Essa vai deixar todo mundo com olhos marejados: em 1985, o sr Heb, um apaixonado por automóveis, passava muitas dificuldades financeiras e precisou vender seu carro de estimação, um Chevy Impala SS de 1965, para pagar a educação dos dois filhos. Um sacrifício, mas em nome de algo maior, que é a família.
E 26 anos depois, foi a vez da família retribuir esse amor do pai. Os filhos conseguiram encontrar o carro, exatamente aquele mesmo que seu pai vendeu por eles, restaurado e funcionando, e compraram de volta para o pai, como uma surpresa.
E o reencontro dele com essa surpresa vindo do passado é emocionante:
Alexandre Esposito Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.
Não é difícil entender porque A Invenção de Hugo Cabret é o filme recordista de indicações ao Oscar (embora não seja o favorito).
Afinal, mesmo longe de ser o melhor filme indicado, o longa de Martin Scorsese traz vários elementos e temas em comum com seus principais concorrentes.
Tem a grande homenagem à essência do cinema como uma fábrica dos sonhos, como O Artista. Passa pelo tema do legado, como Os Descendentes. E se passa justamente no local e período que o protagonista de Meia-Noite em Paris visita no filme: a Paris dos anos 20 (ou quase, já que o filme se passa em 1930).
Apesar disso, e mesmo com o lado técnico impecável, o filme não consegue superar esses três concorrentes. Mas ainda assim é uma fábula bem agradável e um lado do Scorsese que a gente nunca viu antes.
Não é irônico que um filme sobre dois caras com uma teoria sobre jogadores de baseball subestimados seja justamente um dos filmes mais superestimados do ano?
Não que O Homem Que Mudou o Jogo seja ruim. Longe disso. E as atuações de Brad Pitt e Jonah Hill (esse segundo principalmente, num papel bem mais introvertido e sutil do que nos acostumamos) também são justas, sem contar que a mensagem em favor da inovação e de fazer a diferença naquilo que você ama (seja a sua profissão ou a sua vida) é bacana.
Mas é só isso. Nada que justifique a indicação para Melhor Filme no Oscar.
O filme conta a história (verídica) de Billy Beane, que implementa com a ajuda de um assistente formado em economia, um novo modelo de contratações no Oakland Athletics, o pior time da liga americana de baseball. No começo dá tudo errado e todo o “mercado do esporte” fica contra ele, mas logo o método começa a se mostrar eficaz (principalmente depois que ele consegue impor que suas mudanças sejam colocadas em prática no campo).
Ou seja, um filme de superação, como não podia deixar de ser quando se fala em esporte. Mas o problema é que o filme nunca explora bem outro elemento essencial no esporte: a emoção. O longa é frio. Billy é um cara dedicado e vemos os arrependimentos do seu passado influenciando nas suas decisões, mas é sutil demais.
Esporte é explosão, catarse, e o filme acaba se contendo demais.
Bom, mas esquecível, como aquela vitória de 2 a 0 do seu time em cima da Desportiva Ferroviária (já que o assunto é esporte).
Alexandre Esposito Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.