Essa semana estreia Harry Potter e O Enigma do Príncipe, a 6ª adaptação para o cinema da série de livros de J.K. Rowling, e nada mais apropriado do que prestigiar a data colocando o famoso plágio de Tim Hunter bruxinho em um Confronto do Vida Ordinária.
E pra isso, o rival ideal só pode ser a outra obra britânica que vendeu milhões e milhões de cópias, se tornou cultuada e se incorporou de vez na cultura pop mundial. E que também tem um autor que usa as iniciais para assinar. É hora de J.K. Rowling encarar J.R.R. Tolkien. Ou melhor, hora dos filmes baseados na obra dela enfrentarem os filmes baseados na obra dele. É O Senhor dos Anéis X Harry Potter.
Round 1: Nazgûl x Dementadores
Tudo bem que os Espectros do Anel não sejam lá tão assustadores assim nos filmes de SdA. Afinal, primeiro eles fogem de um Aragorn balançando um graveto em chamas pra ele. Coisa de viado fugir disso, né?
E depois, o líder deles, o grande e temido Rei-Bruxo perde para… uma mulher?!
“Ah, mas ela não tava sozinha”, você vai me dizer. É, verdade. Ele perdeu para uma mulher e um… hobbit?!
Mas por outro lado, os Dementadores não passam de cópias mal-feitas deles.
Eles chegam e a galera sente frio. Nossa, caramba. Que malvados, hein? Naquela porra de Hogwarts o que mais tem é cachecol, problema resolvido.
Só que o pior, pior mesmo, nem é isso (e sequer o fato da arma principal deles ser um “beijo”). É o fato deles serem rechaçados por um patrono com forma de de, tcharam: um veado. Sim, um veado conjurado por Harry Potter.
Ou seja, se por um lado os Nazgûl levam vareio de um nanico e uma dona de casa frustrada, os Dementadores correm que nem menininhas de um veado enviado por outro.
Isso, Harry, liberte o veado que existe em você.
Brincadeira…
Senhor dos Anéis 1 x 0 Harry Potter
Round 2: Sauron x Voldemort
Nos livros, Sauron tem uma forma física, apesar de alguns idiotas desmentirem. Mas Gollum viu e descreveu o sujeito, com o dedo faltando. Dizem que era uma forma só pra intimidar. Sinceramente não consigo ver como uma pessoa com dedo faltando é mais icônico do que uma porra de olho flamejante no topo de uma torre.
Mas OK, cada um acredita no que quiser, e no filme vimos o olhão com conjuntivite.
O que, convenhamos, é uma forma escrota de visualizar o principal vilão do filme. O máximo de expressão que tínhamos era um olho esbugalhado aqui ou ali, masnem rolou uma sobrancelhazinha arqueada. Aí fica foda de ter medo do sujeito. Se ainda fosse como o Sauron dos X-Men…
Não que Voldemort tivesse lá muita vantagem. Primeiro ele se escondeu na nuca de um seguidor. PQP, né? “Vejamos, onde vou me esconder para arquitetar meu retorno e minha vingança… ah, já sei, em uma NUCA”.
A lógica passa longe Daquele Que Não Deve Ser Nomeado (Mas Que Se Devesse, Seria Chamado de Idiota).
Depois ele possuiu um bebê (e aqui não vai entrar nenhuma piadinha sobre possessão de crianças em respeito ao mês de luto do Michael Jackson).
Até que voltou ao seu corpo e fez o que? Perdeu a chance de matar seu rival, tendo a vantagem numérica, de conhecimento do terreno e do fato de ser a porra de um huge motherfucker feiticeiro contra um pré-adolescente punheteiro.
Tipo, o que é pior? Ser um olho ardido que vem falar “bu” quando alguém usa um anel ou ser um feioso careca que faz a cicatriz de um fedelho doer? Difícil, mas esse round vai pro sujeito que dá à tapa, e não só o olho.
Senhor dos Anéis 1 x 1 Harry Potter
Round 3: Gollum x Snape
Gollum é o personagem mais trágico de O Senhor dos Anéis, e em parte por causa disso, um dos mais interessantes.
Snape também é bastante trágico, e não é à toa que por isso se torna o personagem mais interessante dos livros. Disparado o melhor, principalmente depois que mata o Dumbledore. O que, você não sabia disso? Então porque está lendo esse confronto?
Mas enquanto um deles é potencializado nos filmes, o outro acaba sendo reduzido ao talento sub-aproveitado do Alan Rickman fazendo cara de mau e alisando o cabelo sebento.
“Como ter bom-humor se esse fog britânico arruina minha chapinha?”
E vá lá, a cena do “Mr. Potter… our… new… celebrity” é legal, mas nada que se compare ao carisma e à malemolência de Gollum, o rapper esquizofrênico:
Senhor dos Anéis 2 x 1 Harry Potter
Round 4: Éowyn x Hermione
Ok, os filmes de SdA, como no livro, não têm lá muita mulher. Tanto que a que mais aparece, a Arwen, só tem tanto tempo de tela porque inventaram cena, colocaram ela no lugar de outros personagens, etc. Mas pouco importa, porque quem bota pra quebrar mesmo é a Éowyn, mulher macho sim senhor.
E ela é bem legal mesmo, tem personalidade, mata Nazgûl, e o escambau. Enquanto a Hermione é uma cdf chata que defende os elfos domésticos de forma bem irritante.
Sendo assim, seria lógico a vitória ir pra Éowyn… mas sem pensar muito, me vieram à mente 3 bons motivos pra Hermione levar esse round.
Sean Astin deve ter aprendido a atuar com o Gary Oldman. A maioria de vocês devia ver Friends, e devem se lembrar de quando Joey contracena com nosso amigo Oldman em um filme de guerra e o cara só fala cuspindo.
Pois bem, duvido alguém aqui assistir uma única cena do Sam em SdA (ou dele em qualquer outro filme que tenha atuado) em que não voem perdigotos por toda a tela. No fim da jornada, Frodo não estava chorando de desespero, e sim encharcado de cuspe do amigo.
Só esse “Remember the Shire, mister Frodo?” já daria pra matar a sede do infeliz.
Mas mesmo assim, o Sam é um personagem tão foda, que dá pra deixar essa chuva constante. Lenço de papel tá aí pra isso, né?
Agora, do outro lado… vamos começar pelo primeiro filme. Entre todas aquelas atuações inexpressivas e a direção sem talento do Chris Columbus, tinha um cara carismático: Rony, o melhor amigo de Harry Potter. A verdade é que Rupert Grint realmente conseguia fazer a gente rir na maioria das cenas com aquela cara de abobalhado. Sim, essa daqui:
O problema foi quando vieram os filmes seguintes, e descobrimos que aquilo não era carisma ou talento, era só a única cara que ele sabia fazer mesmo.
E o que era simpático quando ele tinha 10 anos, só fica mais patético com o passar dos anos… o moleque deve hoje estar na andropausa e ainda só faz aquela cara.
Merece levar uma cuspida. Ainda bem que Sean Astin está nesse round para se encarregar disso.
Senhor dos Anéis 3 x 2 Harry Potter
Round 6: Frodo x Harry
Tudo bem, Elijah Wood tem jeitinho de moça e Frodo é um personagem que passa quase 10 horas numa jornada para ter seu anel queimado.
Mas Harry Potter não fica atrás. Afinal, não perde uma única oportunidade de pegar numa varinha (e pode até ser anciã) ou numa espada de Griffyndor. E se alguém duvida, é só olhar essa foto da premiere londrina do último filme:
“Tô toda molhadinha, MONA!!!”
É… pelo visto, nos livros ele até pega a Gina, mas na vida real Daniel Radcliffe deve mandar a Gina pra longe… “Vá, Gina, pra longe de mim! Vá, Gina, pra longe de mim!”.
Frodo podia ser boiola, mas pelo menos publicamente tinha mais compostura. E por isso leva esse round.
Senhor dos Anéis 4 x 2 Harry Potter
Vitória de O Senhor dos Anéis!
Ok, essa era fácil, e precisamos apelar pros dotes da Emma Watson pra equilibrar isso aqui. Mas de outra forma, seria até covardia, né?
Até o próximo confronto!
Alexandre Esposito Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.
Em tempos de politicamente correto, é bom ver o humor negro sendo usado, né?
Como no caso dessa campanha para um serviço de telefonia celular que faz um backup dos seus contatos, de forma que você não perca sua agenda quando derrubar o celular, por exemplo.
A idéia? Seus amigos todos caídos mortos.
Ganhou Bronze em Press no último Festival de Cannes.
Alexandre Esposito Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.
Que tal um anúncio exaltando como o asbestos do World Trade Center ajudaria a evitar catástrofes e incêndios? Podia ser incrível nos anos 70, mas e depois de 2001?
Ou ainda James Dean, morto em um acidente de carro quando estava acima da velocidade, fazendo comercial sobre direção segura?
Esses e outros exemplos de publicidade que com o tempo se tornaram bizarros estão na lista que o The Consumerist fez, com as 10 propagandas mais irônicas da história.
Tem anúncio defendendo substância química que tempos depois contaminou e matou gente pra cacete na Índia, anúncio defendendo que “todo médico fuma Camel” e até mesmo da Bayer vendendo um dos seus produtos principais: a heroína.
Mesmo que a maioria dos posts sejam de variedades ou de humor, um blog como esse, que tem a grande maioria dos seus autores formada por publicitários, não podia deixar passar em branco o maior festival de propaganda do mundo.
E nesse sábado terminou o Cannes Lions 2009. Então é hora da gente dar uma olhada geral nos vencedores dos Grand Prix e no desempenho brazuca.
O número de leões foi menor que o do ano passado, não rolou nenhum GP pra gente e o desempenho em Promo, Direct, Titanium & Integrated e até mesmo em Cyber foram decepcionantes. Mas mesmo assim, o nosso país vai bem, obrigado.
Isso porque conseguiu emplacar uma dobradinha com DM9DDB como Agência do Ano e Almap BBDO em 2º. As duas agências foram responsáveis por 17 dos 32 leões brasileiros, 5 deles de ouro.
Entre elas, essas 2 campanhas que levaram ouro em Press (a segunda, inclusive, também ganhou prata em Outdoor). A primeira é para o banco de imagens LatinStock, com o conceito “Grandes fotos acontecem sem briefing”, e a segunda para a página de turismo do Terra:
A Almap também emplacou um ouro em Press, com a excelente campanha para a Escola Pan-Americana de Arte & Design, “Até onde vai sua criatividade?”:
Outro ouro da Almap foi em Film, pelo comercial “Cachorro-Peixe”, pro SpaceFox, da Volkswagen. Acho que o maior mérito desse prêmio está no fato de ser um comercial que fez sucesso não apenas no meio publicitário. Está aí, no intervalo da novela das 8, do Jornal Nacional. Todo mundo já viu. É a prova que dá pra fazer propaganda popular que seja premiável sim.
Agora mais um leão da DM9, nesse caso uma Prata em Design, para esses cartazes anunciando a produtora de som Saxsofunny. Muito bom:
Mudando de categoria, ouve também o Leão em PR (na categoria ainda não existe distinção entre Ouro, Prata e Bronze) para a LiveAD pela ação Mil Casmurros, feita divulgando o lançamento da série Capitu, da Rede Globo. Vejam o vídeo-case abaixo, é bem legal:
E fechando nossos comentários sobre os leões vencidos pelo Brasil, eu não podia de citar o leão de bronze em Design que a Indústria Nacional (do meu ex-professor e grande torcedor do Fluminense, Ricardo Saint-Clair) levou pela identidade visual de uma campanha contra homofobia. Ano passado ele já tinha levado uma prata na mesma categoria. Muito merecido, mais uma vez:
Agora, os prêmios principais…
Grand Prix
Film
O comercial que levou o prêmio que deu origem ao festival, na verdade não é apenas um comercial. É mais que isso. Carousel, da Tribal DDB de Amsterdã para a Philips, é na verdade um site para divulgar a nova Cinema 21:9, a primeira TV do mundo com formato de cinema.
E qual a melhor forma de passar esse diferencial? Mostrando como, a partir de agora, ver sua TV vai ser como estar numa sala de cinema. Por isso, o site tem a TV, com direito ao ambilight e tudo, exibindo um curta, de 2’19” em looping. A produção é espetacular.
Clique na imagem abaixo para entrar no site e ver o filme. Vale muito a pena.
Press
O mais polêmico dos GPs, o de Press foi para a campanha We Are Animals, da agência francesa Fred & Farid para a Wrangler. Eu engrosso o coro dos que perguntam “WTF???!!!” para a escolha do júri presidido por David Lubars. Veja abaixo 2 das 5 peças que foram premiadas nessa campanha:
Outdoor
O GP de Outdoor foi para a surpreendente e sensacional campanha da sul-africana TBWA Hunt Lascaris para um jornal do Zimbábue, evidenciando a desvalorização da moeda local e a responsabilidade do presidente Mugabe por isso.
Os cartazes foram feitos com notas de dinheiro de verdade.
Radio
O GP de Rádio também foi para a África do Sul, mais especificamente pra NEtwork BBDO de Johannesburg, por uma campanha para a Virgin Atlantic.
A McCann de Hong Kong levou o GP de Design pelos pôsteres que fez para a campanha Paper Battlefield da Liga de Basquete da Nike. Alguns deles você vê abaixo:
Media
A JWT japonesa transformou as embalagens de Kit Kat em cartões postais e as colocou a venda em postos dos correios de lá, para quem quisesse comprar e enviar o chocolate para alguém. É essa a idéia simples, mas inovadora e bem construída, que levou o GP de Media.
Mais um GP pro Japão. Nesse caso, para a Beacon Communications por peça para a Yubari Resort. Veja mais sobre a ação clicando aqui.
Cyber
Cyber é a única categoria que tem mais de um GP. São 3 no total: um para campanhas interativas, um para ferramentas interativas e um para marketing viral.
E o grande viral desse ano foi o case Why So Serious?, da 42 Entertainment para o lançamento deBatman: O Cavaleiro das Trevas.
Você pode ver todas as ações e sites relacionados a esse ARG clicando aqui, além, é claro, do vídeo-case inscrito em Cannes.
Para ferramentas interativas ganhou o Fiat eco:Drive, da agência ingleza AKQA.
E por fim, em campanha interativa levou O Melhor Emprego do Mundo, da CumminsNitro, o papa-GPs desse festival. Essa campanha de incentivo ao turismo em Queensland, Austrália, ficou famosa na internet por se tratar de uma oferta de emprego para… duh, O Melhor Emprego do Mundo: ser zelador de uma das centenas de ilhas que formam o maior recife de coral do mundo, ganhando 20 mil dólares por mês. E essa mamata toda por 6 meses. Podia se inscrever gente de todo o planeta, e no fim um inglês superou seus mais de 36 mil concorrentes e ficou com a invejada vaga.
PR e Direct
Esses 2 GPs foram pro mesmo endereço do último de Cyber que você viu: O Melhor Emprego do Mundo.
E como a explicação da ação eu já dei acima, pra variar agora boto o vídeo-case:
Titanium & Integrated
E esses 2 foram pra barbada: Obama. É claro, chegou-se a pensar que o avassalador Melhor Emprego do Mundo pudesse abocanhar mais esse GP, mas acabou nem leão levando nessa categoria. E sem dúvidas os cases do Whooper Sacrifice e do lançamento de Dig Out Your Soul do Oasis eram concorrentes fortíssimos.
Mas não dá pra concorrer com uma campanha que foi capaz de mudar a mentalidade de um país inteiro e quebrar tantos preconceitos e barreiras como essa. Um presidente negro, com nome árabe e, principalmente (pelo menos na minha opinião), NERD.
Não há dúvidas de que a campanha completamente inovadora, tanto na convergência de mídias como na forma diferenciada de se tratar uma eleição, merecia levar o prêmio mais cobiçado do Cannes Lions.
Veja o vídeo-case:
…
Para ver todos os vencedores de todas as categorias, é só entrar aqui. Mas melhor não comer mosca, porque depois de um mês ou dois eles fecham o site e só dá pra ver pagando.
Alexandre Esposito Publicitário, blogueiro, produtor de festa e, pro azar de vocês, piadista.