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Escrito por Alfredo Stadtherr

Histórias Cruzadas, mas pouco ousadas


Compre os direitos de um best-seller, corra atrás de produtores conhecidos, pegue alguns bons atores e conte a história de uma sociedade aparentemente perfeita movida por uma massa de minorias marginalizadas que, em algum momento do roteiro, vão fazer a diferença. Aguarde alguns meses e espere a enxurrada de indicações a prêmios.

The Help, que no Brasil ganhou o nome “como-sempre-fiel” Histórias Cruzadas, é baseado no romance homônimo da escritora estreante Kathryn Stockett e adaptado pelo seu amigo de infância e diretor praticamente estreante Tate Taylor. Na trama, passada durante os anos 1960, a jovem Skeeter Phelan (Emma Stone) pega o diploma de jornalista, enfia debaixo do braço e volta para sua cidade natal, Jackson, no Mississipi. Nesses anos de ausência, suas amigas brancas e perfeitinhas arrumaram maridos brancos e perfeitinhos com filhos brancos e perfeitinhos, todos devidamente servidos pelas empregadas negras e oprimidas.

O Artista e algo que os outros não têm


“Às vezes jogávamos bridge. (…) Os outros jogadores eram amigos atores, pessoas inexpressivas, da época do cinema mudo. Eu os chamava de bonecos de cera.”

Em 1950, Billy Wilder lançou o melhor filme ‘de’ e ‘sobre’ Hollywood. Sunset Blvd., que aqui ganhou o poético (porém realista) título Crepúsculo dos Deuses, falava, entre outras coisas, sobre a decadência do cinema mudo, em especial da diva Norma Desmond. A citação que abre este texto acontece em uma cena na mansão da velha atriz, interpretada por Gloria Swanson de forma quase autobiográfica, durante uma partida de bridge jogada por Buster Keaton, Anna Q. Nilsson e H.B. Warner. Todos eles interpretando a si próprios, “deuses” do cinema mudo esquecidos pela plateia e encarados com uma mistura de deboche e aversão pelo jovem roteirista Joe Gillis, personagem responsável pela fala acima.

O final dos anos 1920 foi uma das épocas mais tensas de Hollywood. Atores eram tidos como deuses intocáveis, idolatrados pelos espectadores. Como disse a sra. Desmond: “Naquela época nós não precisávamos de diálogos. Nós tínhamos rostos.” O cinema falado chegou sem pedir licença e acabou com a festa. Os “rostos” muitas vezes não tinham uma pronúncia ou um sotaque adequados, e alguns simplesmente se recusaram a falar. Foi o close-up final de muitos artistas.

É exatamente sobre este período que o diretor francês Michael Hazanavicius fala em O Artista. Ou melhor, não fala! A grande sacada, que gerou todo o barulho em torno do filme, é que ele é mudo e em preto e branco.

One Bizarre Thought


Alheios à onda telefônica que invadiu o mundo da música na semana passada, quatro rapazes de Londres e um de Leeds lançaram aquele que é sério candidato ao clipe mais bizarro (e mais legal também) de 2010. Com vocês, Hot Chip e I Feel Better:

Fala sério, quem nunca sonhou em detonar uma boy band?

Hot Chip é minha paixão antiga, e se você acha que não conhece, certamente ouviu em algum lugar Ready For The Floor, hit que tocou incansavelmente nas pistas em 2008. Eu deixo aqui de bônus porque, além de ser meu clipe preferido da banda, é uma homenagem ao clipe Bat Dance, do Artista Prince.

E, como eu fiz lá atrás no post sobre o Akerlund, deixo pra vocês uma playlist feita por mim com os clipes da banda. É só clicar aqui.

O bad boy das bad girls


Que você viu Telephone, da Gaga, eu tenho certeza. Mas antes de eu ensinar a fazer óculos de cigarro ou como colocar bobs de Coca Light na cabeça (aliás, pausa pra comentário: melhor merchan que eu já vi), resolvi fazer um post serviço e falar um pouco do cara que a essa hora deve estar em uma mansão na Suécia contando o vil metal: Jonas Åkerlund.

Você pode nunca ter ouvido falar, mas certamente já viu algum clipe dirigido por ele. Em 22 anos, Åkerlund criou mais de 70 videoclipes de artistas como U2, Robbie Williams, Devo, Iggy Pop, Jamiroquai, Macy Gray, Smashing Pumpkins, Christina Aguilera, Jane’s Addiction, Rolling Stones e Paul McCartney.

A lista é bem mais extensa, e eu correria o risco de fazer essa página ficar mega pesada e tomar um esporro do Alexandre Esposito. Por isso, vou me ater a cinco clipes marcantes da videografia, com um bônus no final.

Vamos começar por Ela. É, a única artista que pode usar “Ela” com maiúsculo, afinal Ela namora Ele.

American Life não é o clipe mais famoso da Madonna, mas certamente um dos mais polêmicos. Esse aí, inclusive, é o clipe liberado. A versão proibidona (muito melhor) você encontra aqui.

A parceria de Åkerlund e Maddie vem de longa data. Foi ele quem dirigiu Ray of Light, Music e o recente e fraquinho Celebration. Além disso, Mr. Jonas dirigiu também a melhor turnê em vídeo da Madonna, Confessions Tour, e o documentário sobre a melhor turnê que não virou DVD, I’m Going to Tell You a Secret.

E o diretor curte chocar a sociedade. Um de seus clipes mais recentes, Pussy, do Rammstein, é um dos mais bizarros que eu já vi (por favor, seja legal e só acesse aqui se tiver mais de 18 anos). Tanto, que, claro, a versão divulgada é bem mais light. O próprio Telephone já começa a ser proibido lá fora, pelo excesso de violência e sexualidade (vai entender…). Outros que tiveram que ser feitos em duas versões foram Fresh Out the Oven, da J-Lo, e o próximo do meu top 5:

Este clipe tem outra característica marcante do Åkerlund: o pé na estrada. O cara se amarra em fazer um road clip. Do mais recente Telephone, que faz referência tanto a Kill Bill quanto a Thelma & Louise, passando por Music (Madonna), Wake Up Call (Maroon 5) e Lonely Road (Paul McCartney). E tudo bem colorido, como sempre.

My Favourite Game (Cardigans) pode não ter nada demais, mas é um dos meus clipes favoritos do Åkerlund, e representa bem a fase em que ele firmou seu nome como diretor de videoclipes. Muita coisa interessante surgiu entre 1997 e 2000, como o próximo clipe:

Esse é outro clipe que foi gentilmente cortado pra poder ir ao ar na TV (e novamente eu trago pra você a versão sem censuras aqui). Mas pra geração que, como eu, tem entre 25 e 35 e só tinha a MTV como opção os longínquos anos 1990, Prodigy é tão marcante como o penúltimo clipe que eu mostro:



Whiskey In the Jar (Metallica) não é tão genial quanto o The Memory Remains, mas também um ótimo representante da videografia dos anos 1990. Aliás, tem aí outra vibe que o diretor curte bem: festinha regada a muito rock, pegação, álcool e, no final, violência. São inúmeros os clipes dele que mostram isso, pra não dizer quase todos.

Para encerrar meu Top 5, mostro um vídeo que casa música e propaganda, outra coisa que o Åkerlund sabe fazer muito bem. Ele já dirigiu comerciais da Coca-Cola, Virgin, Dell, Puma, Adidas e fez a última campanha da Dior com o Jude Law. E é também da Dior que nasceu esse comercial lindo, com a bola da vez de Hollywood, Marion Cotillard, e a banda Franz Ferdinand:

Eu, particularmente, adoro comercial de grife famosa. Todo mundo é bonito, a fotografia é incrível e geralmente tem uma música legal pra acompanhar. E a Marion Cotillard dispensa comentários.

Enfim, se você chegou até aqui e ficou interessado na obra do Åkerlund, organizei uma lista com todos os clipes dele disponíveis no Youtube. Clique aqui e divirta-se.

Ah, segue aqui também o link com o site oficial do cara. Tem outros vídeos muito bons lá.

Lady Disco Gaga


Bom, vou tentar dar as caras mais vezes. E isso aqui, que fez da noite chuvosa de sábado passado a minha diversão, merece ser compartilhado.

Boney M foi uma banda de disco dos anos 70. Boney M balançou as pistas com hits como Daddy Cool (que já foi até regravada pelo Placebo), Rasputin e Rivers of Babylon. Boney M era a Lady Gaga da disco music.

Vamos começar por este clipe aqui:

No momento nem falo de semelhança musical, mas saca a coreô dos caras. Todos trabalhados no branquinho, num misto de candomblé com Bad Romance. E olha, nem vou entrar no mérito do palhaço tirando o cabide das costas e do gelo seco all over the place.

Daí pulo pra esse clipe aqui:

Assim, o visual das tiazinhas deixa QUALQUER Lady Gaga no chinelo. Certeza que ela comprou os trapinho no brechó pra imitar as moças. Só que o MAIS interessante da música acontece por volta de 1′ (= um minuto, ok?). É, volta lá e ouve. Bingo, descobrimos quem é o cara irritante que fica gaguejando em Poker Face.

Agora vamos ao grande hit de Boney M:

Ok, pra você que tá lendo, as semelhanças com a Gaga já acabaram, mas eu precisava compartilhar esse clipe. Eu não sei qual é o erro maior: se é o carinha fazendo o Jacko, se é a tiazinha que tá usando o cinto nos peitos, se é a tiazinha do meio com o bate cabelo assassino ou se é a cacatua vestida de madrinha de casamento em Realengo. Ah sim, por favor, reparem no ânimo IN-CON-TI-DO da plateia.

Olha, e esse clipe aqui é um erro TÃO grande que eu deixo os comentários pra vocês:

Mentira, deixo não. Gente, O QUE É o Stevie Wonder vestido de Bin Laden? E tipows, isso foi filmado no Scala, né? Sério, parei com Lady Gaga. Meu negócio agora é Boney M. E tenho dito!

P.S.: Procurem pelos outros clipes no Youtube. Garanto que vale a pena.

There there’s a Human Behaviour


Um belo dia, Björk se juntou com Michel Gondry e teve uma brilhante ideia: “Hum, saca aquela minha música, Human Behaviour? Bora fazer um clipe?”. Daí eles imaginaram Björk numa floresta, climinha meio fantasia, percussão bombando, animais inteligentes, e a pobre da Björk vagando pela floresta:

Veja o vídeo aqui, já que a esquimó maldita não deixa seus clipes no Youtube

Um belo dia, o Radiohead se juntou ao diretor Chris Hopewell e…bem, tirem suas próprias conclusões:

A véia debaixo da cama


“…a véia criava um gato”

Daí que tão querendo fazer um filme sobre a Susan Boyle.

Tudo muito bom, tudo muito bem… pessoa de origem humilde, sem perspectivas, chega em um programa de auditório e conquista todo mundo.

Pera, eu já vi esse filme antes, mas era do DANNY Boyle…

O fato é que já estão em busca da atriz. Eu já tenho minha sugestão:

fofao

Mandem as suas sugestões…

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