23/02 2012
Hugo Cabret e a essência do cinema de 2011

Não é difícil entender porque A Invenção de Hugo Cabret é o filme recordista de indicações ao Oscar (embora não seja o favorito).

Afinal, mesmo longe de ser o melhor filme indicado, o longa de Martin Scorsese traz vários elementos e temas em comum com seus principais concorrentes.

Tem a grande homenagem à essência do cinema como uma fábrica dos sonhos, como O Artista. Passa pelo tema do legado, como Os Descendentes. E se passa justamente no local e período que o protagonista de Meia-Noite em Paris visita no filme: a Paris dos anos 20 (ou quase, já que o filme se passa em 1930).

Apesar disso, e mesmo com o lado técnico impecável, o filme não consegue superar esses três concorrentes. Mas ainda assim é uma fábula bem agradável e um lado do Scorsese que a gente nunca viu antes.

O filme mostra a aventura de um órfão que vive dentro das paredes da estação de trem de Paris acertando os relógios, e que tenta consertar um autômato (uma espécie de robô das antigas) que seu pai havia trazido de um museu antes de morrer.

Seu caminho acaba se cruzando com o de um dono de uma loja de brinquedos de corda (de quem ele costuma roubar) e sua afilhada, e nessa busca por um propósito na vida, ele acaba se transformando e transformando a vida das pessoas ao seu redor. Tudo bem correto e bonitinho para as famílias, que são mesmo o público alvo do longa.

Tecnicamente o filme é perfeito, mas Scorsese parece tão empolgado com a novidade do 3D que acaba exagerando na dose e faz questão de fazer toda a cena ter coisas sendo jogadas na nossa cara. Isso depois de um tempo enche o saco, sem falar que, por mais bonitas que algumas sequências sejam, nenhuma  tem o impacto estético e conceitual dos grandes momentos do diretor, como no plano-sequência de Os Bons Companheiros, só pra citar um exemplo.

O elenco é correto. Asa Butterfield, o protagonista, não faz nada demais, e seu personagem funciona mais através dos closes nos olhos que Scorsese dá do que na atuação dele. Já Chloe Moretz confirma mais uma vez que é a melhor atriz mirim da atualidade, e esbanja carisma, assim como Ben Kingsley e seu Georges Méliès (especialmente nos flashbacks).

Christopher Lee e Jude Law fazem pontas simpáticas. Já Sacha Baron Cohen decepciona num personagem que poderia ter ficado bem bacana. Mas aparentemente ele não consegue mais atuar sem ser caricato.

No fim, Hugo Cabret vale muito a pena, seja como fábula infanto-juvenil, seja como homenagem ao nascimento da magia do cinema.

Mas como Scorsese, não chega aos pés do que já vimos. Merece sim as indicações. E só.

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4 Responses to “Hugo Cabret e a essência do cinema de 2011”

  1. Tisf says:

    Gostei da cameo do Scorsese e do Johnny Depp também!

    E espero que ele não saia do Oscar sem ganhar nada… ia ser bizarro e empataria com A Cor Púrpura na desonra lol

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    Alexandre Esposito Reply:

    Eu só vi o do Scorsese. Onde o Depp apareceu?

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    Raveni Reply:

    O Deep era o cara que tocava violão da bandinha da estação

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  2. Raveni says:

    Um dos filmes mais gostosos que já assisti, Scorsese soube aproveitar tudo, o 3D, a própria história do Melies, os cenários, a face, os olhos do Asa Butterfield, tudo, e deixou o filme muito agradável de se ver

    [Reply]

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