4/03 2012
Poder Sem Limites e a falta que um Tio Ben faz

Desde Bruxa de Blair, há 13 anos (caramba, já?!), Hollywood se aproveita da popularização desses filmes que fingem que são documentários amadores. Assim como o cinema independente, já que os custos de produção acabam sendo brutalmente menores

Esse formato já transitou por vários gêneros, como próprio terror (como no ótimo REC, da Espanha) e até no cinema catástrofe, com Cloverfield do J.J. Abrams. Ficou tão comum que parecia até que o formato estivesse perto de morrer, mas esse ano ganhou um fôlego inesperado com duas novas abordagens dele.

Uma é Projeto X (vejam o trailer), que chega no Brasil dia 17 de março e que parece promissor multiplicando Superbad por Se Beber Não Case. E o outro é Poder Sem Limites, que estreou no Brasil esse fim de semana.

Um filme que mostra por uma câmera amadora a história de 3 adolescentes que ganham superpoderes. Com essa premissa, o filme poderia ser excelente e poderia ser uma merda total. Não é nem um nem outro, mas felizmente acerta muito mais do que erra, e se mostra uma ótima opção de diversão.

E que poderia ser resumida com a moral da história de outro famoso personagem com super-poderes: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.

Peter Parker ouviu essa frase do seu Tio Ben, e depois da morte dele que passa a entender plenamente seu significado. Mas pelo menos aprendeu. É justamente a falta de um Tio Ben que faz com que Poder Sem Limites não seja um filme sobre o surgimento de um super-herói, como foi o Homem-Aranha, e sim de um supervilão.

Falo isso sem medo de estar entregando spoilers, afinal o próprio trailer deixa clara a perdição do personagem Andrew, que dentre os 3 jovens, carrega o papel de protagonista do filme. Andrew é nerd como Peter Parker. Mas por sua vez tem menos habilidades sociais e ainda por cima tem, no lugar de um tio e uma tia carinhosos, uma mãe doente terminal e um pai bêbado e violento. Basicamente ele é aquele cara que poderia pegar o rifle do pai e invadir a escola pra matar todo mundo (e quem diria, alguém que acabou com algo bem mais perigoso que um rifle).

É com esse passado que ele acaba indo a uma festa por insistência de seu primo Matt, um sujeito normal e popular na escola que adora filosofia e anda reavaliando seu papel no mundo. Uma festa onde os dois, ao lado do gente boa e popular Steve, acabam encontrando um buraco no chão. E nesse buraco eles fazem uma descoberta que acaba mudando a vida deles. E vocês já sabem o que é: eles ganham superpoderes.

A maior parte do filme mostra justamente eles conhecendo e lidando com esses poderes, que incluem superforça, telecinese e poder voar. E na mente perturbada de Andrew, a irresponsabilidade juvenil inofensiva das brincadeiras dos 3 começa a dar lugar a um perigo, que nem a amizade e os conselhos dos dois amigos conseguem refrear.

Um dos maiores méritos do filme é conseguir mostrar essa transformação de forma gradual e natural, sem deixar que os clichês inerentes ao gênero (e ao formato da câmera) atrapalhe. O elenco desconhecido também não compromete. Apesar de ninguém brilhar, todos fazem atuações corretas.

O filme só não é melhor por alguns probleminhas. O primeiro é culpa do roteiro, que acaba dando uma derrapada num dos personagens mais importantes do filme, o Matt. O rapaz está o tempo todo falando que quer ser alguém melhor, mudar o mundo e tal, e o fim do filme até mostra ele de acordo com essa mentalidade. O problema é que ele fala disso desde o começo do filme, o que não condiz com as peças que ele prega junto dos amigos usando os poderes. Soou contraditório.

O outro problema é meio que inevitável diante do comprometimento com o formato de câmeras amadoras. Em alguns momentos soa extremamente forçado, mesmo para um perturbado como o Andrew, estar SEMPRE com a sua câmera ao lado. Assim como com a personagem Casey, que sequer tem a desculpa de ser louca. Por outro lado, o uso de câmeras de segurança em algumas cenas para mostrar outro ponto de vista da ação acabou funcionando bem.

E no fim o longa acaba sendo bem divertido, e melhor do que parece em princípio.

Tanto que até eu, que sou contra esticar histórias que funcionam por si só, acho que uma ou mais sequências do filmes poderiam ser boas. Até porque a origem dos poderes nunca é inteiramente explicada. Mas para funcionar, teriam que abrir mão do formato documentário. Quase atrapalhou dessa vez. Numa continuação, seria fatal.

Mas vale assistir e sempre se lembrar das palavras do Tio Ben. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.

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Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

One Response to “Poder Sem Limites e a falta que um Tio Ben faz”

  1. Tisf says:

    Pois é, me parece ser bem legal esse filme. Você curtiu e o Rotten ele tá com cotação bem alta. Vou ver se consigo ir assistir essa semana.

    [Reply]

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