22/04
2010
Rapidinhas de Cinema #2
Por Felippe Cordeiro em Cinema
Nada como uma rapidinha, um jogo rápido, nenhuma análise muito apurada, indicações ou críticas, who knows? Bom vamos cortar o papo furado.
Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é sucesso de bilheteria, mas seria mais pelo hype do diretor ou porque existem muitos fãs do universo criado por Lewis Carroll? Esteticamente o filme não deixa a desejar, figurinos certeiros, cenários ricos e caracterizações muito boas, infelizmente a história deixa a desejar, pois, considerando que é uma continuação das duas histórias de Alice, segue por um caminho óbvio e sem emoção. Na verdade o que incomoda é que durante a permanência no mundo real, Alice quer sempre fugir do seu destino, enquanto que ao chegar no Mundo Subterrâneo reluta em aceitar sua missão (e a insistência de todos os personagens para que ela aceite é extremamente irritante, faltou um roteiro, talvez?), mas no fim aceita o fardo imposto pelo Oráculo. A perda de ritmo durante as passagens é outro ponto perdido, a trilha sonora é cansativa e a batalha final não tem tanto impacto. O 3D também é questionável, em muitos momentos considerei a técnica descartável por não enriquecer o visual, contudo em certos momentos o cenário parece com livros pop-up (tridimensionais que montam a cena da ilustração). Todavia, se você é fã dos livros irá gostar das principais referências aos dois livros, se encantará com a rainha branca e a rainha de copas (aliás, essa tem os melhores momentos do filme) e com certeza o Chapeleiro (chato em alguns momentos, mas nada tira seu mérito) e a Lebre farão todos rir um pouco.
ps: também resenhei sobre o livro.
Ilha do Medo é ao mesmo tempo o mais pessoal e profissional de Scorsese. Ele não tem reviravoltas mirabolantes, é um trajeto comum, o que vale na história é a entrega do personagem principal dentro de seu medo de encarar a loucura. O roteiro não tem furos, ele tem lapsos assim como seu personagem principal, o real e o imaginário em constante tangência criam a história e não sua linearidade. As cenas dentro dos sonhos de Teddy (desde os papéis voando durante sua invasão em Dachau ou as cinzas voando durante o incêndio) é uma das inserções mais incríveis que Scorsese poderia fazer. Ele suavizou, levando em consideração que muitas partes do livro (falando sobre a vida sexual, as brigas, as bebedeiras de Teddy) foram deixadas de lado para o espectador se focar no mistério que é o personagem principal, o mistério do desaparecimento e da ilha é para deixar de lado, o que interessa aqui é: até que ponto a mente de uma pessoa pode levá-la a caminhos obscuros? Esse é o cinema de Scorsese, ele é cru, ele não precisa se sustentar num mistério, mas em sua condução, na condição de deixar todos, que acompanham seu protagonista, cada vez mais sufocados. Lembrando que heróis não são sarcásticos o tempo todo e muito menos bonzinhos, Teddy é matador e tenta se redmir, ele é humano: sangra, tem dores de cabeça, etc. O desfecho do filme não poderia ser melhor, ao encarar a sua realidade, Teddy tem de tomar uma decisão e sua fala final exprime a entrega de alguém que vivia na angústia e finalmente sabe diferenciar o medo da tristeza.
ps: resenhei sobre o livro também.
























