O adjetivo presente no título de O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox no original) não poderia ser mais apropriado. O filme é incrível e, para mim, a melhor animação feita no ano passado, superando em muito o ganhador do Oscar, Up.

O longa, primeira incursão do diretor Wes Anderson (de Os Excêntricos Tenenbaums e A Vida Marinha com Steve Zissou, entre outros) e do roteirista Noah Baumbach (do incrível A Lula e a Baleia) no gênero de animação, consegue manter toda a pegada do trabalho deles anteriores, seja no estilo dos personagens à forma como tudo se desenvolve, passando até pela escolha das cores peculiares dos filmes do Anderson. Mesmo que aqui, estejamos falando de animais em stop motion.
Baseado em um livro infantil, o filme mostra o Sr. Raposo, um ex-ladrão de galinhas teimoso e incorfomado com a vida de jornalista que adotou quando sua esposa pediu, logo após revelar que estava grávida dele. Claro, depois de alguns anos ele acaba indo contra o que havia combinado, e junto de seu vizinho Kylie (um marsupial), resolve voltar à ativa, deixando furiosos os 3 fazendeiros que existem perto da árvore em que ele vive. É quando sua família e amigos ficam em risco pela vingança dos fazendeiros, como consequência da sua irresponsabilidade, que a trama engrena.

E por mais bobinha e simples que a história possa parecer em princípio, ela acaba se provando uma simpática metáfora para muitos conflitos que nós humanos temos na vida, desde a escolha de nossas prioridades até a aceitação de nós mesmos e de nossas diferenças. Esse último tema, principalmente, desenvolvido através do filho do Sr. Raposo com a Sra. Raposa, Ash.
E se esses personagens acabam tão bem construídos, o mérito não é apenas do bom roteiro, mas também das vozes, que incluem grandes nomes do cinema americano (George Clooney
faz o Sr. Raposo, Meryl Streep
sua esposa e Willen Dafoe
é o rato arqui-rival do protagonista), assim como parceiros de longa data do diretor (como Bill Murray
como o Texugo, Jason Schwartzman
como Ash e Owen Wilson
como o treinador da escola, além de Michael Gambon
– o Dumbledore histérico dos últimos filmes de Harry Potter - como o raivoso fazendeiro Beans). Outros elementos típicos do Wes Anderson ainda estão lá, como o lettering separando o filme em “capítulos” e a trilha sonora bacana.

É tudo tão bem desenvolvido que você só não esquece que é uma animação porque o diretor faz questão de lembrar disso o tempo todo com passagens mais caricaturais e divertidas. Dá pra ver claramente que não havia apenas a intenção de ser um filme pra divertir quem vê, mas também pra divertir quem fez.
E assim como os trabalhos anteriores dele, O Fantástico Sr. Raposo é, acima de tudo, um grande filme. Uma pérola que, mesmo esquecida pelos prêmios, merece ser vista e guardada. Melhor animação de 2009, disparado.