vida dançando nessas festas. Isso parece tão regional que não vejo a graça de alguém do sul nesse tipo de comemoração.

    [Reply]

    Alexandre Esposito Reply:

    Olha, uma pena que você tenha se decepcionado, mas você não deve ter lido os outros textos da coluna Entendendo, já que ela é exclusivamente de sátira mesmo.

    Sobre a segunda parte, bem, mesmo sendo uma festa regional, comida boa e diversão são atrativos universais.

    [Reply]

  2. claudio says:

    o amigo ali em cima nao deve conhecer essa coluna mesmo, ela sempre foi de humor

    eu curti

    nao chegou aos pes de alguns dos textos mais inspirados do ano passado, mas dei risada com a piada da angela bismarchi

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  3. Mari says:

    kkkkkkkkk

    Eu ia comentar que adoro salsichão em festa junina, mas aposto que vocês iam me zoar1 kkkkkk

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  4. Tony says:

    A parte sobre Santo Antonio é a melhor! rs

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  5. REBECA says:

    pqp, nordestino tem sindrome de preconceito mesmo onde não tem preconceito -.-”
    é tipo negro, mesmo quando a pessoa não faz piada de negro ele acha que a pessoa tá fazendo e acha que é racismo -.-”

    eu sou do nordeste tb e não me ofendi nem um pouco com o texto. Até pq a intenção não é exatamente entender do que se trata a festa junina, e sim mostrar a coisa de uma maneira comica, se vc quiser saber do que se trata vai na wikipedia e leia sobre a origem das festas juninas, do universo e tudo o mais…

    tb ri muito com a piada da angela bismarchi

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  6. Nathalia says:

    kkkk…
    muito bom!!
    mas tem uma coisa, moro em uma cidadezinha na Bahia que nn se enquadra nem de longe na descrição da maioria do nordeste… aqui faz um frio da porra no inverno. tanto que a festa mais famosa daqui é o Festival de Inverno

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  7. Edrodriguez says:

    euehueehueh…sou Cearense dos bons e ri da coluna…boas tiradas!!!

    E tenho que admitir que época de São João é a melhor do ano pra mim…foda-se Natal, Carnaval, Semana Santa…

    Bom demais aquela canjica com canela e roçar coxa suada com aquela morena linda vestida de matuta!! heheeheheh

    p.s: ate hj nao entendo pq curto tanto o são joão…odeio forro e talz…mas o pé de serra junino é show de bola hehehe

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  8. [...] No Judão, a redenção de Michael Bay em Transformers 3. Cinemark realiza maratona com todos os filmes de Harry Potter. No Vida Ordinária: Entendendo Festas Juninas. [...]

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