19/01 2012
CapeTown e Garden Route – A África sem Krueger Park parte 1

Qualquer pessoa que já esteve na África do Sul se surpreende. É tudo o que você não espera da África.

Em 2010, durante a Copa, eu peguei um carro e rodei por 10.200km de norte a sul por nada menos que 32 dias e embora inúmeros lugares tenham tomado minha atenção, a região da Cidade do Cabo e Rota do Jardim (Garden Route) se destacaram a ponto de me fazerem esquecer da competição futebolística que estava acontecendo no país.

Por conta dos preços abusivos das companhias aéreas durante a competição da FIFA, eu e meus amigos resolvemos alugar um carro e fazer a aventura dirigindo. Eu não poderia ter feito escolha melhor e recomendo a todos que façam o mesmo. As estradas africanas são ótimas e o GPS pega bem mesmo nos lugares mais ermos. A dica aqui é alugar o carro na Avis e pagar antecipado já do Brasil pois eles costumam dar franquia zero no seguro caso você faça isso. Pode parecer bobeira a princípio, mas será extremamente necessário quando um leão começar a morder a frente do carro ao lado.

Mas se ao contrário de mim, você não pretende passar tantos dias no país, meu roteiro recomenda que você esqueça Johannesburgo e o famosíssimo Krueger Park(perto da região tem o Addo que é tão bom quanto). Concentre-se na região entre Cidade do Cabo e Port Elizabeth (aprox. 800km) e se delicie com maravilhas naturais.

A Cidade do Cabo é o Rio de Janeiro sem pobreza. Eles tem seu bondinho (A Table Mountain), sua Pedra da Gávea (Lion’s Head) com a “praia de São Conrado” embaixo e além de uma avenida que em muito lembra a Niemyer. Na verdade, é claro que há pobreza, mas por conta de resquícios do Apartheid ela infelizmente fica inteira em um grande favelão nos arredores da cidade que em muito lembra o Distrito 9. A cidade, no entanto, é linda, calorosa, de clima agradável e super bem organizada.

A dica é ir logo que possível na Table Mountain pois sempre que há mal tempo o bondinho para de funcionar. O passeio é parecido com o do Pão de Açúcar no Rio com a diferença que a montanha tem um pico quadrado bem plano (não se chama Montanha de Mesa à toa) e você pode gastar um tempo maior desbravando os cantos lá em cima. Quem gosta de trilha pode tentar subir andando em uma caminhada de aproximadamente 2 horas mas todos meus amigos que tentaram se perderam e voltaram após 3 horas sem conseguir chegar ao topo.

Outra opção mais tranquila para quem gosta desse tipo de aventura é a Lion’s Head (foto cima, vista do alto da Table Mountain). A subida é mais tranquila (aprox. 50 minutos) e você pode escolher entre o caminho dos macho ou o das mariquinhas. Eu, obviamente, escolhi o das mariquinhas. Santa escolha, pois em algum momento vi, um casal subindo um paredão de pedra cuja queda seria morte certa se segurando apenas em correntes de ferro para subir. A vista da Lion’s Head é linda, embora bem parecida com a da Table Mountain (elas são próximas uma das outras). Se sua esposa/namorada não quiser se juntar a você nesse programa de índio da Juruna Tour, você pode enviá-la para Waterfront, um shopping aberto na região do píer da cidade. Aliás, é lá no Waterfront que você compra ingresso e sai para o passeio na Robben Island, famosa prisão onde Nelson Mandela passou anos da sua vida. O passeio da Robben Island inclusive é bom e vale a pena, embora não o classifique como imperdível. Se possível compre logo os ingressos para quando quiser ir pois são poucos e em horas marcadas.

Mas como o melhor eu deixo por último, prepare-se para passar pelo menos 1 dia no Parque do Cabo da Boa Esperança. Quando eu fui, não esperava muito e foi um dos mais inesquecíveis que já fiz em todas as minhas viagens. A estrada até o local já é muito bonita e você demora aproximadamente 1 hora até o Cabo da Boa Esperança. Mas o melhor ainda está por vir, no vizinho Cape Point, onde eu tirei essa linda foto aí do lado. Verdade seja dita, para tamanha calmaria em época de Copa, eu tive de pular a mureta do Farol e ir mais perto da beira, onde poucos tinham coragem de ir, mas acho que isso compensou a escolha de baitola que fiz na trilha da Lion’s Head. Lá você ainda pode visitar os monumentos a Bartolomeu Dias e Vasco da Gama e ver se lembrar das suas aulas de História do 2º grau que até então não tinham servido pra nada (e sejamos sinceros, continuam não servindo). Aliás, no Cape Point tem um restaurante, perto do Farol que tem uma boa comida a preços aceitáveis para um lugar tão distante e com vista tão bonita.

Se na ida você for (e recomendo que vá) pela M6/M65, volte pelo outro lado, pela M4, ainda a luz do dia pois você ainda terá mais duas belas experiências nesse dia. A primeira é um café da tarde no Olympia Café & Deli (134 Main Rd Kalk Bay), um daqueles Coffe Shops despretensiosos com bolos, croissaints e cappuccino deliciosos no caminho de volta. E mais a frente, em Boulders Beach você pode simplesmente parar o carro em um estacionamento e ver pinguins selvagens andando pela praia. Chegando perto pela Main Road você começará a ver as placas indicando o ponto onde os pinguins ficam.

Para os amantes do futebol, Santistas e Vascaínos, há dois times homônimos na cidade. Aliás, era de se esperar que a cidade que fez a fama de Vasco da Gama tivesse um time com tal nome. Mas o clube, fundado por um descendente de portugueses, tem seu nome em homenagem não ao navegador, mas ao time do Rio de Janeiro a quem copia uniforme e escudo. Ao chegar no clube, fiquei espantado com a grande infraestrutura. Campos de treinamento, lojas exclusivas, sala de musculação avançada. Tudo para logo depois ser corrigido de estar vendo o Ajax Cape Town. O Vasco era na verdade uma várzea que havia atrás daquele CT que eu estava vendo. Apesar da simplicidade, fui extremamente bem recebido pelo Seu Avellino de Oliveira, filho de portugueses que me presenteou com uma camisa do time, abriu o bar sem nos cobrar e ainda fez um passeio pela sala (ou seria parede) de troféus, afinal, segundo ele, somos todos vascaínos.

Já que citamos Bartolomeu Dias e Vasco da Gama, vale dizer, a presença de portugueses na cidade ainda é uma constante. Eu por exemplo, fiquei no aconchegante e confortável Dale Court Guest House, pousada de donos de origem portuguesa, onde nosso idioma ainda pode ser falado e entendido pelos simpáticos donos. A pousada fica tão perto do Green Point Stadium que dá pra ir de pijama lá. Apesar de perto do estádio, a região é ótima e perto dos principais pontos turísticos de Cidade do Cabo.

Sair de Cidade do Cabo deixará saudades, mas o que está por vir tem seu appeal. Baleias, tubarões brancos, passeio de elefante e o maior bungee jump comercial do mundo estão no caminho de Port Elizabeth.

Mas isso fica para o próximo post.

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Possível filho de Carmem Sandiego, é o cara mais viajado do blog. Que fique claro: eu disse viaJAdo.

2 Responses to “CapeTown e Garden Route – A África sem Krueger Park parte 1”

  1. Assino embaixo de tudo , fui pra copa também , mas fiquei no destino alternativo, passei por joannesburg, durban, pretoria, capetown e port elizabeth, e realmente o melhor lugar é Capetown. Inclusive fiz a Garden Route também !. fantástico, não vejo a hora de voltar !rsrs… A propósito , o amigo chegou a ir em Canal Walk Mall ? esse apavorava o waterfront viu !.. e fica a dica pro Aquario ThwoOceans.. Abraço!

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  2. Aghata says:

    Estou ansiosa pra ler o 2 post !
    Vou fazer um intercâmbio agora em Abril, e vou ficar em Cape Town.
    Adorei as dicas.

    [Reply]

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