6/08 2008
Always Look on the Bright Side of Life

Eu tava sentindo falta de mais textos autorais aqui no Vida Ordinária, que era uma das propostas do blog quando ele começou. Mas o tempo foi passando, o trabalho aumentando e a parada toda passou a se resumir a críticas de filmes, confrontos e top 5 (esses últimos feitos pelo Bruno).

De qualquer forma, vou tentar tornar esses posts mais soltos, como divagações (e que eram até comuns lá por fevereiro e março), um hábito.

Para começar, eu queria falar de uma parada que nem anda muito na minha cabeça nos últimos tempos, mas que tem a ver com o dia de hoje.

Hoje completam exatos 6 anos que sofri um acidente relativamente grave (aliás, programei esse post para mais ou menos o horário em que ele aconteceu, inclusive).

Era uma terça-feira, meu segundo dia de aula no meu primeiro período da faculdade. Já tinha acabado o trote e eu tava indo pra casa, atravessando a Av. Rio Branco, quando senti um choque no joelho. Sabe quando a gente bate o cotovelo em algum lugar e dá tipo um choquezinho? Pois é, foi mais ou menos assim, só que mais intenso. Eu só sei que fui ao chão… sei lá, achei que tivesse pisado em algum fio desencapado, alguma porra dessas. Só sei que o sinal abriu e todos na rua pararam o trânsito e me levaram até o meio fio. Chega ambulância, vou pro Souza Aguiar, consigo a liberação e vou com meus pais até outro hospital.

Resultado: eu tinha uma lesão que não tinha percebido e continuei andando como se não tivesse nada. Até que um passo em falso provocou uma fratura do platô tibial, deslocamento da rótula e rompimento de todos os ligamentos do meu joelho esquerdo.

Cirurgia no dia seguinte, para colocar dois parafusos, liberado mais dois dias depois para ir pra casa mantendo a perna em repouso. Por causa dessa fratura, só pude voltar as aulas no período seguinte. Foram meses e meses confinado em casa, dada a gravidade da fratura. A primeira vez que saí de casa sem ser para fazer exames ou consultas, foi no dia 27 de dezembro: 143 dias depois.  Quase 5 meses. E mesmo assim na cadeira de rodas.

Minha rotina era basicamente ver TV, ler e ficar na internet. Para me locomover em casa, usava 2 cadeiras de computador (1 para ir sentado, outra pra perna fudida e com a direita eu ia “remando”). Era uma situação de merda.

Aí começou fisioterapia, treinar com muletas e tal. Em março já tinha vida normal e em maio larguei as muletas. Mancar manco até hoje, dependendo da posição dos parafusos ou do esforço.

Mas esse post não é para eu citar parte da minha biografia, e sim para apontar para uma parada que reparo na maioria das pessoas, inclusive em mim: como a gente reclama por porra nenhuma.

É claro, cada um tem seus problemas e lida com eles. Eu não tô dizendo que fulana tem que gostar de ter chefe chato ou que ciclano não pode achar ruim uma ordem que recebeu dos pais, etc. Mas é a tempestade em copo d’água que me incomoda. Ou melhor, não chega a incomodar, mas me deixa meio assim. Tô cansado de ver gente, às vésperas do reveillon, falar que quer que o ano acabe logo porque foi uma merda. Peraí, será que o ano de tanta gente foi tão ruim assim mesmo? Duvido. Repito, cada um tem seus problemas. Mas em vez de lidarem com eles, preferem superlativizá-los.

Aí chega um cara como eu, essencialmente bem humorado e otimista, e tenta dar uma palavra de incentivo, puxar prum lado mais alegre, e vem sempre a mesma frase (é impressionante, é sempre igual): você não conhece meus problemas.

É verdade, não conheço mesmo. Mas será que é pior do que passar uns 6 ou 7 meses vivendo 90% do dia sentado na sua cama com contato humano praticamente feito só por telefone ou internet (afinal, as pessoas têm suas vidas, escolas, empregos, etc)?

E essa própria rotina de merda que eu citei. Dá pra eu comparar com gente que ficou inválido não por alguns meses, mas sim pela vida inteira? Ou com gente que sofreu coisa ainda pior, como a perda de um ente querido, gente que passa fome, etc, etc, etc (exemplos não faltam)? Não! Eu sei que soa como demagogia, mas é a verdade.

2002, mesmo com isso, foi um ano foda pra mim! Passei na faculdade, o Fluminense foi campeão estadual, a Seleção Brasileira pentacampeão do mundo e eu fiz várias das grandes amizades que eu tenho hoje em dia.

A gente não precisa gostar dos nossos problemas. Muito menos se acomodar com eles. Mas do que adiantar só reclamar? Sério. Pra que serve aumentá-los como se fôssemos as pessoas mais torturadas e amarguradas do mundo? E do que adianta ficar com uma visão pessimista? Pra porra nenhuma.

Encara com bom humor, pô. Tá afundado na merda, nada nela. Ou vira macaco Tião e sai atirando em geral. Tanto faz. Mas ficar só se lamentando, como se fosse digno de pena? Ah, na boa, vai tomar no cu.

E pra encerrar essa divagação antes que ela vire o prefácio prum livro ruim de auto-ajuda (olha o pleonasmo… todo livro de auto-ajuda é ruim), vai a grande lição de vida (sério!!!) do Monty Python para todos nós: Always Look on the Bright Side of Life.

Reclamem menos dos seus problemas e tratem de se animar para resolvê-los.

Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.

18/03 2008
Que Lost que nada, misteriosa é essa ilha chamada Grã-Bretanha

Se lembram que quando abri o post sobre Lost, cliffhangers e reclamões eu mencionei que aquela era a primeira de muitas divagações? Pois é, esse post é mais uma. E das longas.

Outro dia eu tava montando aqui em casa um CD aleatório qualquer, como faço de vez em sempre. Lá pela metade da execução dele, reparei que tinha alguma coisa em comum entre a maioria das faixas. Aí olhei pra minha estante de livros, e percebi a mesma “coincidência”.

A maioria dos artistas e bandas que acho mais fodas (não é uma questão de simplesmente gostar, e sim de achar incrivelmente fantásticos, ali no top) são ingleses (britânicos, pra ser mais exato, já que não sei quem por ventura é escocês ou galês). Meus autores favoritos, idem.

O que será que tem naquela ilhota para que nela, sozinha, seja produzido a maior quantidade de arte e cultura pop de alto nível. Se bobear mais do que em todo o resto do mundo junto. Uma pequena fábrica de gênios. Tipo, existem muitos outros países com bagagem cultural riquíssima e muito mais gente. Por que esses não produzem tanta gente boa como a Grã-Bretanha.

Não que eu esteja pelando o saco deles não. É inadmissível um país com tanta m ulher feia e com uma culinária tão medíocre (dá pra entender o mau humor do Gordon Ramsay, imagina crescer comendo “fish and chips” e acordando com um Big English Breakfast?). Mas em muitos aspectos a gente tem que dar valor. Até pelos contrastes. Um lugar onde a tradição (tipo a família real) ainda são motivo de orgulho e respeito nacional, mas de onde surgem as tendência mais rebeldes e de vanguarda. Tipo, só lá pra Rainha Elizabeth e Sid Vicious serem ídolos ao mesmo tempo.

Foi lá que surgiu Shakespeare, mais clássico impossível. Aliás, dá pra gente perder horas tentando lembrar a quantidade de grandes atores e atrizes que se consagraram justamente pelas peças dele. O bardo simplesmente foi incomparável.

Mas voltando à literatura, temos Jane Austen e seus romances vitorianos (Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, etc). Mas também foi de lá que vieram os malucos Douglas Adams (Guia do Mochileiro das Galáxias) e Terry Pratchett (Discworld) e seus livros, que são completamente transloucados e hilários. Tem a fantasia de Lewis Carrol, a poesia de TS Eliot e de Keats, a bobagem alegórica religiosa de CS Lewis (eu sei que As Crônicas de Nárnia são para um público infantil – o que torna ainda mais covarde a alegoria dele -, mas meu problema é só que é mal escrito… linguagem simples é diferente de linguagem simplória), a ficção história de Bernard Cornwell (Crônicas de Artur, A Busca do Graal, Sharpe, etc) , a multi-milionária JK Rowling (se você não sabe quem ela é o que ela escreveu, nem deve ter chegado a esse ponto do post, mas vamos lá: Harry Potter) e é claro, tem Tolkien (O Senhor dos Anéis, O Hobbit, Silmarillion, etc). Aliás, meu escritor favorito e principal influência (já que também escrevo) é inglês: Nick Hornby (Alta Fidelidade, Como Ser Legal, Febre de Bola, etc). E nos quadrinhos ainda tem o Neil Gaiman e o Alan Moore que também são ingleses.

Só sei que escrevendo esse post me deu uma baita vontade de reler vários deles e escrever posts melhores sobre alguns.

Aliás, aproveitando que já citei Douglas Adams, vale lembrar que ele foi colaborador do Monty Python, gênios do humor. E como um assunto puxa outro, se no passado o humor britânico era capitaneado pelo Monty Python’s Flying Circus, hoje em dia temos as séries do Rick Gervais, como The Office (a versão americana é melhor, mas não importa, nunca teria existido se ele não tivesse criado) e The Extras. E já que o tema é TV, temos ainda os reality ingleses, que são bem bacanas (passam vários na NET, é só zapear), vários deles ligados à comida (tanto sobre fazer como sobre como parar de comer). E eu já tinha falado aqui no blog sobre Skins, uma série excelente (embora a 2ª temporada não esteja no nível da primeira).

Agora, é na música que o bicho pega pra valer. Pra começar, estamos falando de Pop e de Rock, o Brasil (que já deu ao mundo muito do que existe de mais espetacular na música) não conta. Tira mais uma dúzia de coisas dos Estados Unidos, tipo Bob Dylan e algumas bandas. O que sobra de realmente foda nesses gêneros? Vamos lá, você tem um tempinho pra pensar. Pensou em o que? Umas 5 bandas? 10? Posso chutar que pelo menos 80% do que você pensou veio daquela ilhazinha nublada. Isso chutando por baixo.

Já é uma covardia começar a lista com Beatles. Se não bastasse, vieram de lá os Rolling Stones. E o Led Zeppelin. E o Pink Floyd. E o Queen. E The Who. E Cat Stevens, o único cara que disputa mano a mano com o Dylan o trono do folk. Antes que os metaleiros me matem, lembro que o Iron Maiden também é inglês.

E foi lá que nasceu o punk, com o The Clash e os Sex Pistols. Ok, os Ramones são americanos e vieram antes dessas duas bandas, mas o movimento como um todo se formou na Inglaterra.

Eles também deram aos nossos ouvidos o The Cure, Depeche Mode, Dire Straits, Joy Division e The Smiths.

Teve o Brit Pop, com o Oasis, uma das minhas bandas favoritas, além de Blur e The Verve. E ainda temos o Radiohead, Coldplay, Arctic Monkeys, Muse, entre outras. Ah, claro, como pude esquecer de citar o pop das Spice Girls! Se você não gostasse da música era o de menos, podia escolher pra assistir uma das 5 requebrando.

É tanta coisa que eu com certeza esqueci de um monte e no meio dessas de alguma importantíssima, e depois vou ser xingado. Acontece.

Se eu tivesse jogado a Irlanda no meio, aí que estar ferrado, porque os pinguços (aliás, ontem foi St. Patrick’s Day) também mandam benzaço.

Essa constatação aleatória que tive enquanto simplesmente ouvia um CD só serviu pra aumentar minha vontade de conhecer esse lugar. Quem sabe, né? Se nada der certo, largo tudo e me jogo no mundo. Se quiserem me encontrar, um lugar provável é Londres.

Não que eu ache que isso vai acontecer, uma vez que as coisas parecem estar dando certo. Até a próxima divagação!

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9/02 2008
O Show da Vida (sem ser o Fantástico)

Acho que tem um pouco a ver com meu ego desde sempre inflado, mas desde pequeno eu páro pra pensar se minha vida não é um mega-reality show à la Show de Truman. E isso bem antes do filme ter saído.

Não que eu tenha uma vida muito movimentada, cheia de acontecimentos fantásticos. Mas se vocês pararem pra pensar, nem o Truman tinha.

Mas tem cada coincidência, cada circunstância, cada situação. Tipo, bizarras.

Eu tava comentando hoje com o Ristow de uma situação específica (que nem rola de explanar, foi mal), mas eu me vejo como o protagonista de uma daquelas séries de comédia com humor negro. Onde o cara é muito azarado ou coisa do tipo. Ele não é um fudido, mas nunca se dá realmente bem por azar ou por simples falta de timing. Em especial no lado amoroso. Daria até pena do sujeito se não fosse extremamente engraçado.

Pois bem, hoje em dia eu sou maior e já sei (não que antes não soubesse, mas criança pode ter a imaginação mais livre) que minha vida não é um Show de Truman. Mas se por acaso eu estiver enganado e o roteirista estiver lendo isso aqui, acho que é uma boa hora de escrever a virada do personagem. Não que eu esteja reclamando da minha vida, muito ao contrário, acho que estou num dos melhores momentos que já vivi. Mas dá pra parar de atrapalhar um pouco? Só um pouquinho? Por favor. Na boa. Grato.

PS: Meu primeiro post nesse blog é sobre trilha sonora da vida das pessoas, e vejam só que coincidência: justamente uma das minhas músicas favoritas do nada passou a ter tudo a ver com o que eu vivo. E antes ela não tinha nada a ver, eu só curtia pelo som e pela letra engraçada. Bizarro.

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