Já há alguns anos que a gente sabe que, se vem filme da Pixar aí, é sinônimo de qualidade. Até porque, nesses anos todos, eles não fizeram sequer um filme ruim. Talvez o menos brilhante tenha sido Vida de Inseto, que mesmo assim é ótimo. Méritos para o John Lassetter, grande responsável por essa excelência.
Mas se tem um cara que hoje faz os melhores filmes da Pixar e, conseqüentemente, da animação mundial, é o Brad Bird. Seus Ratatouille e Os Incríveis estão claramente um passo a frente do que é feito. Com roteiros espetaculares, são mais do que grandes animações. São grandes filmes. E olha que nem são os melhores dele.
Isso porque em 1999 ele escreveu, produziu e dirigiu uma pérola chamada O Gigante de Ferro, um dos meus desenhos favoritos. Em 2D mesmo, desbanca qualquer filme da Pixar, qualquer Shrek, qualquer whatever.
Com o mesmo alicerce dos seus filmes seguintes, um grande roteiro, o filme nos cativa com uma história simples, mas tocante, de um robô alienígena que cai na Terra e faz amizade com um garoto de 10 anos durante os anos 50, onde vivia-se constantemente com o medo da ameaça soviética e das bombas atômicas.
Uma história aparentemente banal, mas conduzida com uma honestidade e um ritmo sensacionais. A trilha também é muito boa. E não tem como não se arrepiar com o final.
Aliás, seria um filme live-action foda, se mantivessem todos os planos iguais aos do desenho. Seria pra concorrer a vários prêmios (o desenho, aliás, ganhou tudo e mais um pouco que poderia ganhar) e faturar centenas de milhões de dólares. Eu gostaria de ver isso algum dia, seria bacana. Mas o desenho por si só já é fenomenal.

Agora resta a gente ver esse ano se, com WALL·E, o Andrew Stanton (que fez Procurando Nemo) vem pra rivalizar com o Bird. Se o filme for foda como promete, não sei quem vai dominar, entre Lasseter, Bird e Stanton. Mas sei que vai continuar a velha certeza: a Pixar só faz filme bom.