26/01 2011
Um Lugar Qualquer (Sofia Coppola, 2010)

Trocadilhos podem ser feitos aos montes com Um Lugar Qualquer – poderia somente ser Lugar Algum – algo meio dúbio. O que com certeza não tem ambivalência é o contexto impregado por Sofia Coppola que até então era uma roteirista e diretora exemplar.

A filha do diretor da trilogia O Poderoso Chefão – que perdeu a mão na direção há tempos e que não se salvou mesmo escalando Vincent Gallo para Tetro – era especialista em falar sobre deslocamentos e o vazio. Temos o deslocamento temporal de Virgens Suicidas, onde uma mãe não consegue acompanhar os tempos que mudam, deslocamentos de ambiente como acontece com Charlotte e Bob em Encontros e Desencontros, etc.

Pegando esse último exemplo, onde o lugar é que transforma seus personagens deslocados (Americanos no Japão), o que seria Los Angeles para o ator Johnny Marco? Ele estaria fora de seu próprio ambiente? Um ator chauvinista sem ambições de trabalho que pouco vê a filha e dorme com diversas mulheres sem lembrar o nome de cada uma. Esse ser vazio e sem motivação passa o filme inteiro imerso em seu mundo particular que não é explorado. Aliás, para que explorar a relação de pai e filha já que ela é jogada à sua porta sem mais nem menos? Johnny não surta e não se preocupa, leva numa boa, porque ele gosta da filha (? e esse ponto de interrogação pode ser inserido ou não).

Coitado dos italianos! Serviram como meros figurantes em meio a falta de extravagâncias de um personagem que não almeja nada. Se soubesse se portar como um “rockstar” ou um junkie ou até mesmo a estrela hollywoodiana em prol dos direitos humanos, algo que motivasse uma revolta ou admiração para uma viagem tão desnecessária. Parece mais que a diretora queria chamar os italianos de superficiais, ignorantes e bregas.

Outro detalhe que sempre preocupou Sofia era a trilha sonora – sempre pontual e divertida – não acrescenta nada nas cenas. As cenas de striptease são terríveis, se era para ser medíocre não obteve sucesso, não existe graça, humor involuntário – não há.

E se todos bem se lembram do que Robert McKee dizia é: pessoas morrem, nascem, acontecem diversas coisas no mundo. Por mais que você faça um filme sobre a terrível vida no mundo das celebridades: a vida do vazio, a vida do nada, seus personagens devem evoluir, devem sofrer um trauma, devem involuir, que seja. Se não saem de lugar nenhum para lugar algum não é culpa do vazio – é culpa do medo de deturpar um mundo no qual a própria diretora cresceu e está imersa até hoje – boo-hoo.

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

2/11 2010
Scott Pilgrim Contra o Mundo

Scott Pilgrim Contra o Mundo – a HQ de Bryan Lee O`Malley - mistura diversos tipos de linguagem e referências a videogames, quadrinhos e música, no filme, que estreia nesta sexta (05/11) após vários adiamentos devido ao fracasso de bilheteria lá fora, não é bem assim… e isso é simplesmente sensacional!

Clique aqui para ler a continuação desse post.

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

27/10 2010
Ex-Chiquitita gosta é de mulher!

Eu não queria dizer nada né, mas todo mundo sabe que a tal Morango (ex-bbb que tinha bigode) é lésbica. Ela até pediu para fazer ensaio sensual com a outra ex-bbb Cacau, mas quem aceitou foi uma ex-chiquitita: Vivi (Renata del Bianco).

Para quem não lembra quem é a Vivi

E para você marmanjo que dizia que não assistia Chiquititas:

Via Um Homem Baixo

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

26/10 2010
MOSTRA SP: O Silêncio (Baran Bo Odar)

Em um dia quente de verão, uma bicicleta é encontrada num campo de trigo, no local exato de um crime cometido há 23 anos. Naquele tempo, uma garota chamada Pia foi estuprada e morta ali em um crime não esclarecido. Mais de duas décadas depois, Sinikka, de 13 anos, está desaparecida.

Apesar de um plot simplista – o da repetição de fatos – é interessante analisar que esse segundo longa-metragem do diretor Baran Bo Odar consegue exercer um poder sufocante com o espectador desde o seu princípio. Optando por revelar os detalhes da história em pequenas doses, criando choques entre presente e passado – e como um influência o outro.

Travando e batendo de frente os mais terríveis traumas de cada personagem: um delegado aposentado que nunca resolveu o caso da sua vida, um investigador que luta contra a angústia de ter perdido a mulher, a mãe e o pai de Sinikka que sofrem por ainda terem esperança de encontrar a filha e Timo com seu passado traumático e seu presente apático. Todos os dramas individuais que se cruzam e se interligam.

Como o espectador sabe a origem dos assassinatos e quem são os autores – e a ligação macabra entre os dois -, o filme segue por uma vereda: aquela em que tememos que tudo dê errado nas investigações ou que a polícia cometa erros na hora de capturar os bandidos – em uma cena específica o diretor cria uma falsa expectativa ao mostrar uma solução Deus Ex Machina.

Com a ajuda de câmeras lentas e planos fechados, sentimos o peso da vida de cada um dos personagens, enquanto os planos abertos mostram como os dias do verão passam rápido.

Esse contraste na edição e a trilha sonora toda em um piano melancólico cria o clima sufocante, aonde não importa a vingança, o ódio, o remorso ou a piedade que nós, espectadores, sintamos em relação aos personagens – todos terão seu infortúnio destino.

Um dos melhores filmes da Mostra até aqui.

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

24/10 2010
MOSTRA SP: Dias Violentos (Levan Koguashvilli)

Dias Violentos é uma análise – pessimista – da Geórgia pós domínio soviético. Nesse longa de estréia do diretor Levan Koguashvilli (representante da Geórgia aos indicados ao Oscar de Melhor Filmes Estrangeiro) acompanhamos Chekie um viciado em heroína que passa os seus dias tentando conseguir dinheiro, junto com outros junkies, para comprar drogas. Essa rotina é quebrada quando policiais o prendem e fazem um acordo: ele deve introduzir Ika ao mundo das drogas e depois chantagear o pai do adolescente – o ministro Zaza. Doente, desempregado e divorciado, Chekie precisa contornar a situação por não querer prejudicar ninguém com seus problemas.

Koguashvilli adota um tom jornalístico logo de início: evita demasiados cortes e não adota a violência do presente como representante mas, sim, tudo o que ocorreu no país durante o regime soviético. O diretor também faz questão de mostrar o quanto os jovens se perdem facilmente no cenário decadente. Ika sendo filho de um politico não se importa em experimentar drogas, andar com viciados ou arquitetar um crime, ou seja, a geração que sucederá Chekie e Zaza é recheada de covardes e imbecis.

Enquadramentos precisos de casas e pessoas miseráveis (nem mesmo a casa do ministro Zaza esbanja algum tipo de luxo). Todavia, esse tom documental é amenizado quando seus personagens devem enfrentar situações peculiares – se vestirem de lobo e coelho para realizar um sequestro, por exemplo.

Com o desenvolver da trama a crítica do diretor a degradação da sociedade, a desestruturação da vida educacional e as condições da população enfatizam a questão política e, ironicamente, o único politico do filme aparece em apenas duas situações e em uma delas é em sua casa promovendo um jantar farto.

O mérito todo do longa é suavizar sem perder o intuito de suas críticas e seu peso emocional, por mais que alguns casos extremos – como mortes ou o sequestro citado acima – recebem um alívio cômico. Levan nos apresenta sua visão de um país sem saída – sem esperança nas gerações futuras que nada mais são do que a continuação da desgraça.

Nota mental-crítica quanto a MOSTRA SP: Nas sessões em que comparecia tiveram diversos black durante a projeção. No caso de Dias Violentos, eles voltaram em cerca de dois minutos, mas as imagens na tela balançavam como aqueles cinemas 3D de parques de diversão. O outro problema foi na sessão do Bansky (Exit Through The Gift Shop) que em dez minutos de projeção perdeu a imagem, o som permaneceu e a legenda perdeu a sincrônia – depois veio o silêncio e eu decidir ir embora após 35 minutos sem previsão de volta.

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

23/10 2010
MOSTRA SP: O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira)


O Estranho Caso de Angélica é o projeto mais recente do cineasta-centenário-português Manoel de Oliveira. Numa noite chuvosa vemos um homem desesperado para encontrar um fotografo perto das três da manhã, o escolhido é Isaac um jovem judeu que acabara de chegar na cidade e que perambula por ela atrás de fotos de um cotidiano esquecido.

O roteiro dá corpo aos sentimentos de Isaac compondo imagens fantásticas com bom humor, ou seja, vertentes diferentes da sua usual filmografia. Todavia, para compensar essa leveza, o cineasta abusa de ambientes claustrofóbicos, monocromáticos, planos estáticos e semi-mortos, em especial na cena do funeral de Angélica.

Sim, a Angélica do título não está viva, longe disso, ela está morta e Isaac deve fotográfa-la para que a mãe da moça tem uma última recordação. Logo ao chegar na casa da falecida, o fotografo esbarra com a irmã devota que o julga ao ouvir seu nome judaico.

Isaac ignora o desconforto e se depara com algo, ou melhor, alguém que não pode ignorar: Angélica. A imagem captada por ele não sai de sua cabeça (ainda mais quando a fotografia sorri a ele) e é aí que a garota começa a participar do seu cotidiano, através de aparições – incluindo uma viagem pelos céus da cidade ao melhor estilo Mélies.

Contudo, é inevitável para Oliveira não intercalar essa viagem de Isaac com as conversas daqueles que convivem com ele. Evitando um discurso direto o entre “Revelar” (alusão ao Apocalipse) fotos, citações bíblicas (as trombetas dos anjos, interpretação de sinais, etc) e metafísica – a matéria e a anti-matéria (corpo e espírito) – evidenciado pela quebra da poesia da imagem quando a poluição sonora invade os devaneios de Isaac.

Suave e divertido, Manoel de Oliveira nos entrega um filme em homenagem a beleza eterna através de um exercício lúdico sobre  a morte, e – acima de tudo – poética.

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

11/10 2010
The Runaways – Garotas do Rock

The Runaways foi uma banda formada nos anos 1970 com o intuito de ter uma formação composta somente por mulheres, entre elas Joan Jett – famosa pelo hit “I Love Rock n Roll”. Este ano com produção da própria Joan somos presenteados com uma – quase – cinebiografia.

Quando ressalto o quase é porque na verdade o filme apenas enfoca na formação de Joan Jett e Cherry Currie, e em menor escala na do produtor Kim Fowley – o melhor e mais controverso personagem da trama – à procura de uma nova sensação no mundo do Rock. Todo esse enfoque é claro, pois nunca sabemos como a guitarrista Lita e a baixista Jackie Fox entraram para banda (detalhe que a baixista não tem falas no filme). Por tanto a película tem um ar mais romantizado na relação de Joan e Cherry – que antes mesmo de formarem a banda já se conheciam por trocas de olhares em boates.

Cherry é de longe a pior caracterização, de criança prodígio-irritante em filmes de Steven Spielberg, Dakota Fanning não consegue em um só segundo dar o ar sexy e a força que sua personagem exige, apenas vemos que todos sentem uma atração inexorável pela menina de 15 anos. Sua personagem é tão pouco desenvolvida que nem é citado que sua irmã Mary é sua gêmea – o que levantaria pontos interessantes sobre a relação tão intensa das duas. Com a faceta de plagiadora de Bowie e uma cena de vergonha alheia num concurso da escola, a personagem não consegue nem ao menos chegar a um tom caricato. E sua força dramática chega ao zero absoluto quando ela tem desmaios (devido às drogas e álcool) e quando larga a banda por querer ficar com a família.

Por outro lado, e talvez nada esteja perdido nessa vida, a Joan Jett encarnada por Kristen Stewart está contida e o.k., como a dyke-bad-boy que compõe para a banda e que por ventura é a que mais caracteriza a atitude rock n roll do começo ao fim das Runaways. A vontade sem fim de alcançar o estrelado como ícone punk e a força de suas letras, ela é a imagem que a banda quer transmitir. Todavia, não seria possível Joan Jett estar tão bem retratada se o produtor Kim Fowley não estivesse ao seu lado dando gritos, falando de revoltas, testosterona, paus, etc. Michael Shannon rouba as melhores cenas para si como quando diz “Não quero mais ver falsos roqueiros usando batom e beijando o pau um do outro” para na próxima cena, e na anterior, ele estar trajado como um verdadeiro fã de Bowie da época.

E se como cinebiografia The Runaways – com o péssimo subtítulo de Garotas do Rock (eu teria colocado As Fugitivas para ficar mais cretino) – não funciona, ele tem como grande mérito três pontos: a reconstituição de uma época e sua juventude, uma fotografia exuberante (concebida por Benoit Debie, que fez Irreversível) e uma montagem – principalmente nas cenas de shows – competente. Irônico citar as cenas dos shows, porque tudo que estava errado na caracterização de Cherry torna-se grandioso pela escolha de cortes e closes nos momentos de performances da banda (e alguns devaneios, como o primeiro beijo entre ela e Joan, com um corte magnífico de uma pista de patinação para um fundo todo vermelho).

Se a sua procura é por um filme que fará com que a nova geração de moderninhos vejam como era feito o rock antigamente, passe longe desse exemplar, ele é apenas aconselhável como mero entretenimento sobre romantismo e costumes dos jovens na época, onde tudo era excitante e liberado (ok, e se você tem tara nas duas atrizes principais se pegando, mas já aviso que é bem rápido).

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

7/09 2010
Os 12 Trabalhos de Dave Grohl

Vocês já notaram que tem algumas pessoas que simplesmente aparecem e vários lugares e muitas vezes não sabemos o por quê? Igual aquele mala sem alça do Geninho, personagem que aparecia no final dos episódios da She-ha:

E então eu vos pergunto de maneira bem solene: vocês já viram tudo do Dave Grohl? Ele é o mais famoso workaholic que existe no mundo da música:

Dave Grohl, o vocalista:

Foo Fighters

Nirvana, sim, ele gravou a faixa Marigold no single Heart-Shaped Box, de 1993. Sendo a única música da banda de Kurt Cobain que é tocada pelo Foo Fighters

Dueto com Will Ferrell

Dave Grohl, o baterista:

Nirvana

Queens of the Stone Age

Them Crooked Vultures

Probot

Dave Grohl, o ator:

O Diabo em Tenacious D and The Pick Of Destiny

O cara do bar no clipe I Want you so Hard do Eagles of Death Metal

Sem contar suas diversas gravações com o Nine Inch Nails, Juliette & the Licks Tony Iommi, Cat Power, Jack White e até tocou com Paul McCartney.

E aí, qual o favorito de vocês? Conseguem achá-lo em mais algum lugar?

Além de falar sobre horóscopo quando suas citações não surtem efeito, só a banalidade o interessa ultimamente.

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