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Escrito por Alexandre Esposito

Tirinha da Semana


Sério, pode estar rolando o problema que for, eu posso estar meio mal, triste, mas sempre que vejo alguma tirinha do Cyanide & Happiness eu fico melhor, dou alguma gargalhada ou coisa do tipo.

Tanto que volta e meia eu coloco uma coisa ou outra deles (ou melhor, da versão traduzida deles) aqui. São tantas excelentes que decidi manter um espaço semanal para colocar alguma (ou até mais de uma, em alguns casos) que tenha me chamado a atenção nos últimos dias.

É uma boa forma da gente se divertir e ainda de ajudar a divulgar o excelente trabalho tanto dos caras que criam as tirinhas quanto dos que traduzem.

Então, vamos à primeira!

Link.

PS: O Dr. Pepper também é legalzinho, mas nem de longe se compara ao Cyanide. Sinceramente não vejo mais graça em uma a cada duas tirinhas ser piada com ereção. Vamos variar as referências, gente, porque vocês já mostraram que podem fazer coisas engraçadas.

Era uma vez, mas antes fosse só meia


Hoje finalmente pude ver Era Uma Vez, segundo longa de Breno Silveira. Uma história sobre o romance entre um vendedor de um quiosque morador do morro do Cantagalo e de uma garota rica que vive na Vieira Souto.

Eu estava bastante ansioso. Em parte por causa do trailer, mas principalmente porque estava curioso em ver o filme do diretor que conseguiu tornar a história de Zezé di Camargo e Luciano em um bom filme.

Nesse caso, ele repete os acertos de 2 Filhos de Francisco, mas infelizmente também comete os mesmos erros: se por um lado ele trabalha de forma fenomenal os personagens e a construção de suas emoções e relações, mais uma vez ele escorrega na hora de concluir o filme. Nos dois filmes, o primeiro ato é ótimo e o segundo irregular (para não dizer que é uma bagunça).

Ainda não sei qual dos dois achei melhor, mas Era Uma Vez tem duas grandes desvantagens gritantes: por mais que tenha momentos cativantes, nenhum se compara à cena da rodoviária em 2 Filhos, nem à cena em que o Francisco se diverte encantado com um interruptor de luz, de extrema sensibilidade. E ainda conta com um final trágico. E não estou me referindo à temática do filme (se bem que, se a gente parar pra pensar, um show da dupla sertaneja – que fecha o primeiro filme – acaba por ser tão ruim quanto o final de Era Uma Vez).

Mas vamos começar pelo que deu certo. O roteiro acerta em cheio em não ter pressa de criar o romance logo de cara, e sim desenvolver a história do e suas tragédias familiares (embora a bidimensionalidade do traficante Café Frio possa parecer um problema, na verdade ela serve apenas para mostrar que ali não estamos falando de uma pessoa, e sim de uma metáfora para a minoria que cai no crime não apenas por circunstância social, mas por índole mesmo). É muito mais fácil para a gente entender e aceitar o restante da história e da relação dele com a Nina no momento em que passamos a conhecer quem é o cara e pelo que ele passou. Já a Nina dispensa maiores apresentações: ela é a gente.

A partir daí o filme parte para a história de como os dois ficam juntos. E é simplesmente cativante. Thiago Martins dá um banho como o vendedor que tenta timidamente arrumar um jeito de chamar a atenção da riquinha por quem tem uma paixão platônica. O jeito bobo, meio atrapalhado, etc, soa genuíno, verdadeiro real. E assim como ele, Vitória Frate, ex-blogueira e estreante no cinema, está ótima como a garota frustrada que acaba encontrando em Dé a autenticidade que procura em sua vida. Além de ser linda. Ela realmente se torna uma menina apaixonante.

E o legal é que a relação não é forçada, não é corrida. São vários encontros e desencontros, forçados por ele ou não, até eles finalmente conversarem, ficarem, etc. Você consegue acreditar naquela história. Méritos pros dois atores e pro Breno Silveira, que conseguiu criar uma cena romântica bem verdadeira em pleno baile funk (embora eu duvide que fosse tocar “Fico Assim Sem Você” do Claudinho e Buchecha num baile funk de morro, ainda mais hoje em dia).

Já que comecei a falar de atuações, vale elogiar também Rocco Pitanga. Eu achava ele meio ruim quando o vi numa novela aí, mas o cara mandou muito bem dessa vez como o irmão mais velho de Dé, que é exilado do morro pelos traficantes, acaba preso por engano num arrastão e na prisão acaba se tornando de fato um bandido.

Enfim, é justamente com a volta do personagem de Rocco, o Carlão, que o filme começa a prenunciar a queda de ritmo. Numa relação como essa, é óbvio que o abismo social gera o preconceito, é óbvio que traz muitas dificuldades e tudo isso. E o filme até trabalha bem com isso no começo, a partir da aceitação parcial do pai de Nina ao Dé (desde que ela não vá mais ao morro – algo que acho totalmente aceitável!). E é claro que parte da sociedade diria que essa era uma relação fadada ao fracasso, ou pior, à tragédia.

Mas não era. E o maior problema do filme é justamente esse: depois de passar mais de uma hora criando uma relação de forma extremamente natural, o filme começa a construir de forma forçada a tragédia. O que culmina nos minutos finais onde os personagens começam a tomar decisões não apenas estúpidas, mas que simplesmente não condizem com nada que fizeram no resto do filme. Tirando o Carlão, que estava motivado pelo desespero, o que se vê no final é uma série de decisões sem justificativa.

O filme termina com o Dé e a Nina fazendo tudo, absolutamente TUDO errado. Mas na verdade, quem errou mesmo nesse final foi roteiro.

De resto, a trilha sonora é muito boa (até porque dessa vez não tem nada de Zezé di Camargo e Luciano).

Enfim, meu resumo sobre o que achei no geral é: Era Uma Vez é na maior parte um bom filme, cativante, mas que peca por ter se forçado a ser uma tragédia que não precisava ter sido.

Breno Silveira tem que continuar explorando o ser humano e suas relações, porque sabe fazer isso de forma magnífica. Mas precisa arrumar roteiros com finais melhores.

Magneto estava certo (parte 6)


Relembrando a explicação dessa seção:

Magneto é a favor da extinção humana. Nos acha uma espécie inferior, um bando de merdas imbecis que merecem a morte imediata. Eu geralmente discordo dele, até por pertencer a essa espécie. Mas em alguns casos, a estupidez humana supera os limites aceitáveis e eu não tenho como negar: Magneto estava certo.

Via Caixa PreTTa.

Always Look on the Bright Side of Life


Eu tava sentindo falta de mais textos autorais aqui no Vida Ordinária, que era uma das propostas do blog quando ele começou. Mas o tempo foi passando, o trabalho aumentando e a parada toda passou a se resumir a críticas de filmes, confrontos e top 5 (esses últimos feitos pelo Bruno).

De qualquer forma, vou tentar tornar esses posts mais soltos, como divagações (e que eram até comuns lá por fevereiro e março), um hábito.

Para começar, eu queria falar de uma parada que nem anda muito na minha cabeça nos últimos tempos, mas que tem a ver com o dia de hoje.

Hoje completam exatos 6 anos que sofri um acidente relativamente grave (aliás, programei esse post para mais ou menos o horário em que ele aconteceu, inclusive).

Era uma terça-feira, meu segundo dia de aula no meu primeiro período da faculdade. Já tinha acabado o trote e eu tava indo pra casa, atravessando a Av. Rio Branco, quando senti um choque no joelho. Sabe quando a gente bate o cotovelo em algum lugar e dá tipo um choquezinho? Pois é, foi mais ou menos assim, só que mais intenso. Eu só sei que fui ao chão… sei lá, achei que tivesse pisado em algum fio desencapado, alguma porra dessas. Só sei que o sinal abriu e todos na rua pararam o trânsito e me levaram até o meio fio. Chega ambulância, vou pro Souza Aguiar, consigo a liberação e vou com meus pais até outro hospital.

Resultado: eu tinha uma lesão que não tinha percebido e continuei andando como se não tivesse nada. Até que um passo em falso provocou uma fratura do platô tibial, deslocamento da rótula e rompimento de todos os ligamentos do meu joelho esquerdo.

Cirurgia no dia seguinte, para colocar dois parafusos, liberado mais dois dias depois para ir pra casa mantendo a perna em repouso. Por causa dessa fratura, só pude voltar as aulas no período seguinte. Foram meses e meses confinado em casa, dada a gravidade da fratura. A primeira vez que saí de casa sem ser para fazer exames ou consultas, foi no dia 27 de dezembro: 143 dias depois.  Quase 5 meses. E mesmo assim na cadeira de rodas.

Minha rotina era basicamente ver TV, ler e ficar na internet. Para me locomover em casa, usava 2 cadeiras de computador (1 para ir sentado, outra pra perna fudida e com a direita eu ia “remando”). Era uma situação de merda.

Aí começou fisioterapia, treinar com muletas e tal. Em março já tinha vida normal e em maio larguei as muletas. Mancar manco até hoje, dependendo da posição dos parafusos ou do esforço.

Mas esse post não é para eu citar parte da minha biografia, e sim para apontar para uma parada que reparo na maioria das pessoas, inclusive em mim: como a gente reclama por porra nenhuma.

É claro, cada um tem seus problemas e lida com eles. Eu não tô dizendo que fulana tem que gostar de ter chefe chato ou que ciclano não pode achar ruim uma ordem que recebeu dos pais, etc. Mas é a tempestade em copo d’água que me incomoda. Ou melhor, não chega a incomodar, mas me deixa meio assim. Tô cansado de ver gente, às vésperas do reveillon, falar que quer que o ano acabe logo porque foi uma merda. Peraí, será que o ano de tanta gente foi tão ruim assim mesmo? Duvido. Repito, cada um tem seus problemas. Mas em vez de lidarem com eles, preferem superlativizá-los.

Aí chega um cara como eu, essencialmente bem humorado e otimista, e tenta dar uma palavra de incentivo, puxar prum lado mais alegre, e vem sempre a mesma frase (é impressionante, é sempre igual): você não conhece meus problemas.

É verdade, não conheço mesmo. Mas será que é pior do que passar uns 6 ou 7 meses vivendo 90% do dia sentado na sua cama com contato humano praticamente feito só por telefone ou internet (afinal, as pessoas têm suas vidas, escolas, empregos, etc)?

E essa própria rotina de merda que eu citei. Dá pra eu comparar com gente que ficou inválido não por alguns meses, mas sim pela vida inteira? Ou com gente que sofreu coisa ainda pior, como a perda de um ente querido, gente que passa fome, etc, etc, etc (exemplos não faltam)? Não! Eu sei que soa como demagogia, mas é a verdade.

2002, mesmo com isso, foi um ano foda pra mim! Passei na faculdade, o Fluminense foi campeão estadual, a Seleção Brasileira pentacampeão do mundo e eu fiz várias das grandes amizades que eu tenho hoje em dia.

A gente não precisa gostar dos nossos problemas. Muito menos se acomodar com eles. Mas do que adiantar só reclamar? Sério. Pra que serve aumentá-los como se fôssemos as pessoas mais torturadas e amarguradas do mundo? E do que adianta ficar com uma visão pessimista? Pra porra nenhuma.

Encara com bom humor, pô. Tá afundado na merda, nada nela. Ou vira macaco Tião e sai atirando em geral. Tanto faz. Mas ficar só se lamentando, como se fosse digno de pena? Ah, na boa, vai tomar no cu.

E pra encerrar essa divagação antes que ela vire o prefácio prum livro ruim de auto-ajuda (olha o pleonasmo… todo livro de auto-ajuda é ruim), vai a grande lição de vida (sério!!!) do Monty Python para todos nós: Always Look on the Bright Side of Life.

Reclamem menos dos seus problemas e tratem de se animar para resolvê-los.

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