
Não me orgulho nada em ter tido previsões negativas sobre a seleção brasileira. Como todo torcedor, queria muito que o Brasil fosse campeão.
E nessa hora de tristeza, falar “eu sabia”, “eu avisei” e afins seria de uma filhadaputice sem tamanho. Por isso não vou falar isso.
Mas a verdade é que estava na cara que isso podia acontecer. Uma seleção sem brilho, sem opção de jogo, pragmática, e que não representa nada a tradição do nosso futebol. Perde a seleção brasileira, mas ganha o futebol brasileiro.
E ganha o futebol brasileiro porque essa derrota cala aqueles que criticam o futebol bem jogado, criativo, na base do talento. Silencia os hipócritas que exaltam 94 e criticam 82, se esquecendo que em outras 4 Copas o Brasil ganhou jogando bem, e em outras perdeu por jogar mal.
Quando eu disse no nosso guia da Copa que o Dunga era uma mula, muitos vieram me criticar, dizendo que eu era muito agressivo, que era influenciado pela mídia. Mas como eu posso gostar de um técnico teimoso e turrão que abre mão do que o futebol brasileiro tem de melhor pra oferecer em nome do “comprometimento”. É importante ter vontade e orgulho de vestir a camisa da seleção sim. Mas nenhum grupo de trabalho pode abrir mão de competência.

É como diz aquele velho ditado fanfarrão: não existe nada pior do que um idiota com iniciativa. Dá pra fazer uma analogia e dizer que no futebol nada é pior do que incompetentes dedicados. E é isso que Felipe Melo, Michel Bastos, Gilberto Silva, Josué e Kléberson, só pra citar alguns, são.
A culpa da derrota não é do Kaká, claramente com problemas físicos. Nem do Robinho, jogador que melhor representou o Brasil nos últimos 4 anos. A culpa é de quem não deu opções pro caso desses dois jogadores não conseguirem decidir os jogos.
A Itália abriu mão de jogadores como o Cassano por pensar no grupo. E assim o grupo italiano se fudeu junto. Adiantou alguma coisa? Grandes jogadores não formam necessariamente um bom time, como 2006 nos ensinou, mas tendo eles à disposição, deve se usar, nem que seja no banco, como opção. Num jogo como esse, com a seleção descontrolada no segundo tempo, o que poderia salvar? Um chute improvável do Ronaldinho Gaúcho. Um drible genial do Neymar. Um passe fantástico do Ganso. Ou de outros jogadores mesmo, como Alex, Diego, quem você preferir. Opções de jogo que foram ignoradas em nome de jogadores pouco capazes, em nome de um “comprometimento” que na verdade importa menos do que deixaram parecer. Mas o fato é que a seleção brasileira não pode abdicar do talento. E esse foi o maior erro do Dunga.

Que essa derrota faça o Brasil voltar a acreditar que a fórmula da vitória é a mesma que nos levou à maioria das nossas conquistas: futebol bem jogado.
Se essa mentalidade voltar, podem ficar tranquilos: 2014 vai ser nossa, e dando muito mais orgulho e alegria do que essa seleção do Dunga seria capaz de dar.
Há males que vêm para o bem. Torçamos para esse ser o caso.